Carta no vestibular: Características


Entra ano, sai ano, os vestibulares mais concorridos das universidades brasileiras assustam os candidatos por conta de um item em comum em todas as provas: a redação.

Não é a toa que muitos estudantes de cursinho ou vestibulandos autônomos passam a dedicar boa parte dos seus estudos à elaboração de redações sobre os mais diversos temas, no intuito de se sentirem preparados para encarar a proposta surpresa que surgirá na hora de realizar a prova.

Carta no vestibular

Não obstante em exigir do candidato uma grande habilidade na hora de articular suas ideias e um bom domínio da língua portuguesa na hora de pontuar as frases e apresentar as devidas regências verbais, a redação do vestibular exige também que o vestibulando seja capaz de apresentar um amplo domínio cultural sobre temas presentes na atualidade do país, muitas vezes repercutidos pelos noticiários ao longo do ano que precede a prova. Portanto, para se sair bem na hora de enfrentar a redação das provas de admissão das mais importantes universidades do país, não basta só praticar a escrita: praticar a leitura é também um item indispensável.

Gêneros textuais diferentes: maneiras de lidar

Quando nos referimos de uma maneira leiga a esse assunto, em geral chamamos de “texto” ou “redação”. Mas a bem da verdade, esses conceitos não existem isoladamente de uma definição que explique ou exemplifique quais são as características ali presentes. Isto é, de poesia à crônica, da notícia jornalística à receita de bolo, tudo é texto. Mas texto não é tudo: existe um recorte específico que designa o tipo de texto do qual estamos tratando. Quando estamos falando do caso dos vestibulares, por sua vez, estamos geralmente levando em consideração a chamada “dissertação”, esse gênero textual em que o autor propõe uma tese acerca de um assunto, desenvolve essa tese ao longo dos parágrafos posteriores para, finalmente, conclui-la com uma amarração incide de forma contundente. A dissertação, por sua vez, precisa ser calcada em argumentos sólidos, que sejam capazes de dar conta da estrutura necessária para sustentar uma argumentação – daí a necessidade do candidato que escreve a dissertação ter tido, ao longo do ano, um contato intenso com uma vasta bibliografia que lhe permita dar conta de fundamentar seus raciocínios. Mas, e como fazer quando, depois de um ano inteiro praticando a dissertação, somos surpreendidos com um pedido de que seja escrita uma carta?

A carta e suas características

Alguns vestibulares, como a Universidade Estadual de Maringá (UEM), a Universidade Federal do Paraná (UFPR), a Faculdade Cásper Líbero e a Universidade Estadual Paulista (Unesp) já pediram cartas em suas provas ou incluíram a carta no nicho de possibilidades textuais que serão cobradas em seus próximos concursos.

Mas diante desse aviso, não é preciso encarnar nenhum desespero: a carta pode ser uma grande aliada do vestibulando na hora de controlar a pressão decorrente do número de questões e do pouco tempo de resposta que são sempre a característica maior dos vestibulares.

Em primeiro lugar, é preciso ter em mente que a carta corresponde a uma estrutura específica que, mesmo sendo aparentemente difundida entre todos, precisa contemplar necessariamente alguns itens.

O primeiro deles é o local e a data. Toda carta é emitida por algum emissor que, por sua vez, se encontra localizado em um lugar específico do tempo e do espaço. Esse detalhe é fundamental para a carta, pois confere a ele um registro histórico que permite ao seu futuro leitor compreender de onde ela foi emitida.

Em seguida, não se esqueça do vocativo, ou seja, enunciar para quem a carta está sendo emitida. Em um texto, você emite o vocativo registrando o nome da pessoa ou instituição para quem está enviando aquela mensagem.

Exemplo:

“Ao excelentíssimo senhor presidente da República…”

ou

“Cara Camila…”

No caso do vocativo, convém lembrar que os pronomes de tratamento devem estar de acordo com a pessoa a quem a carta é endereçada. Um pronome inadequado pode ser considerado vício de linguagem e levar a perda de pontos.

Segue então o conteúdo da carta. Na maioria dos vestibulares, pede-se uma carta argumentativa, ou seja: haverá um enunciado que narra um conflito e, diante dele, será pedido ao candidato que escreva uma carta endereçada a um personagem envolvido esse conflito ou que sobre ele tenha algum juízo de valor.

Por fim, o candidato pode introduzir uma despedida formal ou informal, o que não é um item absolutamente necessário, mas que, em alguma medida, caracteriza as cartas de um modo geral. E mais importante: não deixar de lado um item essencial: a assinatura. O candidato não pode deixar de assinar a carta porquê é nesse momento que o documento é identificado, ou seja, o eu-lírico assume a si mesmo como portador daquela mensagem.

O professor Edmundo Santana, professor de técnicas em Redação, em artigo escrito sobre esse tema, faz questão de lembrar uma dica importante: não deixe nenhuma das linhas em branco entre esses itens. Afinal de contas, na hora do vestibular cada linha é um espaço valioso de convencer ao corretor de suas capacidades oratórias.