Polaridade de Ligações Covalentes


A polaridade é a habilidade que ligações químicas têm de atrair as cargas elétricas dos átomos. O ponto onde acontece esse fenômeno é chamado de polo, que pode ser classificado em dois grupos: negativos e positivos.

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As características dos elementos químicos estão sob grande influência do tipo de ligação química realizada pelos seus átomos. Outro fator que deve ser levado em consideração é se essa ligação é polar ou apolar.

No entanto, antes de falarmos sobre ligações polares e apolares, é precisar saber identificar uma ligação covalente e a sua polaridade.

LIGAÇÕES COVALENTES

Esse tipo de ligação química acontece com átomos que compõe o hidrogênio, semimetais e ametais. Ela ocorre com o objetivo de proporcionar a estabilidade entre os elementos envolvidos na ligação.

Quando um átomo possui oito elétrons na sua última camada eletrônica, também chamada de camada de valência, ele torna-se eletronicamente estável. A exceção para essa regra é o hidrogênio, que alcança a estabilidade eletrônica com dois elétrons na camada de valência.

Desse modo, esses elementos tendem a atrair elétrons para se manter estáveis. Em uma ligação covalente, uma vez que não há possibilidade de todos os átomos receberem elétrons sem que ao menos um se desestabilize, ocorre um compartilhamento de um ou mais pares de elétrons.

Quando um átomo de hidrogênio e outro de cloro reagem, eles formam uma ligação covalente. Note que o hidrogênio possui apenas um elétron em sua camada de valência, e que para alcançar a estabilidade eletrônica é preciso de mais um.
O mesmo ocorre com o cloro, visto que este possui sete elétrons na última camada eletrônica, também precisando receber um elétron para tornar-se estável.

Sendo assim, uma vez que ambos precisam de mais um elétron para alcançar a estabilidade, os elementos envolvidos na ligação compartilham um elétron e ficam estáveis.

A ligação covalente pode ocorrer tanto entre átomos de elementos diferentes, quanto com átomos do mesmo elemento. Por isso, é possível que ela seja apolar ou polar, dependendo dos elementos envolvidos na ligação e suas cargas de eletronegatividade.

LIGAÇÕES COVALENTES APOLARES

Quando dois átomos de um mesmo elemento formam uma ligação covalente, não há entre eles uma diferença de eletronegatividade. Desse modo, a disposição de elétrons no entorno do núcleo dos átomos ligantes é proporcional. Assim, não há criação de polos, que podem tanto ser carregados negativamente quanto positivamente na molécula.

Um exemplo é o gás hidrogênio (H2). Duas moléculas de hidrogênio se juntam e formam uma ligação covalente apolar, pois há uma distribuição simétrica de elétrons. Ambos compartilham um elétron para manter os átomos estáveis.

LIGAÇÕES COVALENTES POLARES

Esse tipo de ligação covalente acontece entre elementos com átomos que possuem eletronegatividades diferentes. Nesses casos, o átomo com maior carga eletronegativa atrairá com mais força os elétrons envolvidos na ligação. Essa força de atração cria uma disparidade no compartilhamento da nuvem eletrônica, gerando uma assimetria.

Dessa forma, cria-se uma área com acúmulo de elétrons, que adquire o que chamamos de carga parcial negativa (δ-). Já a área onde a densidade é menor adquire uma carga parcial positiva (δ+).

Atente-se: é muito importante lembrar que nos casos de ligações covalentes não acontece transferência de elétrons, e sim compartilhamento. Portanto, os polos positivos e negativos não podem ser representados pelos sinais – e +, respectivamente, como acontece no caso de ligações iônicas. Por esse motivo é utilizado o símbolo δ para representar a “carga parcial”.

Quando o oxigênio, por exemplo, realiza ligações covalentes com hidrogênio ou carbono, elas são polares. Isso acontece porque o oxigênio é um dos elementos com maior carga eletronegativa. Ou seja, os átomos desse elemento tendem a atrair com mais força os elétrons envolvidos na ligação. Se por um lado o oxigênio adquire carga parcial negativa, por outro, o hidrogênio e o carbono adquirem carga parcial positiva.

Portanto, quanto maior a polaridade de uma ligação covalente, maior será a disparidade eletronegativa entre os átomos dos elementos que formam a ligação.

COMO DESCOBRIR A ELETRONEGATIVIDADE DE UM ELEMENTO?

Como já vimos, a eletronegatividade está diretamente relacionada com o potencial de atração de elétrons que um átomo possui. Tendo como base a tabela periódica, a carga eletronegativa dos elementos aumenta conforme suas disposições na tabela de baixo para cima e da esquerda para direita.

Outro fator que pode auxiliar na hora de tentar determinar se um elemento é mais eletronegativo que outro é o número de camadas na eletrosfera que um elemento possui. Quanto maior a quantidade de camadas, maior o raio atômico, que tem grande influência na carga eletronegativa.

Observe ainda a quantidade de elétrons que um átomo contém na sua camada de valência. Quanto mais elétrons, maior é a tendência de atração do átomo para adquirir a estabilidade eletrônica. No entanto, este fator não é uma regra, uma vez que no caso do cloro, por exemplo, experiências comprovam sua menor carga eletronegativa em comparação com o oxigênio, mesmo tendo sete elétrons em sua última camada, enquanto o oxigênio possui seis.

Vale destacar também que Linus Pauling definiu uma escala que mede a eletronegatividade dos elementos. Além disso, a Escala de Pauling ainda possibilita prever algumas propriedades de misturas e características de ligações químicas.