Evidências da Teoria da Evolução e Seleção Natural


EVOLUÇÃO

Evolução é o processo que produziu a grande biodiversidade atual de animais e plantas. A Teoria da Evolução propõe que a vida na Terra começou, há centenas de milhões de anos, com formas relativamente simples que, no decorrer do tempo, através de modificações, foram originando uma sucessão de organismos vivos cada vez mais complexos e variados. Segundo a evolução orgânica, as espécies atuais são descendentes modificados de organismos do passado.

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EVIDENCIAS DA EVOLUÇÃO

Paleontologia
 
É a ciência que trata da descoberta e classificação dos fósseis. Fósseis são restos ou vestígios de animais e vegetais pré-históricos conservados nas rochas. Assim, além de ossos, carapaças, dentes e outras partes duras de um corpo, são fósseis também as pegadas feitas em lama macia que endureceram e foram preservadas. Eles documentam a evolução dos organismos no decorrer do tempo geológico e a determinação de sua idade é baseada na decomposição de elementos radioativos como o carbono 14 e o urânio 238. Esses elementos se desintegram a taxas regulares no tempo, constituindo os chamados “relógios radioativos”. Na tabela abaixo estão relacionados alguns eventos datados com base no registro dos fósseis.

Anatomia comparada

Os estudos de anatomia comparada evidenciam a evolução das espécies, principalmente através da comparação entre órgãos homólogos e da investigação dos órgãos vestigiais. Órgãos homólogos são aqueles que se encontram em espécies diferentes, mas apresentam o mesmo desenvolvimento embrionário e a mesma estrutura, podendo ou não realizar a mesma função.

Assim, são órgãos homólogos as asas de um pterossauro (réptil voador), de uma ave e de um morcego. Órgãos homólogos são aqueles que apresentam a mesma origem embrionária. As estruturas homólogas devem suas semelhanças fundamentais a ancestrais comuns. Os esqueletos dos membros anteriores de diferentes vertebrados apresentam o mesmo plano estrutural, embora tenham funções distintas. A melhor explicação para essa semelhança é que esses animais descendem de um ancestral comum.

Órgãos vestigiais são vestígios ou rudimentos de órgãos existentes no corpo dos animais. São importantes para o estudo da evolução porque representam restos inúteis de estruturas ou de órgãos que são desenvolvidos e funcionais em outros animais. Entre os órgãos vestigiais existentes no homem citaremos: apêndice vermiforme, a prega semilunar e o cóccix.

O apêndice vermiforme, situado entre o intestino delgado e o grosso, é um vestígio do volumoso ceco existente no herbívoros. <=> A prega semilunar é uma prega carnosa existente no ângulo do olho humano. Trata-se de um vestígio da membrana nictitante, uma terceira pálpebra móvel que aparece nos répteis e nas aves, servindo para limpeza e lubrificação do olho. A coluna vertebral humana termina no cóccix, um osso recurvado resultante da fusão de vértebras, sendo um vestígio da cauda dos mamíferos.

Embriologia comparada

A embriologia comparada mostra que animais de espécies diferentes apresentam fases embrionárias muito semelhantes. Assim, embriões de diferentes vertebrados chegam a ser tão semelhantes que apenas um especialista consegue identificá-los. As semelhanças embriológicas revelam a existência de um antepassado comum.

Temos então duas situações distintas: lavoura com pulgões e sem inseticidas e lavoura com pulgões e com inseticidas. A análise do problema evidencia a existência prévia de pulgões sensíveis ao inseticida numerosos de início e os pulgões resistentes ao inseticida em pequeno número inicialmente e numerosos ao final do processo. A aplicação do inseticida favoreceu os poucos pulgões resistentes, que sobreviveram e se reproduziram, fazendo que ao longo do tempo aumentasse a população desses insetos na lavoura.

Bioquímica comparada

A bioquímica comparada mostra a grande semelhança existente entre os dois principais compostos orgânicos: DNA e proteínas. O DNA apresenta maiores semelhanças entre os animais com parentesco mais próximo. Milhares de testes realizados em diferentes animais revelaram grande semelhança entre as proteínas do sangue dos mamíferos. Como sabemos, os peixes eliminam amônia, os anfíbios, ureia, e os répteis, ácido úrico. Um embrião de ave elimina inicialmente amônia, depois ureia e, finalmente, ácido úrico, atestando uma recapitulação do processo evolutivo do metabolismo nitrogenado.

SELEÇÃO NATURAL

O meio ambiente atua sobre as variações, conservando as favoráveis e eliminando as desfavoráveis. Na verdade, o que acontece é o seguinte: alguns indivíduos, por sua constituição genética, estão mais descendentes – do que outros indivíduos, portadores de outra constituição. Entre os principais exemplos de seleção natural estudaremos: resistência de insetos aos inseticidas, melanismo industrial e resistência a antibiótico.

a)     Resistência de insetos aos inseticidas
Um agricultor depara-se com um ataque de pulgões em sua lavoura de soja, procurou uma loja especializada em inseticidas adquirindo-os e imediatamente passou a pulverizar o inseticida em sua lavoura. De início os resultados foram excelentes. Os pulgões desapareceram por completo. Porém, os pulgões reapareceram e novas aplicações foram necessárias.

b) O padrão climático em Galápagos é caracterizado por uma estação quente e úmida de janeiro a maio, seguida de uma estação seca e mais fria. Após as chuvas, a variedade de sementes é grande, desde sementes macias até duras. Quando há fartura de sementes, todas as aves se alimentam principalmente das sementes mais macias, mais fáceis de comer e que acabam primeiro. Em 1977 houve uma seca que perdurou até 1978. Nesse período, as aves com bicos maiores foram mais eficientes para se alimentar e os indivíduos com bicos menores, tiveram aumentada a taxa de mortalidade e morreram de inanição. Em decorrência dessa situação mais indivíduos com bicos maiores sobreviveram para acasalar e na geração seguinte, o tamanho médio do bico da população aumentou em cerca de 4%. Esse aumento do tamanho do bico foi acompanhado pelo aumento do tamanho corporal.

Esse estudo favoreceu correlacionar medidas com eventos naturais pelos quais a ilha passou. Ao fazer o estudo de longo prazo, foi possível medir o impacto nos tentilhões de momentos de seca intensa ou de chuvas torrenciais. Notou-se que o tamanho médio do bico aumentava nos anos de seca, quando apenas sementes maiores e duras estavam disponíveis. Em tempos mais úmidos, bicos menores eram mais comuns.

c)     Resistência a antibióticos
Ao nos medicarmos com antibióticos haverá grande mortalidade de bactérias, mas poucas, que possuem a característica da resistência a essas substâncias, sobreviverão. Estas por sua vez ao se reproduzirem, originarão indivíduos com característica em torno de um outro tipo médio.
Sendo esses indivíduos submetidos a doses mais altas das substâncias em questão, novamente haverá alta mortalidade e sobreviverão apenas aqueles que tiverem condições de resistir a doses mais resistentes da droga. Ao longo do tempo pode-se observar um deslocamento da média das características no sentido da maior resistência a um determinado antibiótico.

À medida que os antibióticos são usados inadequadamente no combate a infecções causadas por bactérias, o que na realidade se está fazendo é acelerar o processo de seleção de linhagens de bactérias resistentes a um determinado tipo de antibiótico. Em situação de infecção procure um médico e informe quando, quanto e qual antibiótico você usou nas últimas vezes e não se automedique.

d)    Melanismo Industrial
Um exemplo clássico de melanismo industrial é o da mariposa Biston betulária, em regiões industrializadas da Inglaterra. Antes do incremento da industrialização, a maioria das mariposas eram de coloração clara, sendo raras as de coloração escura. Os indivíduos dessa espécie têm o hábito de pousar sobre troncos de árvores que, em locais não poluídos, são cobertos por liquens, os quais dão ao tronco coloração clara.

Nesses locais, ao pousar sobre os troncos cobertos de líquen, as mariposas claras não são tão visíveis, quanto as mariposas escuras, que se tornam, assim, presas fáceis de seus predadores – os pássaros. Com o aumento da atividade industrial, a fumaça e a fuligem lançadas pelas fábricas provocaram a morte dos liquens, deixando os troncos das árvores expostos. Dessa forma, o substrato utilizado pelas mariposas para pouso adquiriu coloração escura e, com isso, as mariposas claras tornaram-se mais visíveis que as escuras. Com o tempo, a forma escura começou a predominar sobre a clara. Nesse exemplo a alteração gradativa do meio, selecionou a característica mais apta a sobreviver nas novas condições impostas, isto é, houve adaptação.