Resumo Quinhentismo


Ao longo do século XVI, período que se convencionou chamar de Quinhentismo, foram produzidos na colônia, texto que visavam fornecer à Metrópole o perfil da nova descoberta, sendo o primeiro deles a ‘Carta de Pero Vaz de Caminha a el-rei D. Manuel. Esses textos eram na verdade, tratados, relatórios, diários, histórias ou ainda discussões de problemas de catequização criados pelos portugueses que aqui aportaram e se estabeleceram.

É de conhecimento de todos que as frotas navegadoras portuguesas tinham como costume levar com elas, a serviço do capitão-mor, nomeados oficialmente por ato real, os chamados escrivães, também conhecidos como cronistas de viagem. Nenhuma missão que se prezasse sairia para navegar sem que houvesse esses funcionários a bordo para serviço. Esses cidadãos, gozavam de um grande crédito e prestígio nessa espoca, já que sabiam ler e escrever, narrar os prodígios das conquistas, conseguiam detalhar ao rei e à corte o que os navegadores encontravam e do que tomavam posse em nome do reino.

Quinhentismo

Todos os países navegadores têm uma rica literatura de descobertas. Algumas, sem estilo, são um mero registro de uma época de conquistas de terras, já outras, vivas e palpitantes, são tidas até hoje como uma reinvenção da realidade e por isso, da boa literatura.

É impossível falar do Quinhentismo, sem contextualizar o século XVI, que foi bastante significativo para as navegações portuguesas.

A nova terra era peculiaríssima e os colonizadores tiveram de adaptar-se a tudo. Isso porque tudo era diferente, desde as condições climáticas até os costumes e as linguagens dos indígenas. Os comportamentos dos nativos, como a poligamia e o canibalismo, eram impensáveis na visão cristã medieval dos colonizadores. Tinham por missão evangelizar os gentios, mesmo que, para isso, tivessem que aprender a língua tupi, o que de fato acabou acontecendo com os jesuítas.

Nos primeiros textos produzidos sobre a terra descoberta pode-se perceber a admiração do europeu, maravilhado com o selvagem, seus hábitos de vida e com a natureza da nova terra. Muitos desses escritos buscavam atrair os lusitanos para riquezas da terra e, evidentemente para consolidar o povoamento.

Estar obras podem ser consideradas de valor documental. Constituem a primeira e única visão da terra virgem, intocada pela civilização estranha que começaria a desfigura-la e a destruí-la de imediato.

Existem três vertentes que caracterizam o período do Quinhentismo no Brasil: a literatura informativa, a literatura de viagens e a literatura catequética ou jesuítica.

Considera-se literatura informativa toda a produção que tem origem oficial e que vise contar os prodígios e acontecimentos das terras descobertas. Ou seja, a Carta de Pero Vaz de Caminha possui este caráter, já que foi escrita sob encomenda para o rei d. Manuel, o Venturoso, que recebeu-a do escrivão-mor de sua armada, o qual lhe relatava o que vira em pouco menos de dez duas neste nosso país.

Pode-se afirmar ainda que esta carta é a certidão de nascimento de nossa literatura. Seu relato fiel às circunstâncias aproxima-se da crônica. O contato direto com os índios e seus costumes e com a situação dos colonizadores frente aos primitivos são os elementos que mais se ressaltam neste primeiro documento da literatura brasileira.

A literatura de viagens tem objetivo diferente e contrário ao da literatura informativa. Não tem caráter oficial, por assim dizer. Isso porque os chamados viajantes eram pessoas que, com informações razoáveis e alfabetizadas, viajavam pelos países recém-descobertos à procura de aspectos exóticos, criaturas ímpares e criaturas desconhecidas. Após escrever tal literatura, copiavam seus ‘cadernos livros de viagens’, geralmente à mão e vendiam tais cópias nas cortes europeias.

Em outras palavras, pode-se dizer que a literatura de viagens é para despertar a curiosidade, para se fazer vender, dar lucros a quem se aventurasse pelas terras recém-descobertas em busca de coisas exóticas. Algumas produções são voltadas para o caráter propagandístico. Durante o domínio da Espanha, era comum esse tipo de literatura visava trazer ao Brasil imigrantes portugueses descrevendo a eles a abundância da terra e as oportunidades comerciais que nela se apresentavam. Uma maneira de resguardar os direitos dos portugueses nas terras brasileiras.

Já a chamada literatura catequética ou jesuítica, ficou também conhecida como moralista ou doutrinária, onde de um lado havia a pretensão de cristianizar os indígenas, expandir a fé católica e por outro, moralizar os costumes dos colonos portugueses, não deixando que perdessem seus parâmetros religiosos. Os jesuítas possuíam o monopólio da educação, não só no Brasil, mas em todo o mundo português colonizado. Portanto, a literatura que produziam era, de caráter pedagógico e doutrinário.

Entre todos os jesuítas, destaca-se José de Anchieta, denominado O apóstolo do Brasil. Ele foi fundador do Colégio de Piratininga e escreveu inúmeras obras para ensinar e catequizar, além da preocupação de produzir material especifico para auxiliar seus colegas jesuítas na educação e na catequese.