Simbolismo


Simbolismo

Os movimentos artísticos, através dos séculos, produziram uma disputa quase sistemática entre formalidade e liberdade estética, entre sobriedade e extravagância poética, entre a abstração e a realidade, entre a ausência crítica e a crítica social.

Esse embate está presente no final do século XIX. O movimento simbolista surgiu em meio a um ambiente ainda impregnado pela herança do romantismo, ao mesmo tempo em que se fortaleciam os movimentos realista e naturalista. O ponto de encontro entre o romantismo e as demais correntes da época é o envolvimento da arte com a crista social.

No Brasil, por exemplo, os temas regionais e urbanos ganham força, assim como o antropocentrismo voltado para a exploração da psique e do comportamento.

O simbolismo como contraponto

Em época de avanço industrial e extinção das monarquias ocidentais, pensar em um movimento artístico cuja temática se volta para questões místicas, subjetivas e imaginárias pode parecer extravagante.

Não era para os simbolistas, que romperam com as tendências da época, voltando a se ocupar mais da forma do que da temática, mais do efeito que da transformação.

O movimento artístico substitui a lógica e a razão pela abstração e pela intuição. Substitui o caráter social por uma abordagem individualista, onde o “eu” migra para o centro da narrativa. Na poesia, a musicalidade ocupa posição central na construção estética, assim como o rigor da métrica e da rima.

Na literatura, destacaram-se nomes como Paul Verlaine, Arthur Rimbaund, Charles Baudelaire, autor de “As flores do mal” (1857), considerado o grande marco do movimento simbolista literário, Camilo Pessanha, Eugênio de Castro e Stéphane Mallarmé.

Nas artes plásticas, destacaram-se nomes como Ferdinand Hodler, Paul Gaugin, Gustave Moreau, Alphonse Osbert, e outros.

No Brasil, o movimento simbolista ganhou adesão na poesia de Cruz e Souza e Alphonsus de Guimarães. Há quem atribua a Augusto dos Anjos a condição de poeta simbolista, mas é mais provável que esse autor seja melhor enquadrado como caso único, com sua estética impressionista, sua temática pessimista e linguagem única.