Desvalorização Financeira


Podemos definir mercadoria como sendo a célula do sistema capitalista. Elas são necessárias a vida humana, em um lugar e em um momento histórico determinado. Para que se converta em mercadoria será necessário possuir também valor de troca. Mercadoria, portanto, é algo útil que foi produzido ou apropriado para ser vendido. Possui valor de uso e valor de troca, o quanto vale para quem não a possui.

O sistema capitalista

Em uma sociedade que está baseada na produção de mercadorias, todas as atividades acabam sendo determinadas através do interesse pelo lucro e os próprios homens passam a sofrer mediante um processo que podemos chamar de retificação. Um homem passa a valer pelo que pode ou não pode adquirir. Só posso ser se tenho e na proporção em que tenho.

Desvalorização

O homem acaba se tornando até certo ponto ‘coisa’. E as coisas parecem ao mesmo tempo adquirir ou assumir feições humanas. Tal fenômeno chamado por Karl Marx de fetichismo de mercadoria, pode ser exemplificado no que entendemos por juros. Segundo o ditado popular, ‘dinheiro faz dinheiro’, o que parece verdadeiro em um primeiro momento. Mas na verdade, tal ideia corresponde a uma mistificação. Juros é o dinheiro cobrado pelo empréstimo de uma certa quantia a alguém. Quem tem dinheiro empresta a quem não tem, e cobra por isso.

Quando se está sobrando dinheiro no mercado, ou em outras palavras, se o número de emprestadores é significativo, estes acabam disputando entre si, tornando o valor do dinheiro bem mais baixo. Se contrariamente, pouca gente está em condições de fazer empréstimos, o valor do dinheiro será bem mais elevado. Portanto, não é o dinheiro que faz dinheiro; o que produz juros é uma determinada divisão da sociedade entre os proprietários e os não proprietários da riqueza. Os que possuem a riqueza podem ganhar mais dinheiro emprestando para aqueles que precisam sobreviver enquanto indivíduos ou empresários, e exatamente por isso necessitam de empréstimos. Uma determinada relação entre seres humanos parece ocorrer como relação entre coisas. Não é o endinheirado que se serve das condições históricas do momento para, por meio dos empréstimos, enriquecer mais ainda. Mas é o dinheiro que gera dinheiro, como se plantando dinheiro obtivéssemos árvores cheias dele. Uma determinada relação social de exploração se esconde por trás das coisas.

A produção voltada para a venda, com tecnologia cada vez mais desenvolvida, gerando riquezas apenas para alguns em detrimento da maioria, acaba produzindo, de tempo em tempo, um certo desequilíbrio entre oferta e demanda. O capitalista produz para vender e assim obter lucro.

A moeda padrão

Todos os países do mundo possuem uma moeda padrão, que acaba caracterizando o poder de compra de um país e de toda a sua sociedade. O poder de compra de um país se dá depois que é situado os índices de inflação, levando em conta a queda de preços ou o aumento deles em produtos.

Enquanto a deflação se caracteriza por um aumento do poder de compra de dinheiro, a inflação diminui o poder de compra de uma moeda, agindo então de maneira negativa. Todos os países possuem órgãos que tem a função de determinar esses índices. No Brasil, por exemplo existe o Instituto Brasileiro de Geografia e de Estatística, o IBGE, e a Fundação Getúlio Vargas, a FGV.

Através dos Índices Gerais de Preços do Mercado, o governo consegue criar mecanismos com o objetivo de fiscalizar alguns aumentos que possam ser considerados abusivos. Entre a década de 80 e 90, o nosso país sofreu com a alta inflação. Os preços dos produtos subiam de forma exponencial, fazendo assim com que fossem gerados índices inflacionários bem altos. Apesar de terem sido adotadas diversas medidas econômicas, mas elas não conseguiam acabar com a desvalorização da moeda. Só com a criação do plano real foi que a inflação passou a ser controlada. Mas, você sabe como que a inflação acaba agindo na desvalorização financeira de uma moeda?

Para ilustrar esse fato, imagine a seguinte situação de desvalorização financeira causada por inflação. Um certo produto custa inicialmente apenas R$ 10,00. Mas, ao passar por um reajuste, o salário de um trabalhador é de R$ 1000,00, sendo portanto possível comprar 100 produtos. Então a redução de compra com base no salário será de 10,2%. Isso significa dizer, que o poder para compra com o salário recebido sofreu uma desvalorização financeira de 10,2%.

Depois que o salário foi reajustado, houve uma inflação de 5% e de 6% sucessivamente. Dessa maneira, o produto passou a custas R$ 11,13, mas o salário continua a ser o mesmo. Assim, o número de produtos que poderá ser comprado é de aproximadamente 89,4.

Se por outro lado, a inflação chegar a 100%, pensamos de maneira quase que imediata, que nosso salário perderia o valor. No entanto, não é isso que acontece. O que ocorre na verdade, é que o nosso poder de compra acaba sendo reduzido para 50%.