Resumo do Trovadorismo


Trovadorismo é o nome que se dá à primeira época da literatura portuguesa. Iniciou-se no ano de 1189. O alvorecer da literatura portuguesa deu-se em pleno Feudalismo, estrutura social dominante na Europa entre os séculos XI e XV. A sociedade feudal articulava-se num princípio de obrigações recíprocas entre os suseranos; proprietários de terras, senhores com grande autoridade; e vassalos; os sevos, que trabalhavam nas terras dos senhores feudais. Abaixo do rei e do clero – a nobreza, no topo da escola social -, poucos detinham posses de terras.

Trovadorismo

A grande nobreza, composta por duques, marqueses e condes, tinham o direito de conceder feudos a outros nobres, ou seja, para a pequena nobreza, formada por barões, viscondes e cavaleiros. Um grande número de dependentes e de explorados, os vilões e os servos, subordinavam-se a uma série de obrigações para com os senhores.

O Trovadorismo tem inspiração provençal. Isso porque a Provença, região situada ao sul da França, veio a nova moda poética, que consistia em compor poemas para serzem cantadas. O trovador, também chamado de poeta, compunha a letra e a música, e o jogral, acompanhado de uma flauta, alaúde, lira ou harpa, incumbia-se de exibi-las. Eram, geralmente, cantigas líricas em que o sentimento amoroso predominava.

Pode-se dizer que a Cantiga da Ribeirinha, também conhecida como Cantiga de Guarvaia, é o mais antigo documento da literatura portuguesa. Os trovadores cultivaram dois tipos de cantigas lírico-amorosas: a cantiga de amor e a cantiga de amigo, as chamadas cantigas líricas, que ressaltam os sentimentos, sobretudo os amorosos. Os trovadores faziam as cantigas para animar a vida dos feudos.

Ainda nas cantigas de amor, o trovador se dirige à dama a quem adora com vassalagem amorosa, por isso sempre refere-se a ela como ‘mia dona’ ou ‘mia senhor’. Vale ressaltar que este tipo de cantiga é altamente respeitosa e enaltece as qualidades da mulher amada. Um amor cortês, subserviente, numa relação muito semelhante à do servo feudal e de seu senhor.

Já nas cantigas de amigo, o trovador imaginava como seriam as emoções do eu-lírico feminino em suas relações amorosas. Quase sempre a mulher que fala é uma mulher do povo, que lamenta e chora a ausência do seu amado, que a abandonou para lutar como cavaleiro ou até mesmo por outra mulher. Além disso, as cantigas de amigo são mais espontâneas do que as de amor; os sentimentos aparecem mais declarados, onde o amado surge com o tratamento de ‘meu amigo’.

A linguagem deste tipo de cantiga é menos elaborada que a das cantigas de amor, já que possuem caráter poético e são cacacterizadas pela presença do refrão e, conforme os assuntos a que se referem.

Há também as cantigas de escárnio e de maldizer, cantigas satíricas que sempre zombam de alguém, seja uma pessoa decadente, alguém que passou por um problema ou ainda uma mulher namoradeira. Mas, vale salientar que essa diferença não é sempre tão clara.

Todas as cantigas, de amor, de amigo, de escárnio e de maldizer, foram agrupadas em cancioneiros, ou seja, coletâneas, onde destacam-se três delas, sendo:

Cancioneiro da Biblioteca Nacional: também conhecida como Collocci-Brancuti, numa evidente homenagem aos seus donos anteriores. É rica em conteúdo, sendo 1647 cantigas de todos os tipos, incluindo a obra de d. Dinis e seus filhos.

Cancioneiro da Vaticana: inclui todos os tipos de cantigas e misturam-se todos os gêneros: amigo, amor, escárnio e maldizer. Chama-se Vaticana porque foi encontrado na Biblioteca do Vaticano, em Roma.