Características Gerais dos Anfíbios, Répteis e Aves


Classe Anfíbios

Os anfíbios representam, portanto, os tetrápodos mais antigos aparecidos na Terra. Contudo, mesmo no estágio adulto, os anfíbios não podem dispensar totalmente a água ambiental, pois dela dependem para a respiração cutânea e a reprodução. São pecilotermos, anamniotas e analantoidianos. Sem formas marinhas.

Características Gerais dos Anfíbios

Características externas

Considerando-se o sapo, podemos observar externamente:
-> pele rugosa e úmida
-> presença de pálpebra e membrana nictitante
-> glândulas paratóides, contendo veneno
-> membrana timpânica
-> membros anteriores com 4 dedos curtos
-> membros posteriores, adaptados para o salto e que possuem dedos
-> cloaca
-> cavidade bucal bem desenvolvida
-> narinas externas
-> Coração com três cavidades: duas aurículas e um ventrículo. O sangue arterial, que entra nas aurículas ou átrio esquerdo, e o sangue venoso, que chega à aurícula ou átrio direito, vão se juntar ao nível do ventrículo único. Por isso, dizemos que a circulação desses animais é fechada, dupla, porém incompleta (há mistura de sangue arterial com sangue venoso).

Os peixes e anfíbios apresentam 10 pares de nervos cranianos. Répteis, aves e mamíferos apresentam 12 pares. Nos anfíbios e mamíferos, o crânio e coluna vertebral se articulam através de dois côndilos occipitais. Répteis e aves apresentam um côndilo e os peixes não apresentam.

A classe dos anfíbios subdividem-se em:
-> Apodos (sem patas). Exemplo: cobra-cega.
-> Anuros (sem cauda). Exemplos: sapo, rã, perereca.
-> Urodelos (com cauda). Exemplo: salamandra.

CLASSE RÉPTEIS

Os répteis são subdivididos em: Quelônios: Ex: tartaruga, jabuti, cágados. Escamados:
-> Lacertílios: Ex: lagartos.
-> Ofídios: Ex: cobras verdadeiras.
-> Crocodilianos: Ex: jacaré e crocodilo.

A maioria dotada de quatro membros pentadáctilos para locomoção em terra (os gimnofionos, como a Caecilia, são apodos, por involução das patas, como uma adaptação aos seus hábitos de vida em buracos no solo). Alguns são dotados de cauda, outros não. Portadores de cloaca. Fecundação externa (as fêmeas eliminam os óvulos e os machos disseminam os espermatozóides sobre eles, na água). Há uma falsa cópula que sempre é realizada dentro d’água. Sangue com hemácias ovóides e nucleadas. Todos os representantes são anamniotas e analantoidianos, isto é, não formam âmnio nem alantóide durante o desenvolvimento embrionário. Todos são pecilotérmicos ou poiquilotérmicos (animais de sangue frio), ou seja, não possuem temperatura própria.

(A) Os lagartos são os répteis mais numerosos e diversificados do planeta.
(B) As cobras descendem de lagartos que perderam as patas durante o processo evolutivo.
(C) Os quelônios mudaram pouco no decorrer de sua evolução.
(D) Os jacarés e crocodilos são os maiores répteis vivos.

Vivem em regiões de clima quente e passam a maior parte do tempo na água. Os répteis são considerados o primeiro grupo de vertebrados tipicamente terrestres. A pele desses animais é seca, sem glândulas mucosas, e recoberta por escamas de origem epidérmica. Com essas características, a pele deixou de ser uma estrutura permeável, dando ao animal grande resistência à dessecação, de modo que puderam expandir-se em ambientes áridos.
Essa pele seca e impermeável deixou de ser uma estrutura respiratória.

Nos répteis, a respiração é sempre pulmonar, e o pulmão deles é mais complexo que o dos anfíbios e suficiente para suas necessidades respiratórias. Através da pele, também não há absorção de água que, a partir dos répteis, passa a ser ingerida pela boca. As glândulas de veneno da pele dos anfíbios foram substituídas por outros métodos de defesa. Os répteis são animais mais ágeis e geralmente possuem dentes bem desenvolvidos. Quanto à reprodução, os répteis apresentam sexos separados e, geralmente, dimorfismo sexual. A fecundação é sempre interna, e o desenvolvimento, direto.
Podem ser ovíparos, ovovivíparos e vivíparos; seus ovos têm casca protetora.

Apresentam, pela primeira vez entre os vertebrados, anexos embrionários: o âmnio, membrana que limita uma cavidade cheia de líquido, envolve o embrião protegendo-o contra desidratação e choques mecânicos; e o alantóide, espécie de bexiga onde se acumulam produtos de excreção do embrião, encosta-se na casca permitindo trocas gasosas através dos vasos que o envolvem.

Características como a respiração pulmonar, a fecundação interna, os ovos com casca, os anexos embrionários, a economia de água através da pele e da urina, tornaram a maioria dos répteis adaptados ao meio terrestre, independentes da água. Sua distribuição geográfica é limitada apenas pelo fato de serem ectotérmicos, preferindo regiões onde a temperatura média anual não seja muito baixa.

Os animais endotérmicos dependem da produção de calor pelo metabolismo para elevar a temperatura e mante-la constante. Portanto, se nos ectotérmicos a fonte de calor é externa, nos endotérmicos ela é interna. Por outro lado, dependendo de uma fonte externa de calor, os animais ectotérmicos são pouco ativos à noite; os endotérmicos, em contrapartida, podem permanecer ativos durante o dia e durante a noite. Além disso, os endotérmicos puderam ocupar as regiões polares, onde os répteis não encontram condições para sua sobrevivência, estando restritos a regiões mais quentes. Apesar dessa vantagem adaptativa, os animais endotérmicos precisam se alimentar mais e com maior frequência que os ectotérmicos, pois quase 80% das calorias contidas em sua alimentação são usadas para manter a temperatura estável. Já os ectotérmicos, como retiram o calor do sol, sobrevivem com 10% do alimento necessário para a sobrevivência de um mamífero de mesmo tamanho.

Aves

Apresentam membros anteriores transformados em asas; são subdivididas em:
=> Ratitas: osso esterno sem quilha ou carena. Ex: ema, avestruz, quivi.
=> Carinatas: osso esterno com quilha ou carena. Ex: pássaros, pinguim, cisne, galinha, etc.

As penas surgiram provavelmente por modificações sucessivas das escamas dos répteis. Inicialmente elas teriam sido escamas muito alongadas e móveis. Quando eretas, permitiram que os raios solares passassem entre elas, aquecendo o corpo do animal. Este, quando suficientemente aquecido, abaixaria as escamas, retendo uma camada de ar isolante, impedindo a saída de calor do corpo. Um animal com essas características poderia, a partir de então, produzir calor internamente, através de uma alta taxa metabólica, e esse calor não seria perdido para a atmosfera, pois haveria uma camada isolante, evitando que isso acontecesse. Assim, portanto, a endotermia das aves teria surgido após o desenvolvimento das penas. As aves atuais têm taxa metabólica elevada, mantendo a temperatura do corpo constante e em torno de 40 a 41°C. Pelicanos brancos.

As penas, que já eram importantes para a homeotermia, mostraram-se extremamente úteis para o voo. São formadas por um material leve e sua arquitetura intrincada oferece boa resistência ao ar. A importância das penas para o voo das aves veio associada a uma série de modificações no corpo desses animais. Uma delas foi a transformação dos membros anteriores em asas recobertas por penas. Ser aerodinâmico e manter o mínimo de peso possível é fundamental para um animal voador. Na evolução das aves, as características surgidas, que levaram à redução da densidade do animal, foram positivamente selecionadas.

O esqueleto das aves atuais é formado, em grande parte, por ossos ocos (ossos pneumáticos), que são leves e delicados. Há redução e fusão de ossos, tornando o corpo compacto, de modo a não sofrer deformações durante o voo: a cauda é reduzida, e as cinturas escapular e pélvica são fundidas à coluna vertebral. O bico das aves atuais é desprovido de dentes, o que contribui para a redução de peso.

Os pulmões das aves são compactos, mas expandem-se em bolsas de ar, os sacos aéreos, que preenchem vários espaços do corpo, penetrando inclusive nos ossos pneumáticos. Os sacos aéreos contribuem para reduzir o peso, além de servirem como reserva de ar.

Resumindo então, a conquista do meio aéreo foi possibilitada por um conjunto de características:
=> presença de penas;
=> presença de asas;
=> formato do corpo aerodinâmico;
=> ossos pneumáticos;
=> membrana nictitante;
=> ovíparos;
=> ausência de dentes e presença de moela;
=> urina concentrada (ácido úrico);
=> sacos aéreos;
=> coluna vertebral concrescida.
=> Músculos peitorais responsáveis pelo batimento das asas.
=> Sistema digestivo completo, com pâncreas, fígado e vesícula biliar. O esôfago possui, nas aves granívoras (que comem grãos), uma dilatação – o papo -destinada ao armazenamento e amolecimento dos grãos. O estômago é composto e possui o proventrículo (estômago químico) e a moela (estômago mecânico). O intestino termina em cloaca.
=> Pulmões parenquimatosos apresentando uma estrutura de bolsas achatadas e não propriamente alvéolos. Os pulmões são aderidos às costelas e se expandem com os movimentos delas. Na bifurcação da traquéia, há um órgão sonoro chamado siringe.
=> Circulação dupla e completa. Coração com quatro cavidades distintas. Sangue com hemácias biconvexas e nucleadas.
Quanto a reprodução: Tem sexos separados, com dimorfismo sexual, fecundação interna, desenvolvimento direto, ovíparos com cloaca.