Resumo da República Velha: Artur Bernardes


Em São Paulo, unidades do exército, contando com o apoio de importantes elementos da poderosa Força Pública do estado, sublevaram-se, tomando alguns pontos estratégicos da cidade. No comando do movimento estava o general Isidoro Dias Lopes, secundado por Miguel Costa. Atacaram o palácio dos Campos Elísios, que era a sede do governo estadual, e o governador Carlos Campos acabou fugindo após combates violentos.

O movimento, que era elitista por excelência, rejeitava a participação da população. Pedia-se a esta, apoio, compreensão e, principalmente passividade frente a uma revolução que seria feita sem a sua ajuda. Além disso, a preocupação maior estava em garantir os interesses das elites, tudo se fazendo para a vida normal se restabelecesse, e não necessariamente, criar algo novo.

Artur Bernardes

Mas, a reação do governo federal foi violenta. A cidade de São Paulo foi cercada e assim, teve início um pesado bombardeio, que acabou atingindo os bairros mais pobres da cidade, como o Brás, um bairro de operários. Pressionados pelo poder de fogo do governo e tratados com desconfiança cada vez maior por um operariado a quem não se oferecia participação, mas que pagava com vidas a revolução, os rebeldes decidiram abandonar a cidade. No dia 27 de julho, o bloqueio do exército foi furado, e assim, os rebeldes passaram a se deslocar em direção ao Oeste, em direção ao Norte do Paraná, que faz fronteira com a Argentina e o Paraguai.

Nesse contexto, no Rio Grande do Sul, o tenente Luís Carlos Prestes, que contava com o apoio de João Alberto, acabou por reunir algumas unidades militares oriundas do interior do estado, organizando assim uma coluna armada que se moveu em direção ao Norte, na tentativa de um encontro com os paulistas. Em 1925, mais precisamente no mês de abril, rebeldes tenentistas paulistas e gaúchos encontraram-se próximo a Fox do Iguaçu, sempre fustigados por forças governamentais.

Através de uma sugestão de Luís Carlos Prestes, os revolucionários se dividiram em dois grupos. Um deles era liderado pelo general Isidoro, buscando refúgio político no Paraguai e na Argentina. O outro, sob o comando de Luís Carlos Prestes e de Miguel Costa, continuou a luta. Dessa maneira, teve início a Coluna Prestes, que após um desvio pelo território do Paraguai, retornou ao Brasil pelo Mato Grosso e começou sua marcha pelo interior. Durante quase dois anos, ou seja, até fevereiro do ano de 1927, a Coluna Prestes percorreu cerca de 25 mil quilômetros, passando por onze estados e evitando o confronto direto com as tropas governamentais, já que essas estavam sempre em número maior.

Foi assim, que Luís Carlos Prestes ficou conhecido como o cavaleiro da esperança, tornando-se um herói nacional, pelo menos para os grupos que eram opositores da oligarquia, setores médios urbanos. Seu grande feito foi manter a Coluna Prestes ativa, invencível e capaz de sobreviver à todas as privações de uma campanha totalmente desgastante. No início do ano de 1927, sob o comando de Prestes, os últimos sobreviventes do movimento foram buscar refúgio na Bolívia.

Artur Bernardes reagiu às atribulações pela qual passou seu governo com a adoção de medidas autoritárias, como por exemplo, o decreto quase constante do estado de sítio, restrições à liberdade e ainda com a reforma constitucional de 1926, o que acabou fortalecendo o poder do presidente, sem contudo alterar as práticas políticas da oligarquia. Seu governo refletiu a crise do regime.

A semana de Arte Moderna

Em fevereiro do ano de 1922, o Teatro Municipal de São Paulo que era totalmente imponente, foi o palco da Semana de Arte Moderna. Sob assobios, vaias e apupos generalizados, um grupo de jovens intelectuais e artistas acabou divulgando suas novas ideias, o que caracterizou a inauguração do modernismo em território brasileiro.

Esse movimento modernista tinha duas vertentes. A primeira delas era totalmente destruidora e tinha o objetivo principal de romper as amarras formais que impediam a manifestação livre da cultura, criticando a submissão das correntes culturais da Europa e as desgastadas formulas artísticas então na moda, como por exemplo, a poesia parnasiana.

Já a segunda vertente era conhecida como vertente criadora. Esta era voltada para a investigação e para a criação de novas formas de expressão, debatia-se entre o futurismo, com sua exaltação da técnica, do movimento, da velocidade e da experimentação, até mesmo linguística, e o primitivismo, ou seja, a busca de uma expressão cultural mais pura, que não era afetada pela civilização e por esse motivo, aceita como a mais autêntica. Essa busca acabava passando por investigações sobre o inconsciente, aproximando a tendência do surrealismo.

Os principais nomes da nascente do modernismo brasileiro foram Menotti Del Picchia, Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Manuel Bandeira e Cassiano Ricardo, na área da literatura. Já na área da pintura, os principais nomes foram Anita Malfatti, Tarsila do Amaral e Emiliano Di Cavalcanti. No campo da música estão Guiomar Novais e Heitor Villa Lobos, na escultura Victor Brecheret.

A contradição desse movimento cultural estava em buscar o rompimento com os modelos estéticos que eram importados da Europa, enquanto o Brasil ingressava no modernismo justamente com base nos padrões ditados pelas vanguardas modernistas europeias, como o futurismo e o surrealismo. Isso deu origem ao principal projeto estético do modernismo dos anos de 1920, o movimento antropofágico. Iniciado com a publicação do manifesto da poesia pau-brasil, de Oswald de Andrade, no ano de 1924, o movimento aceitava a cultura estrangeira da Europa, desde que esta fosse devorada e digerida internamente, isto é, reelaborada, a ponto de poder transformar-se em produto nacional autêntico.

Finalmente, o modernismo ainda deu origem a um movimento radical nacionalista, conhecido como verde-amarelismo, que tendia francamente para o lado da direita xenófoba e tinha como um de seus principais expoentes do futuro líder integralista Plínio Salgado.