Filo Annelida e Mollusca (Anelídeos e Moluscos): Classes, Características e Reprodução


O Filo Annelida reúne cerca de 11600 espécies descritas, representadas pelas minhocas, sanguessugas e poliquetos. São animais invertebrados que ocorrem nos ambientes bentônicos marinhos, dulcícolas e terrestres úmidos. A grande maioria das espécies é de vida livre, mas existem algumas ectoparasitas hematófagas. O anelídeos são animais triploblásticos, celomados, protostômios, que possuem o corpo segmentado, formado por vários anéis, dando origem ao nome Annelida (annelus = anel) e de simetria bilateral. Esses segmentos não são apenas externos, mas também internos, delimitados por membranas mesodérmicas (septos). Os anelídeos são, portanto, animais metaméricos.

Filo Annelida e Mollusca

Os animais deste filo possuem sistema digestivo completo, sistema circulatório do tipo fechado (ver esquema na página 7) e sistema excretor formado por metanefrídios semelhantes aos dos moluscos. A respiração pode ser cutânea ou através de projeções do corpo, que formam brânquias modificadas. O sistema nervoso é formado por vários gânglios, ligados entre si por cordões nervosos. Em cada segmento encontra-se um par de gânglios, refletindo a característica metamérica do grupo. As principais classes de anelídeos são: Oligochaeta, Polychaeta e Hirudinea.

PRINCIPAIS CLASSES

Classe Polichaeta (Poliquetos) (do gr. polys = muito + chaite = cerda)

•            são principalmente marinhos com cerca de 5.300 espécies.
•            possuem expansões laterais dos segmentos, chamadas parápodes que possuem muitas cerdas.
•            os sexos são geralmente separados, fecundação externa e desenvolvimento indireto com larvas ciliadas (trocófora).
•            há reprodução assexuada em algumas espécies.
•            existem dois tipos de poliquetas: os errantes e os fixos ou sedentários, que apresentam diferenças adaptativas ao modo de vida de cada um.

É o primeiro grande filo que apresenta um celoma. Podem ser de sexos separados ou unidos, desenvolvimento direto ou indireto (larva ciliada – trocófora). Há casos de reprodução assexuada. A maioria é de vida livre, em solo úmido, água doce e mar.

Os poliquetos fixos estão adaptados para viver em tubos que eles mesmos constróem e, ao contrário dos errantes, não têm condições para explorar o meio. A cabeça é substituída por “penachos” branquiais cefálicos, que rodeiam a boca e assemelham-se a espanadores, servindo para capturar alimento e efetuar trocas gasosas. Os parápodes são pouco desenvolvidos.

Classe OHgochaeta (Oligoquetos) (do gr. oligos = pouco + chaite = cerda). Ex.: minhocas.

•            são principalmente terrestres e de água doce, com cerca de 3.000 espécies.
•            não há cabeça, nem parápodes; há poucas cerdas
•            são geralmente hermafroditas, com fecundação cruzada e interna, desenvolvimento direto.
•            tem clitelo: um grupo de anéis dilatados e claros, próximos da região anterior, que secretam material para formar os casulos que envolvem os ovos.

Classe Hirudinea (do gr. sem cerdas). É o primeiro filo a apresentar um sistema circulatório.

Na classe Hirudinea (hirudíneos), estão animais conhecidos como sanguessugas. Esse nome decorre do fato de muitas de suas espécies serem ectoparasitas de vertebrados, sugando-lhes o sangue. Existem, entretanto, várias espécies de hirudíneos que não têm esse hábito alimentar, mas são predadoras de pequenos invertebrados.

Esses animais ocorrem principalmente em água doce e em ambiente terrestre úmido, mas há também representantes na água do mar. Eles possuem muitas características em comum com os oligoquetos: não apresentam parapódios, são hermafroditas com desenvolvimento direto; e possuem clitelo, que secreta casulo, no interior do qual se desenvolvem os ovos fecundados.

Filo Mollusca

Os moluscos são animais cujo corpo mole é muitas vezes protegido por uma resistente concha calcária. É um filo representado por mais de 100 mil espécies. Os moluscos vivem nos mais diversos ambientes. Há espécies em terra úmida, como os caracóis e as lesmas, e outras na água doce e no mar.
As espécies marinhas podem viver presas às rochas, como é o caso dos mexilhões (mariscos) e ostras, se arrastar sobre a areia, como os caramujos, nadar livremente, como polvos e lulas, ou ainda flutuar em belas conchas, como o Nautilus.

Seu tamanho é muito variável. Há espécies de apenas alguns milímetros, enquanto certas lulas gigantes, que vivem nas grandes profundidades, podem ter mais de 10 metros. Os moluscos não apresentam segmentação, Continuam no entanto tendo simetria bilateral, são triblásticos, celomados e protostômios. Os moluscos dentre os filós discutidos até agora, são os primeiros a apresentar celoma, ou seja, uma cavidade no corpo originada a partir do terceiro folheto embrionário, a mesoderme. No caso dos moluscos, essa cavidade é esquizoceloma, celoma surgido de agregados de células mesenquimais que constituem faixas mesodérmicas sólidas, nas quais se formam fendas que dão origem à cavidade celomática.

A circulação (exceto nos cefalópodos) é, a exemplo dos artrópodes, lacunosa, havendo pigmentos respiratórios no sangue (hemoglobina e hemocianina). O sistema nervoso é ganglionar. Os moluscos reproduzem-se de modo exclusivamente sexuado; são dióicos (a maioria) ou monóicos; fecundação interna ou externa; a maioria é ovípara; o desenvolvimento é indireto (larva trocoforóide – véliger) ou direto.

A excreção é feita por nefrídios agrupados numa espécie âe rim. O tubo digestivo é completo; na boca existe uma estrutura para raspar alimentos, chamada rádula (exceto nos bivalves). Muitos moluscos secretam uma estrutura calcária denominada concha, que, na maioria dos casos, representa um exoesqueleto calcário abrigando e protegendo o corpo mole do animal. Os caracóis e as ostras são exemplos de moluscos com concha externa.

Entretanto, nem todos os moluscos a possuem. A lula, por exemplo, apresenta uma concha interna reduzida, enquanto a lesma e o polvo não têm concha alguma. O corpo dos moluscos é envolvido por uma dobra da epiderme, que forma uma estrutura denominada manto. O espaço entre o manto e a parede do corpo do animal é denominado cavidade do manto.

Nela estão localizadas as estruturas especializadas para a respiração, tais como brânquias ou pulmão. O bordo livre do manto possui células secretoras, responsáveis pela formação da concha. Os moluscos são divididos em oito classes: Aplacophora, Caudofoveata, Polyplacophora (quítons), Monoplacophora, Scaphopoda (dentálios), Bivalvia (ostras, mexilhões), Gastropoda (caramujos, lesmas) e Cephalopoda (lulas e polvos).

Classe Gastropoda

A Classe Gastropoda (gastrópodes) é a maior e mais diversificada dentro do Filo Mollusca. Nela estão incluídos animais que vivem no mar, na água doce e no ambiente terrestre, como os caracóis, os caramujos e as lesmas. A concha dos gastrópodes é formada por uma única valva (univalve). A ausência de concha, como se verifica nas lesmas, é um caráter evolutivo secundário: inicialmente todos os membros desta classe tinham concha, surgindo, a partir deles, grupos sem concha. Muitos gastrópodes que têm concha apresentam uma estrutura quitinosa ou calcária na superfície dorsal e posterior do pé, denominada opérculo, que serve para fechar a concha quando o animal se retrai para dentro dela, contribuindo para protegê-lo.

Os gastrópodes aquáticos respiram através de brânquias, enquanto os terrestres, através de um pulmão foliáceo. Este corresponde simplesmente a uma área do epitélio da cavidade do manto densamente irrigada, onde ocorrem as trocas gasosas. Em alguns gastrópodes a respiração é cutânea, não havendo nesses animais nem brânquias nem pulmões.

Classe dos Cefalópodes (gr. Kephalé = cabeça + podos. = pé). Ex.: polvos, lulas, naútilos, etc.
•            são exclusivamente marinhos, a concha pode ser externa (náutilo), interna (lulas) ou ausente (polvos).
•            são dióicos, com fecundação interna, desenvolvimento direto.

A lula, na figura é um bom exemplo de cefalópodo, molusco bem adaptado à natação. A cabeça é facilmente reconhecida pela presença de dois grandes olhos e de tentáculos ou braços com ventosas, com as quais o animal segura o alimento. A cabeça e a massa visceral interna formam uma única peça. O manto, que você vê externamente, recobre à massa visceral. Além da rádula há nos cefalópodos um forte par de mandíbulas em forma de bico, que serve para a captura de presas e para a perfuração de suas carapaças.

Classe Bivalvia

Na Classe Bivalvia (bivalves), o corpo do animal sofreu achatamento lateral e encontra-se abrigado em uma concha formada por duas valvas, de onde o nome Bivalvia. Os bivalves são também denominados Pelecypoda, que significa “pé em forma de machado”, pois possuem pé musculoso com forma achatada, responsável pelo deslocamento do animal no meio. Nesta classe estão as ostras, os mexilhões, os péctens, os mariscos e as vieiras.

São animais exclusivamente aquáticos, ocorrendo no mar e na água doce. No ambiente marinho são muito abundantes na região entre marés. São principalmente dióicos, com fecundação geralmente externa e desenvolvimento indireto (larvas). Nesse grupo de organismos, as brânquias são muito desenvolvidas e situam-se dos dois lados do corpo, participando do processo respiratório e também da obtenção de alimentos. Elas possuem muitos cílios, cujo batimento promove corrente de água orientada, que penetra no corpo do animal, trazendo oxigénio e alimento. Este último é selecionado entre os cílios das brânquias e conduzido até a boca, por onde é ingerido. Unindo uma valva à outra, existem dois músculos adutores: o anterior e o posterior. Esses músculos são os responsáveis pelo fechamento da concha. Outra estrutura, o ligamento, de natureza elástica e situado na região dorsal da concha, responde pela abertura das valvas.