Resumo Lima Barreto


Nascido na capital do Rio de Janeiro, em 13 de maio de 1881, Afonso Henriques de Lima Barreto nasceu sete anos antes da abolição da escravatura. Filho de João Henriques, tipógrafo; e Amália Augusta, escrava liberta e professora; ambos mulatos. Lima Barreto ficou órfão de mãe aos seis anos de idade. Teve como padrinho o senador Visconde de Ouro Preto, homem de grande influência política.

Resumo Lima Barreto

Lima Barreto nasceu livre, mas sofreu com o racismo da época. O alcoolismo pôs fim a sua vida, aos 41 anos de idade. Ele foi um crítico de sua época. A temática social é o foco principal de suas obras. Trouxe à tona as desigualdades socioeconômicas de uma sociedade preconceituosa e racista. Pobres, negros, boêmios e pessoas que viviam à margem da sociedade fazem parte dos enredos de suas obras.

Através da literatura e do jornalismo, Lima Barreto expôs seu pensamento crítico em relação às mazelas e a corrupção da Primeira República. Seu legado é misto de literatura e documentação social e política. Sátira, sarcasmo, ironia e humor marcam o conteúdo de seus textos.

Na Escola Politécnica, concluiu o curso secundário. Iniciou o curso de engenharia, mas foi obrigado a abandonar os estudos para sustentar a casa, quando o pai foi internado como louco. Lima Barreto, embora tenha se tornado escritor e jornalista, foi contratado, através de concurso público, em 1903, como escrevente na Secretaria de Guerra, cargo que ocupou até aposentar-se em 1918.

Começou a escrever no início da juventude. Registrou, no Diário Íntimo, parte de sua vida no Rio de Janeiro. A partir de 1905, começou a escrever para os jornais da época. Fez reportagens sobre a destruição do Morro do Castelo, uma edificação localizada, no centro do Rio de Janeiro, publicadas no Correio da Manhã.

Naquela época, escreveu a primeira versão do livro Clara dos Anjos, publicação póstuma. Também redigiu os prefácios dos romances Vida e Morte de M.J. Gonzaga de Sá e Recordações do Escrivão Isaías Caminha.

Recordações do Escrivão Isaías Caminha foi publicado, inicialmente, na Revista Floreal, em 1907. Dois anos depois, a obra foi editada na forma de livro. A abordagem que fez, neste livro, a respeito do Correio da Manhã e do responsável pela direção da redação, resultou na proscrição de seu nome da imprensa carioca.

Lima Barreto passa, então, a escrever crônicas, contos e textos satíricos em outros jornais como o Diabo, Careta, O Malho, Revista da Época, Brás Cubas, Fon-Fon e Correio da Noite. Colaborou com a revista popular ilustrada Careta, até o fim da vida. Publicou diversos textos neste periódico. Em 1916, Lima Barreto tornou-se colaborador do ABC, periódico com perfil marxista e revolucionário.

Editado em folhetim no Jornal do Comércio, o livro Triste Fim de Policarpo Quaresma foi publicado em 1911. A obra Numa e Ninfa foi publicada em 1915. Vida e Morte de M.J. Gonzaga de Sá e Histórias e Sonhos foram as duas últimas obras publicadas, respectivamente nos anos de 1919 e 1990, antes de sua morte precoce, aos 41 anos de idade, ocorrida em 1º de novembro de 1922, no Rio de Janeiro.

Lima Barreto só foi reconhecido como escritor após sua morte. Solitário, teve uma vida boêmia e acabou tornando-se alcoólatra. Chegou a ser internado duas vezes na Colônia de Alienados da Praia Vermelha, em decorrência de alucinações nos momentos de embriaguez.

Obra de Lima Barreto aborda preconceito e racismo

O autor sempre sofreu com o preconceito racial. No livro Clara dos Anjos (1948) denuncia o racismo, desigualdades sociais e manifestou seus posicionamentos políticos em relação à Primeira República. Retratou no livro O Cemitério dos Vivos as condições que suportou durante os períodos de internação no Hospício Nacional.

Uma das obras mais famosas de Lima Barreto é Triste Fim de Policarpo Quaresma. Neste livro, o escritor criou o perfil de um funcionário público, nacionalista fanático, que acreditava que poderia resolver todos os problemas do Brasil e ainda oficializar o tupi como língua nacional. Acusado de louco e traidor da pátria, Policarpo morre na prisão.

No livro O Homem que Sabia Javanês, Lima Barreto faz uma crítica sutil a uma sociedade que vive de aparências e benesses políticas. Nesta obra, o personagem principal consegue ascender socialmente, como acadêmica, político e diplomata, mentindo que era fluente em javanês, quando nada sabia sobre o idioma. Porém, consegue enganar a sociedade carioca e usufrui de todos os benefícios proporcionados pela fama.

Obras póstumas de Lima Barreto

A maior parte das obras de Lima Barreto só foi publicada após a sua morte. Entre as quais, destacam-se: Os Bruzundangas, Bagatelas, Clara dos Anjos, Diário Íntimo, Feiras e Mafuás, Marginália, Vida Urbana, Cemitério dos Vivos (obra inacabada), Coisas do Reino de Jambom, Impressões de Leitura, Correspondência (2 volumes).

Diversos textos só foram descobertos por Felipe Botelho Correa, em 2016, sendo publicados no livro Sátiras e Outras Subversões. Este livro contém 164 textos de Lima Barreto. Neste mesmo ano, Rogério Nascimento, editou o livro Cartas de um Matuto e Outros Causos, contendo 221 textos de Lima Barreto, assinados por seus personagens.