Gandhi


Mohandas Karamchand Ghandi nasceu na cidade indiana de Bombaim em 1869 e morreu em 1948, assassinado por um extremista hindu, sendo chamado Mahatma Gandhi. Mahatma, em sânscrito, língua falada no Norte da Índia, significa “grande alma”.

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Ironicamente, Mahatma Gandhi, como é conhecido até hoje, morreu pelas mãos de um seguidor do hinduísmo depois de ter dedicado parte da sua vida a tentar promover a paz entre hindus e muçulmanos, duas vertentes religiosas que viviam em conflito em seu país natal.

Mais que um líder espiritual com atuação política – tendo sido um dos grandes responsáveis pela independência política e econômica da Índia, que viveu durante cerca de trezentos anos sob o domínio inglês – este advogado, graduado em Londres, na Inglaterra, foi um grande pensador do seu tempo, servindo até hoje de inspiração para pacifistas de todo o mundo.

Gandhi escreveu seu nome entre os grandes personagens da história da humanidade, graças à sua atuação em defesa dos direitos, da conciliação e da paz. Viveu na África do Sul entre 1893 e 1914, onde lutou pelos direitos da minoria hindu que vivia no país africano. Retornou à Índia em 1914, quando iniciou sua cruzada para promover a paz entre muçulmanos e hindus.

Assumiu a missão de libertar a Índia do jugo inglês, com a criação de um estado autônomo indiano. Foi preso por diversas vezes pelos britânicos. Sua forma de luta é o que define o Gandhi como personagem histórico, inspirando líderes que vieram depois. Gandhi pregou e comandou formas de luta pacíficas, como greves, protestos, passeatas, jejuns e retiros espirituais.

A Índia de Gandhi

Gandhi nasceu na Índia, sob domínio inglês, na segunda metade do século XIX, na fase de maior presença britânica no território, entre a Revolta dos Cipaios, movimento que tentou libertar a Índia dos colonizadores, sufocado em 1858, e a proclamação da rainha Vitória, em 1876, imperatriz da Índia, transformando o povo indiano em súditos da rainha.

Em grande parte a Índia de Gandhi, e posterior a ele, é produto do encontro de um povo medieval, marcado por contrastes culturais e religiosos, que alimentavam os conflitos regionais, e regimes feudais, que lembravam a própria configuração da Europa na Idade Média, com os exploradores europeus.

Os europeus começaram a chegar à Índia no século XVI. Chegaram primeiro os portugueses, que se instalaram ao longo da costa de Malabar, seguidos por franceses, holandeses e britânicos. Esses povos europeus, no início, exploravam o comércio das chamadas “especiarias“, particularmente a seda e o algodão, produtos muito requisitados na Europa.

No início do século XVII, chegaram os primeiros navios ingleses à Índia. Em 1756, um nababo da província de Bengala tomou uma feitoria britânica em Calcutá, causou grande prejuízo aos comerciantes britânicos e fez dezenas de prisioneiros, mantidos em condições precárias e insalubres. Esse episódio marcou o primeiro episódio de recrudescimento da presença britânica, cujas tropas invadiram o território indiano, estabelecendo total e absoluto domínio do mesmo já na segunda metade do século XIX.

A ida de Gandhi para a Inglaterra é produto dessa ocupação inglesa, que, ao mesmo tempo, levou à Índia a ruína econômica e lançou as bases para o surgimento de um país mais moderno após a Independência, proclamada em 1947, que, na ocasião, acabou se dividindo entre Índia e Paquistão, consequência da divisão cultural e religiosa de um conglomerado de povos, que não configuravam uma identidade nacional.

Enquanto o domínio inglês, já durante a Revolução Industrial, levou à falência as tecelagens indianas, lançando grande parte do povo na miséria, além dos abusos cometidos pelas autoridades britânicas contra a população local, por outro lado, realizou benfeitorias e desenvolveu o território indiano, criando estradas, ferrovias e serviço de telégrafo. Além disso, a coroa britânica combateu práticas primitivas e violentas entre os habitantes locais, fundando universidades e originando uma elite instruída e letrada no país.

A Independência e o pensamento de Gandhi

É bem verdade que o período que antecedeu a independência da Índia foi marcado pela segunda grande guerra, que sujeitou a Inglaterra a enormes baixas e prejuízos, fragilizando seu controle sobre as antigas colônias, entre elas a Índia.

Mahatma Gandhi era, então, líder do Partido do Congresso, composto por hindus, e comandava uma sublevação diferente, conduzida à base da renúncia à violência e da desobediência civil. A tática era o boicote aos produtos ingleses, a desobediência às leis inglesas, as greves de fome e os esforços para unir na luta por hindus e muçulmanos.

Após a independência, em 1947, não conseguiu manter os povos unidos. Além do Paquistão, a independência acabou originando o Sri Lanka, sendo que os conflitos com o Paquistão se arrastaram ainda por anos, sobretudo em função da província da Caxemira, disputada pelos dois países.

Gandhi deixou como maior legado para a humanidade, além do pacifismo como instrumento de luta, o seu pensamento. Acreditava que todo desejo profundo e sincero do coração era sempre realizado, que a verdadeira força reside na consciência das próprias limitações, que a fé em Deus, traduzida como verdade, é o que produz a paz interior, que o dever do homem é viver a verdade na medida que a percebe, já que não lhe é dado conhecer toda a verdade, e que o silêncio é a base da disciplina espiritual.