Simbolismo


O Simbolismo é uma escola especial, mediadora dos conceitos convencionais da literatura e da modernidade que se instala, experimentadora, no final do século XIX, por meio da reinvenção de palavras. Mallarmé, na França por exemplo, é um desses inovadores.

Embora ocorra na mesma época em que se instala o Parnasianismo, a experiência simbolista é muito mais sensível e delicada, embora tenta, com aquela escola, uma coisa em comum: é alienada do contexto histórico-cultural em que se insere. Utilizando-se sobretudo da musicalidade, das sinestesias e das sugestões profundas, eis que o Simbolismo traz à tona um jeito novo de ser com as palavras.

No Brasil, ele aparece com Cruz e Sousa, o poeta negro de Florianópolis, em Santa Catarina, que teve como preferência os temas do branco, sugerindo as mulheres claras, lunares; em Portugal, o Simbolismo aparece com Oaristos, pelas mãos de Eugênio de Castro. As reticências, os cruzamentos de sugestões dos órgãos dos sentidos, as maiúsculas alegorizantes, os cromatismos e a musicalidade são suas maiores armas.

Simbolismo

O Simbolismo apareceu primeiramente na França e deu à luz a nomes ilustres e transformadores como Mallarmé , Baudelaire (autor da Teoria das correspondências: a todos os sentidos físicos correspondia um sentimento, uma aproximação com o universo metafísico; para tanto, usou sinestesias), Paul Verlaine (a musicalidade) e Rimbaud (quem antecipou modernidade com sua famosa alquimia do verbo e alucinações sensoriais).

Tais poetas, embora experimentadores, foram muitas vezes chamados de decadentes, termo muito usado às manifestações aparecidas naquele país entre as décadas de 80 e de 90.

A partir de 1886, após Jean Moréas ter publicado um manifesto sobre o novo tipo de literatura que então nascia, começou-se a usar a palavra simbolismo, para designar esta estética que exalta o gosto pelo hermético, pelo oculto, pelo místico, pela sugestão, pela musicalidade e pela sinestesia.

Se, por um lado, o Parnasianismo pode ser entendido como gosto, ainda que duvidoso, pelo esteticismo, da arte pela arte e do descritivismo, a negação do sentimentalismo romântico, seria importante entender o simbolismo como uma busca para fugir a esse racionalismo na poesia e agasalhar dentro de si as noções desprezadas pelos parnasianos: o individualismo, a emoção, a redescoberta das sensações.

Características do Simbolismo

As principais características simbolistas são:

A. O Simbolismo deve ser sempre observado como uma certa forma de continuidade do Romantismo, ou, se preferirmos, uma certa radicalização das características dessa escola, por priorizar o individualismo, o subjetivismo e o universo que, sobretudo, ressalta a liberdade do ser de criar a partir de suas próprias sensações.

B. Para os poetas simbolistas, a sugestão e não a nomeação dos fatos, seres e acontecimentos é característica daquilo que querem traduzir do mundo intangível.

C. Musicalidade: as assonâncias e aliterações, as onomatopeias são largamente utilizadas.

D. Cromatismos: os simbolistas usavam largamente as cores para sugerir aspectos ou cumprir metáforas.

E. Conflito do eu versus mundo e a negação absoluta do Materialismo, do Cientificismo, do Experimentalismo, do Positivismo. O Naturalismo, por exemplo, é abominado pelos simbolistas que, acusados de nefetibatas, cabeça nas nuvens, pretendem distanciamento da denúncia social.

F. Admissão de que toda criação poética é fruto exclusivo de associações inconscientes, imagens e ideias, da intuição que permeia o mundo material e o transcendente.

G. Uso frequente de tons vagos, imprecisões; daí dizer-se que a poesia simbolista é ilógica, obscura, de caráter hermético (fechada à compreensão).

H. Misticismo, que é decorrência do hermetismo: fuga do que é terreno e, portanto, valorização do que pertence à alma, espírito, ao desconhecido.

I. Uso de maiúsculas alegorizantes, símbolos metafóricos como vida, morte, destino, amor.

J. Uso reiterado de reticências a fim de sugerir ou suspender o pensamento incompleto.

K. Distanciamento das questões mundanas, descompromisso acentuado com o social.

L. Linguagem de fluxo interior, imagens que se associam inesperadamente.

M. Desprezo pela organização sintática, das orações, posto haver maior interesse no fluxo do inconsciente.

N. Preferência pelo soneto, pelo culto da rima, pelo ritmo, pela forma: daí muitos teóricos aproximarem tais características com a preocupação parnasiana.

O. Uso de temas religiosos

P. Exclamações, sequencia enumerativa, gradações.

Q. Palavras fora de uso são trazidas de novo para o vocabulário simbolista, são chamadas esdrúxulas ou arcaicas.

Simbolismo em Portugal e no Brasil

O início do Simbolismo português está certamente ligado à publicação de duas revistas acadêmicas em 1889. Os insubmissos e Boêmia Nova, mas é em 1890 que Eugênio de Castro publica Oaristos, cujo prefácio, espécie de plataforma do Simbolismo em Portugal, revolucionário e diferente, causa estranheza e escândalo.

Dois livros do mesmo autor marcam o início do Simbolismo no Brasil: Missal (poemas em prosa) e Broqueis (poesias), em 1893, ambos do poeta negro Cruz e Sousa.

Nascido de um núcleo constituído por Cruz e Sousa, Oscar Rosas, Bernardino Lopes e Emiliano Perneta no Jornal a Folha Popular, no Rio de Janeiro, no início da década de 90, o Simbolismo no Brasil, concorreu em prestígio com o Parnasianismo e, apesar de ser muito superior a tal escola literária, não teve o concorrido apoio dos leitores devotados que os parnasianos tinham.