Resumo do Segundo Reinado


Transição para o Segundo Reinado

Durante o período de regência do país, a evolução da política acaba por se mostrar uma importante transformação no projeto oligárquico. Isso porque os que defendiam a descentralização da política acabaram por se converter em adeptos da centralização, principalmente os grandes proprietários de terra. Esse fato se deve principalmente à radical mudança nas perspectivas econômicas e políticas dos latifundiários e não apenas aos medos dessa centralização do poder, provocado principalmente por causa das rebeliões existentes na época.

Nos primeiros anos do nosso país, a luta da aristocracia contra a centralização política, significava manter por longe as decisões da elite administrativo-burocrático, composta por portugueses. Esse confronto revelava o controle do país por um grupo que fosse nacional e a busca da manutenção da independência. Mas, em contrapartida, essa centralização da política passava a ser o verdadeiro sinônimo que a oligarquia exercia sobre o controle do país, principalmente as do Nordeste que se encontravam em profunda decadência.

Segundo Reinado

Porém, o avanço da oligarquia em direção ao controle do estado e a profunda decadência da região Nordeste do país, conviviam com uma nova elite que produzia e também exportava uma nova riqueza nacional, o café, que podia ser localizado de maneira geográfica ao redor do Rio de Janeiro.

A figura do negociante, conhecido também como produtores ricos de café, que estavam ligados à Baixada Fluminense, mas moravam na corte, lugar onde seus interesses encontravam-se concentrados, acabou sendo viabilizado a orientação política das elites rumo à centralização e a mudança de perspectivas.

A unidade nacional foi garantida principalmente por causa da junção dos interesses das elites que se encontravam espalhadas por todo o território brasileiro e que contavam com força o suficiente para reprimir tentativas internas de agitação da ordem. Já para os integrantes da elite, era mais vantajoso preservar seus interesses, mantendo a vinculação com o poder centralizado do que se aventurar por alternativas incertas. Por este motivo, a política do império era obrigada a considerar a satisfação final desses interesses.

O Estado nacional e a sua burocracia, juntamente com a existência de interesses comuns entre as camadas da elite de várias regiões do país, a formação cultural relativamente homogênea de seus membros foi reforçada. Podemos dizer que a construção da ordem política dos anos de 1820 a 1840 teve por eixo a exclusão popular, garantia da estrutura escravista e elitista.

Com o fim do período de regencial, a unidade nacional foi garantida, já que havia se consolidado o centralismo da oligarquia. A elite burocrática e agrária, assumiram o controle das estruturas do estado. As estruturas políticas e socioeconômicas do Brasil não sofreram alterações importantes: mantendo-se com o caráter exportador, latifundiário e escravista da economia, preservando-se ainda a exclusão política e social dos pobres e dos escravos.

Economia e Sociedade no Segundo Reinado

O Brasil permaneceu escravocrata até 1888. Porém, após a libertação oficial dos escravos, vícios do regime continuaram existindo, sendo visíveis até hoje. Preconceito racial, desvalorização do trabalho manual e o desrespeito aos trabalhadores são apenas alguns dos traços que foram deixados pela escravidão.

Depois que D. Pedro II pode assumir de vez o trono, ou seja, depois que a sua maioridade foi antecipada, no ano de 1840, iniciou-se o Segundo Reinado, caracterizado como o apogeu da monarquia brasileira. Deu-se então a continuidade da centralização administrativa e política, que havia se iniciado três anos antes, e que pacificou o país, reprimida as revoltas do primeiro império e os novos monitoramentos, fatos que colocavam em risco a ordem monárquica.

Depois da superação das divergências e das disputas, os liberais e os conservadores passaram a integrar o governo elitista de D. Pedro II durante o período chamado de Conciliação, contribuindo para consolidar a ordem imperial oligárquica brasileira.

A presença de maneira hegemônica da produção escravista exportadora, como a produção cafeeira e açucareira, acabou marcando a feição do país durante esse período, mantendo ainda a ordem socioeconômica que foi construída no longo processo de colonização do país.

Mas, ao mesmo tempo, novas forças sociais emergira, principalmente as que nasceram depois da segunda metade do século XIX, durante processo de urbanização e do surto industrial. A borracha e o cacau, que possuíam no mercado externo, um grande valor de comércio, ganharam destaque na produção agrícola do nosso país e assim, mão de obra assalariada, que era composta em sua maioria por imigrantes, foi substituindo de forma lenta e gradual a mão de obra escrava.

A economia tornou-se mais produtiva e racional e foi se desenvolvendo em seu caráter capitalista, modificando os mecanismos de exclusão social. Esse processo fez com que fosse transferido para o Sudeste o eixo econômico do país. Mas, apesar de ainda serem minoria, os indivíduos livres e brancos continuavam a ser excluídos do poder político e da participação da riqueza que era produzida no Brasil.