Resumo do Feudalismo – Crise


A partir da Baixa Idade Média, encontramos uma Europa cada vez mais belicosa, ofensiva, buscando a expansão territorial. Inicialmente com as cruzadas, mais tarde com a expansão marítima e a colonização dos pontos da África, da Ásia e de toda a América, os europeus irão encontrar novos povos e submetê-los à sua vontade.

Ao longo dos séculos, os europeus surgem como ‘vencedores’, impondo sua visão de mundo e seus valores a todos os povos com quem entraram em contato, considerando-os como os outros. Neste contexto, a questão religiosa tem especial importância, na medida em que as cruzadas medievais foram estimuladas pela igreja e assumiram a forma de verdadeira guerra santa.

Feudalismo - Crise

O período que vai do século X ao século XV é chamado de Baixa Idade Média, isso porque ele foi extremamente marcado pelo surgimento dos elementos que desencadeariam a decadência do feudalismo.

De fato, a diminuição cada vez mais progressiva do ritmo das invasões, fatos que caracterizavam praticamente toda a Alta Idade Média, ofereceu a contrapartida de condições mais estáveis de vida, o que provocou de maneira mais gradativa e ainda mais significativa, um aumento da população. Por volta do século X, estima-se que os índices de natalidade superassem os de mortalidade em toda a Europa.

A expansão demográfica chocava-se com o imobilismo do sistema feudal, baseado em unidades produtivas auto suficientes. Como cada feudo produzia o bastante para o seu próprio consumo e, devido às limitações técnicas predominantes, não ocorria o aumento de produtividade que era necessário para que a população que estava crescendo cada vez mais se sentisse satisfeita.

Além da insegurança e das guerras, entre diversos outros fatores, a servidão feudal não era a mais forte motivação de inovação tecnológica, já que aumentar a produção não implicava necessariamente em participar dos frutos. Na estrutura feudal o aumento de toda a produtividade quase sempre significava um acréscimo na tributação, o que acabava inibindo o emprenho por toda uma produtividade maior. Finalmente, o próprio isolamento de cada feudo fazia com que eventuais progressos técnicos tivesse maior dificuldade de transpor sua própria região.

Alguns setores artesanais, no entanto, sustentaram-se e acabaram por se desenvolver no período, trabalhando para o alto clero e a nobreza: construtores, pintores e ouvires que trabalhavam na edificação de catedrais e castelos, os armeiros, que serviam aos nobres guerreiros e muitos outros.

Podemos afirmar que o trabalho dos servos nos campos, é o que garantia a sobrevivência dos indivíduos privilegiados, ou seja, aqueles que faziam parte do alto claro e da nobreza.

Algumas inovações técnicas aplicadas aos trabalhos agrícolas, ainda assim, foram observadas no período, como a utilização dos arados de ferro no lugar de os feitos de madeira, mais fracos e por isso, também menos eficientes, e o aperfeiçoamento de moinhos hidráulicos. Buscou-se ainda expandir as terras cultivadas com o aterramento de pântanos e derrubada de florestas. A população, no entanto, continuava a crescer em ritmo mais acelerado que o da produção.

A marginalização social atingiu não apenas os servos, como também atingiu os senhores. Nobres sem terra, vítimas do direito de primogenitura, que dava apenas ao filho mais velho as terras e os títulos paternos, vagavam pela Europa, como cavaleiros andantes. Ofereciam seus préstimos militares a outros senhores em troca de terras ou de rendas, derivadas de cobrança de pedágios em estradas e pontes, por exemplo. Quando os servos eram encontrados, eram perseguidos pelos nobres, que não os admitiam em suas terras saturadas.

O expansionismo na Baixa Idade Média tinha como princípios: propagação do cristianismo, dirigiam-se para o Oriente, para a atual Rússia, subjugando a região báltica; a reconquista cristã dos territórios tomados pelos árabes na península Ibérica; e o movimento cruzadista, que contou com a participação de inúmeros cavaleiros de toda a Europa. Era a conquista de novas terras e riquezas para fazer frente ai quadro de dificuldades que marcava os primeiros séculos da Baixa Idade Média.

Podemos dizer que foi somente com a busca de um cenário com novos mercados de consumo e de produção é que poderia amenizar a crise vivida. Assim, no século XV e no século XVI, desenvolveu-se a expansão marítima e comercial