Resumo conto Negrinha


Negrinha é um conto escrito pelo renomado autor Monteiro Lobato, contido no livro homônimo. Sua narrativa possui grande apelo emocional e a história é narrada em terceira pessoa.

Resumo conto Negrinha

CONTEXTO HISTÓRICO-SOCIAL

Presente no período de pré-modernismo no Brasil, o contexto histórico do livro deve ser considerado na hora de interpretar o enredo: a obra foi publicada em 1920, época em que a sociedade brasileira vivenciava o ínterim entre o fim da escravidão e o trabalho assalariado do negro. Portanto, a segregação racial e o preconceito eram fortemente enraizados no dia a dia da população.

A obra de engajamento crítico e social faz pesados apontamentos ao pensamento da época, que ainda não aceitava a abolição do negro. A narrativa de Lobato, apesar de racista, não mediu esforços para demonstrar a verdadeira face da sociedade: hipócrita, classista, racista e opressora.

Solicitado para realização dos mais conceituados vestibulares, como UNICAMP, sua leitura é obrigatória para aqueles que desejam ingressar em universidades de prestígio. Pensando em auxiliar os estudantes na hora de fazer a revisão para as provas que decidirão seus futuros, segue o resumo de Negrinha.

Mas, lembre-se!

O resumo Negrinha é apenas um reforço para auxiliar nos estudos. Para melhor absorção da narrativa, recomenda-se que além do resumo Negrinha, leia-se a obra indicada.

RESUMO NEGRINHA

Negrinha é uma menina de sete anos, órfã. Sua mãe era escrava e ela nasceu em meio a senzala. Descrita como uma mulatinha escura, de olhos assustados e cabelos ruços, nos primeiros anos de vida escondia-se da patroa entre os cantos sombrios da cozinha, em meio aos retalhos imundos.

Dona Inácia, senhora da casa grande, é uma viúva sem filhos. Por esse motivo não tolera crianças chorando. Depois da morte da mãe, Negrinha passou a ser cuidada pela própria dona da fazenda.

Porém, insatisfeita com a abolição da escravatura, Dona Inácia permanecia com a menina apenas para atender seus atos de brutalidade. Aplicava os mais variados tipos de castigos e maus tratos. Desde xingamentos até agressões físicas.

A satisfação em torturar Negrinha era tanta, que Dona Inácia se deliciava com um breve vislumbre de poder empregar qualquer punição à menina. O prazer da senhora era tanto em agredir Negrinha, que a garota tinha pelo corpo vergões, cicatrizes e sinais de maus tratos.

Certa vez, uma empregada de Dona Inácia saqueou um pedaço da carne que estava no prato de Negrinha. A menina, com raiva, esbravejou todos os nomes com que era tratada: diabo, lixo, sujeira, cachorrinha. Após saber do ocorrido, Dona Inácia não titubeou em castigar a pequena. Ordenou que um ovo fosse cozido, e assim que foi retirado da água ainda fervente, introduziu o alimento na boca de Negrinha. Insaciada, como se não bastasse, amordaçou a menina com as próprias mãos para abafar o berro de dor, impedindo que o padre, que ali chegava, ouvisse.

Quando, enfim, fez-se presente o mês de Dezembro, duas sobrinhas de Dona Inácia chegaram à fazenda para passar férias com a tia. Meninas da alta sociedade, criadas com todos os luxos que se possa imaginar. Negrinha, vendo as meninas felizes e saltitando pela casa, acreditou que as sobrinhas de Dona Inácia logo seriam, também, castigadas pela tia, uma vez que a menina era proibida de fazer qualquer barulho.

Mas, se deparou com um sorriso sereno no rosto da senhora, enquanto via as meninas brincarem com brinquedos que encantaram Negrinha, principalmente a boneca, que nunca havia visto. Após declarar que jamais havia tido contato com brinquedo algum, as sobrinhas de Dona Inácia a convidam para se juntar a elas e oferecem a boneca para que possam brincar juntas. Receosa com a reação de Dona Inácia, Negrinha entra na brincadeira, enquanto a senhora observa e decide deixar a menina em paz, após perceber o espanto das sobrinhas por Negrinha nunca ter tido uma boneca.

Nesse momento, Negrinha identifica um mundo diferente do que ela vive, aprende uma outra perspectiva de vida onde há alegria e felicidade. Deleitou-se no sonho de criança, onde não se preocupava com croques, beliscões e xingamentos, afinal, estava no mundo das bonecas louras e de olhos azuis, que mais pareciam anjos. Mas, eis que acabou as férias e as sobrinhas de Dona Inácia se foram levando consigo os brinquedos, a boneca e o novo mundo de Negrinha. A menina viu-se de volta ao que sempre foi.

Depois de conhecer uma vida diferente, vislumbrar uma faceta que ela nunca havia explorado, Negrinha cai em uma terrível tristeza e morre sozinha, abandonada sobre uma esteirinha, sonhando com as bonecas louras e anjos.

Apenas duas lembranças sobraram da pequena menina que um dia descobriu o que era ser criança: a recordação das sobrinhas de Dona Inácia de uma garota bobinha que nunca tinha visto uma boneca e a saudade da velha senhora que perdeu seu brinquedo particular em quem podia descarregar bons croques.