Autores parnasianos


Olavo Brás Martins dos Guimarães Bilac, mais conhecido como Olavo Bilac, foi batizado sob um nome que se apresentava como um verso alexandrino, com 12 silabas métricas. Nasceu no dia 6 de dezembro do ano de 1865 e seu pai era um médico0cirurgião do exército que penso em torna-lo herdeiro de sua clínica e de todo o seu prestígio.

Aos 15 anos, aluno aplicado, conseguiu autorização especial para cursar Medicina. Mas, suas leituras de Júlio Verne e seu trabalho na Gazeta Acadêmica. No quinto ano de Medicina, abandonou o curso em meio a uma confusa história de necrofilia que envolvera o poeta.

Tenta concluir o curso de Direito, em São Paulo, mas também não a concluiu. Então, passou a frequentar as rodas de intelectuais no Rio de Janeiro. A partir daí, tornou-se famoso, dado ao fato de que, pela tradição familiar, estar constantemente junto às autoridades mais representativas de seu tempo. Favorecido, torna-se inspetor escolar. Ajuda a fundar a Academia Brasileira de Letras.

parnasianos

Olavo Bilac não se casou e nem teve filhos. Mas escreveu livros escolares, liderou a campanha pelo serviço militar obrigatório, pela vacina obrigatória, pela entrada do Brasil na primeira guerra. Eleito como Príncipe dos Poetas Brasileiros em 1907, tinha uma legião imensa de leitores. É o autor do Hino à Bandeira, mas também deixou crônicas, poemas infantis, conferências literárias e uma respeitável coletânea de composições parnasianas ou neo-românticas.

Olavo Bilac estreou em 1888 e seu livro Poesias foi largamente saudado por Raimundo Correia e Alberto de Oliveira; mais tarde, os três formariam o trio parnasiano mais importante. O livro continha, à guisa de introdução em versos, o poema Profissão de fé, tido pelos críticos como espécie de manifesto parnasiano, contendo palavras de ordem inesquecíveis para que um poeta se realizasse dentro daquela estética.

Suas três partes são assim divididas:

A. Panóplias: parte mais radicalmente parnasiana, contém poemas descritivos, superficialidade e ornamentalismo. Nela, aparecem ainda, os temas históricos ou mitológicos, como por exemplo no poema Incêndio em Roma.

B. Via Láctea: o livro é composto por 35 poemas que têm como temas principais lirismo-amoroso, fato que propiciou um espantoso sucesso junto ao público leitor. São poemas em que aparecem postura platônica, espiritualizada: a mulher é inacessível. Por gerações seguidas, poemas como o Soneto X foram exaustivamente declamados, considerados símbolos de bom gosto, o que nem sempre é verdade.

C. Sarças de fogo: levado em consideração que poucos poetas conseguem envolver o leitor como Olavo Bilac, é preciso observar que esta parte do livro Poesias consegue ser, no mínimo, arrebatadora em seu jogo bem feito de palavras: são poemas eróticos, cuja a temática é o amor físico. Mas é preciso considerar que tal erotismo é basicamente retórico, ou seja, de efeito. Há no livro, figuras consagradas da Antiguidade clássica: Messalina e Frinéia são os exemplos mais conhecidos.

O tom épico do poeta

O caçador de esmeraldas é um esbanjamento patriótico e ufanista, mas de rara beleza criativa. O poema é épico, ou seja, louva o herói bandeirante Fernão Dias Paes Leme, que é o caçador de esmeraldas, sendo portanto dividido em quatro partes. Os versos alexandrinos, o tom grandiloquente e, pois, declamatório; o vocabulário escolhido a dedo, tocam fundamente os apreciadores do gênero.

Tarde, publicado em 1919, o último livro do poeta, é livro póstumo, lançado após um ano de sua morte. Traz poesia menos estruturada no rigor formal e sem os arrebatamentos românticos contidos em Alma Inquieta e Viagens. A linguagem é mais simples, alcança o reflexivo de tom filosofante. Quase que impressionista em alguns trechos, Olavo Bilac tenta captar através da descrição ou do descritivismo, as tonalidades e contornos do que é passageiro.

Quanto ao gênero literário ao qual pertence, conhecido como Parnasianismo, podemos dizer que Olavo Brás Martins dos Guimarães Bilac, mais conhecido apenas como Olavo Bilac, é um dos mais conhecidos poetas de toda essa época e do gênero literário. Mas, embora ele tenha sido eleito o Príncipe dos Poetas Brasileiros, não é considerado o mais importante parnasiano existente. O mais característico deles é Alberto de Oliveira que até a sua morte, se manteve, sem dúvida alguma, fiel e atento aos princípios parnasianos.

No entanto, não é certo dizer que essa escola literária a qual chamamos de parnasianismo corresponde a uma vertente totalmente poética do que conhecemos como Realismo, que no Brasil, se deu apenas nas prosas. A impassibilidade, o descritivismo, o desinteresse pelos temas urgentes, a busca pela perfeição formal através do soneto de versos decassílabos ou alexandrinos são as marcas mais importantes desta escola.

Vale ressaltar que no Brasil, essa escola literária, o Parnasianismo apareceu na mesma época que o realismo e também o naturalismo. No entanto, é preciso levar em consideração que sua produção não deve ser compreendida como sendo uma vertente poética do realismo, embora esta seja declaradamente descritivista.