Grau dos advérbios


Os advérbios compõem uma classe gramatical de extrema importância no português, pois são responsáveis por modificar o verbo, adjetivo, outros advérbios e, em casos com menor ocorrência, o sujeito da oração em que ocorrem.

Grau dos advérbios

Um aspecto de extrema importância dessa classe gramatical reside no fato de que, apesar de apenas alguns tipos de advérbios poderem ser flexionados (modo, ligar e intensidade), eles são capazes de modalizar as orações, isto é, definir o tipo de força com qual determinado ato de fala é produzido.

Na gramática normativa, aquela ensinada em escola, os advérbios são classificados conforme a circunstâncias que exprimem, e é necessário conhecer essa classificação antes de adentrar no tema de interesse deste artigo: os graus dos advérbios. Abaixo, é feita uma rápida exposição dessa classificação.

-Advérbios de afirmação: são aqueles que expressam posições de certeza por parte do locutor dentro de determinado período. Assim, sua força não reside na dicotomia positivo/negativo, mas sim na afirmação de determinada posição, independente de se estar negando ou afirmando algo. Alguns exemplos de palavras desse tipo são “sim”, “certamente”, “realmente”, “decerto”, “incontestavelmente” e locuções adverbiais como “com certeza” e “sem dúvida”, presentes em frases como “É certo que choverá amanhã” ou “Ele decerto não virá”;

-Advérbios de negação: a mesma premissa destacada acima é válida, mas desse vez se nega determinada afirmação, expressa por palavras como “não”, “jamais”, “nunca” e locuções adverbiais como “de jeito nenhum” e “de modo algum”, utilizadas em frases como “Não vou conseguir ir de jeito nenhum”;

-Advérbios de dúvida: tipo de advérbio que nem nega nem afirma determinada proposição presente em uma oração, expresso por “possivelmente”, “acaso”, “talvez”, “quem sabe”, “às vezes” dentre outros, como em “Será que ele aparece?” ou “Quiçá ele aparece!”;

-Advérbios de grau: que intensificam ou quantificam a classe gramatical que modificam dentro de determinada oração, como “demais”, “quase”, “imenso”, “em excesso”, “por completo”, etc., presente em orações como “Essa luz é muito escura” ou “Essa luz é quase tão clara quanto a do escritório”;

-Advérbios de modo: aumentam a quantidade de informação presente em uma oração à medida que especifica como determinada ação ocorreu, expressos por “devagar”, “depressa”, “cuidadosamente”, “às pressas”, “dessa maneira”, etc., como em “Ela, generosamente, lhe ofereceu um pedaço”;

-Advérbios de tempo e de lugar: esses são os advérbios mais claros de serem classificados, pois são bastante transparentes e grande parte deles só faz sentido no momento em que são escritos ou falados (são chamados de dêiticos). Alguns exemplos de advérbios de tempo incluem “hoje”, jamais”, “primeiramente” e “de vez em quando”. Os advérbios de lugar podem ser expressos por “abaixo”, “além”, “externamente” “à esquerda” e “por aqui”.

Grau dos advérbios: comparativo

Como dito acima, apesar da maioria dos advérbios serem invariáveis, alguns deles podem ser flexionados em termos de grau. Nesse caso, pode haver duas possibilidades de flexão: advérbios superlativos e advérbios comparativos. Iremos analisar esse último primeiro.
Como o próprio nome indica, esses advérbios servem para fazerem comparações entre dois ou mais sujeitos, objetos ou ações. No entanto, essas comparações podem variar quanto ao sentido, estabelecido pelos advérbios. Observe as orações abaixo:
(1) Ela é tão bonita quanto eu.
(2) Ela é mais bonita do que eu.
(3) Ela é menos bonita do que eu.
Essas três orações apresentam a mesma estrutura sintática, com exceção dos advérbios “tão”, “mais” e “menos”. A função desses advérbios é modificar o sentido das orações por meio da comparação que estabelecem.
Dessa maneira, em (1) existe uma comparação de igualdade, em (2) uma comparação de superioridade e em (3) uma comparação de inferioridade. Note que essas comparações são estabelecidas do ponto do de vista do sujeito indireto, fazendo com que o sujeito direto (eu) nunca seja tomado como inferiorizado ou superiorizado, pois esses atributos de ser mais ou menos recai sobre o sujeito indireto.

Grau dos advérbios: superlativo

Na gramática, superlativo é a palavra ou expressão que indica um grau elevado ou muito elevado. Com os advérbios, o superlativo pode ocorrer de duas principais maneiras. Observe as frases abaixo:
(4) Ela é muito linda.
(5) Ela é lindíssima.
Em ambos os casos ocorre a presença do superlativo, mas a diferença é que em (4) ele é do tipo absoluto analítico, enquanto que em (5) é absoluto sintético. Na análise desses advérbios, algumas observações são necessárias:
-Na escrita coloquial ou na oralidade, em casos em que ocorre o emprego de adjetivos com valor de advérbios, pode ser o que é chamado de recorrente, como em (6) “A lua hoje está muito clara.”;
-Quando ocorre uma repetição de advérbio, ela pode ter valor aproximado ao superlativo, como em (7) “Eu tenho pouco, muito pouco, dinheiro na conta.”;

-Na linguagem coloquial, quando parte dos advérbios são expressos na forma diminutiva, podem denotar intensidade ou afetividade, como ocorre em (8) “Eu queria que você ficasse mais um pouquinho.”;

-Em frases que contêm adjetivo particípio, os advérbios “bem” e “mal” devem sempre ser empregados na forma analítica, acompanhados do advérbio de intensidade “mais”. Assim, (9) “O tênis é pior fabricado pela empresa americana” está incorreta, pois o certo deve ser (10) “O tênis é mais mal fabricado pela empresa americana”. No entanto, quando o advérbio estiver depois do adjetivo particípio, o uso de sua forma sintética é obrigatória, fazendo com que (11) “A sala era iluminada mais bem que a cozinha” está errada, sendo a forma correta (12) “A sala era iluminada melhor que a cozinha”.