Resumo Donatello


Donato di Niccoló di Betto Bardi foi um escultor renascentista italiano nascido em 1386 e morto em 1466. Filho do tecelão Nicolo di Betto Bardi, ele nasceu e morreu em Florença. Recebeu educação patrocinada pela família Martelli e desenvolveu suas primeiras habilidades como escultor a partir dos ensinamentos aprendidos numa oficina de ourivesaria. Ampliou seus conhecimentos durante curta passagem pela oficina de Lorenzo Ghiberti antes de estudar arquitetura em Roma no início do século XV. Naquela cidade, desenvolveu sua percepção arquitetônica a partir do estudo do Panteão e da arquitetura de diversas construções romanas.

Resumo Donatello

“O Renascimento”

Donatello desenvolveu seu trabalho artístico no período conhecido como Renascença, ou Renascimento, marcado pelo rompimento gradual com as tradições medievais e retorno aos postulados do período clássico, das civilizações da antiguidade, particularmente à herança greco-romana.

Todo esse processo histórico se desenvolve no continente europeu em um período que compreende do início do século XIV a meados do século XVII. A Idade Média foi um período, epistemologicamente falando, dominado pela concentração do conhecimento, basicamente restrito às altas hierarquias da Igreja Católica.

A Igreja construiu seu poder a partir da dominação conceitual do pensamento, condicionando a percepção de mundo, do homem, da vida e da sociedade a um conjunto de dogmas. A limitação imposta ao pensamento e à iniciativa filosófica, bem como as estruturas políticas medievais fizeram com que aquele período ficasse conhecido como “Idade das Trevas”.

É essa a razão pela qual a Renascença, banhada pelos ideais iluministas, é reconhecida como um dos mais profícuos períodos da história da humanidade, em que princípios caros às civilizações antigas mais avançadas, particularmente as que fazem parte do período clássico, são resgatados.

O esplendor do Renascimento está ligado à ruptura com as estruturas medievais, como consequência da busca pela inversão radical dos valores que, de certo modo, impuseram uma estagnação ao processo criativo, político, econômico e científico da sociedade. O Renascimento resgata princípios como a racionalidade, o humanismo, a liberdade temática das artes e o rigor científico.

O Iluminismo, do ponto de vista ideológico, prega liberdade, igualdade e fraternidade, ainda que esses postulados não tenham se traduzido na realidade prática, mas abriram caminhos para a evolução da humanidade enquanto sociedade mais justa através do tempo.

Do ponto de vista político e econômico, é a ascensão da burguesia ao papel de classe dominante, em uma aliança com as monarquias, que pôs fim ao poder dos senhores feudais, nobres a quem sorrira o “direito divino” e a propriedade de grandes extensões territoriais.

Não quer dizer que na arte a Idade Média não tenha sido pródiga em produzir grandes obras, não obstante fossem as mesmas dominadas pela temática religiosa, que integrou a arquitetura, a pintura, a escrita e a escultura, oferecendo ao mundo nome como Santo Agostinho, São Tomás de Aquino, Boccaccio, Dante Aliguieri, Andre Tafi, Barna de Siena, Jacopo Bellini, Duccio, di Paolo, Jean Fouquet e tantos outros.

A arte de Donatello

A atividade artística de Donatello possui traços desse período medieval, não só na temática como na herança técnica. Os temas religiosos estão presentes em toda a sua obra. Talvez o marco inicial de sua obra deva ser considerado a escultura de Davi, esculpida em mármore, como parte da construção do Duomo de Florença.

Pouco depois, apresentou ao mundo duas de suas grandes criações. A estátua de São João Evangelista, marcada também pelos traços clássicos e humanos, evidenciando o caráter renascentista.

Em 1423, Donatello ergueu a escultura de São Ludovico depois de ter feito cinco esculturas para o Duomo, representando figuras de inspiração bíblica: O Profeta Imberbe, O Profeta Barbudo, O Sacrifício de Isaac, O Profeta Jeremians e Profeta Abacuc. Em conjunto com Michelozzo, artista plástico, produziu o Battistero, um monumento fúnebre em homenagem ao Papa João XXII, que consistia na escultura em bronze retratando o papa morto.

Foi o responsável pela criação do Tabernáculo do Sacramento para a Basílica de São Pedro. Para a Igreja de São Lourenço, esculpiu Cosme e Damião, Mártires, Apóstolo e Doutores da Igreja. O realismo e o expressionismo se fizeram notar em obras como Madalena e Judite e Holofernes, esta última uma encomenda de Piero de Médici, personagem de um período em que florescia o comércio e a família Médici se destacava como centro do poder em Florença.

Vale destacar o papel da cidade de Florença como símbolo da transição de valores. Tornou-se uma das cidades mais ricas do mundo no século XV, graças aos empreendimentos mercantis. Esse movimento histórico levou ao poder, através do enriquecimento, as oligarquias mercantilistas. Em nenhum outro lugar do mundo esse processo ocorreu de forma tão poderosa. A família Medici renovou o comércio e o sistema bancário. Tamanho poderio econômico construído, foi fundamental também para o florescer do pensamento e das artes e da transformação de Florença em polo cultural de toda a Europa renascentista. Donatello foi contemporâneo de ícones da arte, do pensamento e da política, como Michelangelo, Botticelli, Rafael Sanzio, Maquiavel, Petrarca e Baldassare Castiglioni.