Ceratocone


A ceratocone consiste em uma doença que afeta a córnea. Basicamente, ela provoca uma espécie de ‘afilamento’ ou ectasia progressiva na região central da córnea. Alguns especialistas afirmam que sua causa é desconhecida, enquanto outros a apontam como uma condição hereditária. ceratocone

A seguir, conheça mais sobre a ceratocone, seus sintomas e métodos de tratamento.

Ceratocone: tudo sobre a patologia

A ceratocone é uma patologia ocular que afeta tanto a espessura como o formato da córnea. Ela não é inflamatória e seu principal sintoma é provocar a distorção na percepção de imagens.

À medida em que a córnea vai sendo afinada a acuidade visual do paciente diminui progressivamente. Quanto tempo levará e quão intenso será esse processo depende exclusivamente do quanto de tecido corneano é afetado – o que varia de caso para caso, já que a doença pode levar anos para se desenvolver ou progredir rapidamente.

A ceratocone nem sempre é percebida de imediato, visto que ela se inicia de modo sorrateiro, lado a lado com o astigmatismo ou miopia no olho. Ela costuma se manifestar em jovens a partir de 10 anos e pode evoluir gradativamente até a fase adulta.

Entre os principais sintomas da ceratocone, podemos destacar:

-> Visão distorcida ou borrada (esse sintoma pode se manifestar de perto, de longe ou em ambos os casos);
-> Acuidade visual diminuída;
-> Desconforto/dores nos olhos;
-> Troca constante das lentes de contato.

Não à toa, a patologia ocular pode alterar de modo severo a percepção do indivíduo sobre o mundo até nas mais simples tarefas cotidianas, como fazer uma leitura, dirigir ou assistir a um filme.

Outros sintomas como visão dupla, visualização de ‘halos’ nos arredores de luzes, poliopia (ou seja, ver várias imagens em um mesmo objeto), fotofobia (extrema sensibilidade à luz) e coceira nos olhos também se manifestam em alguns casos, apesar de serem mais raros.

Os médicos oftalmologistas também observam alguns sinais específicos na córnea do olho do paciente com ceratocone. São eles:

-> Reflexo em ‘gota de óleo’ quando a oftalmoscopia direta é realizada;
-> Espessura da córnea reduzida;
-> Linhas de Vogt (que são estrias verticais, estromais, profundas e finas) nos olhos;
-> Reflexo irregular quando submetido à retinoscopia;
-> Aneis de Fleischer (quando há na base do cone do olho pequenas concentrações epiteliais de ferro);
-> Sinais de rizutti (reflexo precoce cônico na córnea nasal) ou sinais de munson (abaulamentos da pálpebra inferior do olho).

Tratamento para ceratocone

O diagnóstico da ceratocone é realizado por meio de um exame específico solicitado pelo médico oftalmologista: a topografia corneana.

A patologia conta com diferentes tipos de tratamentos, visto que a manifestação da doença ocorre de modos muito diferenciados.

Se a doença for identificada ainda em estágio inicial, o tratamento será mais simples.

Geralmente neste caso os sintomas são desfocagem da visão em algumas situações cotidianas, o que faz o paciente procurar o médico para conseguir lentes de contato para ler ou dirigir. Não à toa, os sintomas são muito similares ao do astigmatismo e miopia.

A correção da doença em fase inicial costuma ser realizada por meio da prescrição de óculos. Os óculos permanecem a melhor opção enquanto a acuidade visual é aceitável e os níveis de astigmatismo são baixos.

Em seguida, quando os óculos já não oferecem mais conforto visual para o paciente da condição, há a prescrição de lentes de contato.
As lentes geralmente utilizadas são as rígidas de gás permeável, visto que estas asseguram por mais tempo (e qualidade) a saúde fisiológica da córnea. A lente de contato gelatinosa também pode ser a escolhida por alguns médicos oftalmologistas.

Outro método de tratamento para a ceratocone é a ligação de colágeno com riboflavina. Conhecido como crosslinking, o procedimento é realizado a partir da remoção da camada mais externa da córnea (o epitélio) para, em seguida, expô-la à aplicação de riboflavina, ou seja, vitamina B2.

O processo de crosslinking resulta na criação de ligações covalentes na córnea, aumentando a sua resistência mecânica. Assim, as chances de que haja progressão na doença diminuem drasticamente.

Quando a visão noturna é fraca (ou quase inexistente) e a acuidade visual está prejudicada em ambas as distâncias, estes costumam ser sinais de que a condição já pode ser considerada avançada. Aqui os métodos de tratamento são igualmente evoluídos, já que não há mais possibilidade de correção com lentes de contato, óculos ou crosslinking.

Nestes casos, o tratamento mais recomendado é o transplante de córnea.

Basicamente, o transplante de córnea consiste em substituir a córnea afetada por ceratocone pela córnea de um doador. Tal cirurgia leva entre 30 a 40 minutos e hoje em dia é integralmente coberta pelo SUS. A anestesia em quase todos os casos é local e sua porcentagem de sucesso é altíssima, ficando na faixa de 80 a 90% em situações não complicadas.