Resumo da Alta Idade Média


A evolução cultura medieval nos mostra o impacto das condições materiais na produção artística e intelectual do período. Assim a pobreza da Alta Idade Média correspondeu a uma produção cultural mais interiorizada, enquanto o dinamismo da Baixa Idade Média refletiu-se em obras mais exuberantes, embora sempre marcadas pela religiosidade.

Marcada por intensa ruralização, podemos dizer que a Alta Idade Média foi um período no qual o imobilismo dos feudos isolados substituiu a efervescência cultural urbana do mundo romano. Algumas das características dos povos germânicos, como seu modo rústico e a sua simplicidade, passaram a caracterizar, juntamente com as marcas da igreja, a produção medieval cultural.

Alta Idade Média

A Idade Média, também conhecida como Idade das Trevas, recebeu esse nome pelos homens do Renascimento, numa menção que consideravam uma estagnação cultural, explicando dessa maneira o mundo que estava se formando através da visão do mundo moderno. Certamente, a cultura medieval não atingiu o brilho da greco-romana, em grande parte devido às condições materiais em que viviam os europeus. Não apenas possuíam novas preocupações e manifestações atreladas ao mundo feudal que se formava, bem diverso do mundo clássico, como também apresentavam uma cultura singular e diversa.

O monopólio de cultura da igreja, juntamente com a clara religiosidade que acabou por refletir na mentalidade existente na época e nas aeres, que ficou conhecido como teocentrismo cultural.

Na Alta Idade Média, a educação clássica e formal acabou entrando em crise e por isso, ela ficou restrita ao meio clerical. Com o objetivo de garantir que o clero se formasse, a igreja manteve no período merovíngio, escolas episcopais. Carlos Magno incitou que se ensinasse a cultura e o ensino, mas essa ação não continuou depois de sua morte.

Por isso e nesse contexto, é certo dizer que o mais importante filósofo da época medieval foi um religioso que viveu durante o Baixo Império de Roma e que estava preocupado principalmente os ensinamentos cristãos.

Nascido no norte da África, Santo Agostino, um dos doutores da igreja, estudou em Cartago e em Roma, tornando-se o grande e se tornou o grande responsável pela sinopse entre a filosofia em seu modo clássico e o cristianismo. Entre as suas principais obras podemos encontrar Cidade de Deus e Confissões.

Inspirando-se em Platão, Santo Agostinho preocupou-se em conhecer como atingir que a alma se salve e ainda em conhecer ainda a essência do homem. Quanto ao homem, ele o determinava como um ser que era corrompido, já que herdaria o pecado. Contrapondo-se a Deus, perfeito, espiritual, existia ainda o homem imperfeito, que era feito de carne, imortal e impuro.

Assim, a salvação nunca poderia ser conseguida pelo homem, já que este era considerado um pecador, e sim somente e apenas graças à influência de Deus, na medida em que ele abrangia o perdão. Ao homem então, restaria somente a fé em Deus, de forma silenciosa, e por consequência, obedecer ao clero. Segundo Santo Agostinho, o conhecimento total que Deus teria do passado, presente e futuro, o que tornaria o homem um ser predestinado, seja à condenação ou ainda à salvação.

Podemos explicar o pessimismo de Santo Agostinho, através do próprio reflexo de todas as situações e das condições que presenciou na Europa Medieval. Ele convivia com invasões, guerras e ainda testemunhou toda ao declínio do Império Romano.

Assim, a arquitetura refletiu tanto a religiosidade quanto a insegurança presente na Alta Idade Média. Neste período, o estilo que caracterizou foi o romântico e os mais importantes monumentos da arquitetura nesse período foram as igrejas.

O interior das igrejas românticas era muito escuro e bem frio, mas em contrapartida, suas paredes grossas acabavam por criar uma falsa impressão de proteção. Na verdade, tratava-se de edifícios perfeitamente adequados para o homem da Alta Idade Média e sua mentalidade agostiniana.

A escultura e a pintura pouco evoluíram, estando quase sempre servindo a igreja. Assim dentre os poucos ornamentos das catedrais românicas, eventualmente encontravam-se afrescos e esculturas, um tipo de pintura feita em mural. Além disso, os monges copistas tinham o costume de decorar os livros copiados com figuras em miniaturas que eram decorativas.

Vale ressaltar que nos séculos X e V, a literatura não se destacou muito e por isso poucas pessoas se destacavam na arte da leitura. A comunicação escrita era feita através do latim e os indivíduos se comunicavam por variantes vulgares linguísticas, tanto idiomas de origem germânica quanto dialetos do latim.

Durante a Alta Idade Média, podemos dizer que a ciência pouco avançou, mas o mesmo não pode se dizer da teologia. O isolamento, o monopólio cultural que a igreja exercia estava se tornando mais conservadora e a insegurança, acabavam barrando o que o pensamento mais crítico e uma mentalidade voltada para a ciência se desenvolvesse. Essa situação se contrapõe com os avanços adquiridos por bizantinos e por árabes durante o mesmo período, onde destacavam-se medicina, astronomia, física e matemática.