Caráter Ácido-Básico-Neutro de um Sal e Nomenclatura dos Óxidos


Podemos considerar genericamente que os sais são formados a partir da reação química entre um ácido e uma base. Isso significa que o cátion do sal vem de uma base e o ânion do sal vem de um ácido. Logo, o caráter — básico, ácido ou neutro — de uma solução aquosa de um sal depende diretamente da força da base e da força do ácido que deram origem a esse sal. Nesse caso, de um modo geral, os sais podem ser classificados em três grupos:

Caráter Ácido-Básico-Neutro de um Sal

• Sal neutro: possui cátion proveniente de base forte e ânion proveniente de ácido forte. Observe os seguintes exemplos. O MgS04, sulfato de magnésio: forma solução de cará­ter neutro, pois: Mg2+, cátion magnésio, vem de Mg(OH)2, hidróxido de magnésio, base forte, e S02~4, ânion sulfato, vem de H2S04, ácido sulfúrico, ácido forte. O NaC£, cloreto de sódio: forma solução de caráter neutro, pois: Na1+, cátion sódio, vem de NaOH, hidróxido de sódio, base forte, e C£1-, ânion cloreto, vem de HC£, ácido clorídrico, ácido forte. O cloreto de sódio, NaC£, é encontrado dissolvido na água do mar ou na forma de cristais cúbicos incolores ou esbranquiçados em minas de sal. É conhecido por sal marinho ou sal-gema. É o principal constituinte do sal de cozinha. Possui cátion proveniente de base fraca e ânion proveniente de ácido fraco.

Sais inorgânicos

Observe os seguintes exemplos. O NH4CN, cianeto de amônio: forma solução de caráter neutro, pois: NH4+, cátion amônio, vem de NH4OH, hidróxido de amónio, base fraca, e CN1″, ânion cianeto, vem de HCN, ácido cianídrico, ácido fraco. O ZnS, sulfeto de zinco: forma solução de caráter neu­tro, pois: Zn2+, cátion zinco, vem de Zn(OH)2, hidróxido de zinco, base fraca, e S2~, ânion sulfeto, vem de H2S, ácido sulfídrico, ácido fraco.

• Sal básico: Observe os seguintes exemplos. O Mg3(B03)2, borato de magnésio: forma solução de caráter básico, pois: Mg2+, cátion magnésio, vem de Mg(OH)2, hidróxido de magnésio, base forte, e B03~3, ânion borato, vem de H3B03, ácido bórico, ácido fraco. O NaHC03, bicarbonato de sódio: forma solução de caráter básico, pois: Na1+, cátion sódio, vem de NaOH, hidróxido de sódio, base forte, e HCO1^, ânion bicarbonato, vem de H2C03, ácido carbónico, ácido fraco.

Observação: o NaHC03 chamado inadequadamente de carbonato ácido de sódio, é um sal básico e atóxico que reage com a água liberando C02(g), e formando o hidróxido de sódio, NaOH(aq). Atua como princípio ativo na maioria dos efervescentes utilizados para combater a hiperacidez estomacal. Também é usado como fermento em bolos, pães e em extintores de incêndio à base de pó seco ou úmido.

• Sal ácido: Observe os seguintes exemplos: O AgN03, nitrato de prata: forma solução de caráter ácido, pois: Ag1+, cátion prata, vem de AgOH, hidróxido de prata, base fraca, e NO1^, ânion nitrato, vem de HN03, ácido nítrico, ácido forte. QA£2(S04)3, sulfato de alumínio: forma solução de
caráter ácido, pois: A£3+, cátion alumínio, vem de A£(OH)3, hidróxido de alumínio, base fraca, e S02~4, ânion sulfato, vem de H2S04, ácido sulfúrico,
ácido forte.

Assim, concluímos: Sais que possuem cátion e ânion provenientes de base e ácido fortes ou fracos têm caráter neutro. Nos demais casos, prevalece o caráter do mais forte: básico ou ácido. Praticamente todos os elementos (com poucas exceções) ligam-se ao oxigênio formando óxidos, que podem ser iônicos ou covalentes.

Óxidos são compostos binários dos quais o oxigênio é o elemento mais eletronegativo, apresentando carga elétrica ou caráter parcial (ô) igual a -2. Observação: composto binário é aquele formado por dois elementos químicos diferentes (independentemente do número de átomos de cada elemento na fórmula).

Os compostos binários de flúor e oxigênio, como o OF2 (difluoreto de oxigênio) e o 02F2 (monofluoreto de oxigênio), não são óxidos e sim sais, uma vez que o flúor é o único elemento mais eletronegativo que o oxigênio.

Nomenclatura

Atualmente há três diferentes sistemas de nomen­clatura em uso para óxidos:

• Nomenclatura oficial da IUPAC de 1957. Baseia-se no uso dos prefixos gregos mono, di, tri, tetra, pent, hex, hept, oct, non, dec para indicar tanto o número de átomos de oxigénio como o número de átomos de outro elemento, presentes em uma fórmula do óxido. É fornecida pelo esquema: prefixo adequado + óxido + de + prefixo adequado + nome do elemento. Exemplos:
CO, monóxido de carbono
S02, dióxido de enxofre
Fe203, trióxido de diferro
P205, pentóxido de difósforo

O prefixo mono para o elemento ligado ao oxigênio qua­se não é usado, ou seja, não é comum falar monóxido de monocarbono ou dióxido de monoenxofre.

• Nomenclatura de Stokes, proposta em 1940. O NOX do elemento ligado ao oxigênio é indicado por numerais romanos, logo após o nome. Essa nomencla­tura é usada para óxidos metálicos. Exemplos:
FeO – óxido de ferro II
Fe203 – óxido de ferro III
Cu20 – óxido de cobre I
CuO – óxido de cobre II

Nomenclatura de 1900. É usada para óxidos metálicos. Baseia-se no uso dos sufixos oso e iço. Para óxidos diferentes de um mesmo elemento, temos: nome do metal de menor NOX + sufixo oso nome do metal de maior NOX + sufixo iço. As propriedades de um óxido estão relacionadas à eletronegatividade do elemento ligado ao oxigênio e, portanto, ao caráter da ligação — predominantemente iônica ou predominantemente covalente — existente no composto.