Nomenclatura dos Seres Vivos: Reino, Filo, Classe, Órdem, Família, Gênero e Espécie


Os seres vivos apresentam uma diversidade muito grande; conhecemos hoje mais de um milhão de espécies animais e cerca de 350.000 espécies vegetais; a cada ano que passa, novas espécies vêm sendo descritas. Fica compreensível a necessidade de os biólogos disporem de um sistema de classificação que organize esta diversidade. Idealmente, o sistema deveria ser bastante prático e, além do mais, universal, isto é, aceito por todos os biólogos.
A primeira tentativa conhecida de classificação foi realizada pelo filósofo grego Aristóteles (384-322 a.C.). Aristóteles trabalhou principalmente com animais e classificou várias centenas de espécies. Ele dividia os animais em dois grandes grupos: animais com sangue e animais sem sangue; cada um desses grupos ainda apresentava subdivisões. Um discípulo de Aristóteles, Teofrasto, descreveu todas as plantas conhecidas no seu tempo, incluindo dados sobre o seu valor medicinal. Um dos critérios de Teofrasto, ao classificar as plantas, foi o tamanho: ele as dividia em árvores, arbustos, subarbustos e ervas.

Nomenclatura dos Seres Vivos

De Aristóteles até o começo do século XVIII, houve pouco progresso. Foram elaborados alguns sistemas de classificação, porém sem muito sucesso. Os critérios variavam de acordo com o biólogo. Alguns, por exemplo, classificavam os animais de acordo com seu modo de locomoção; outros conforme a região geográfica em que viviam, etc. De qualquer maneira, a falta de comunicação entre os naturalistas impossibilitava a adoção de um sistema único, com critérios aceitos por todos.

Em 1735, um botânico sueco, Carolus Linnaeus (Lineu) (1708 – 1778) publicou um trabalho, o systema naturae. Este trazia um sistema de classificação que Lineu utilizava para organizar espécimes em coleções, através da morfologia desses organismos. Este sistema de classificação era baseado em dois princípios: o uso de categorias de classificação, constituindo uma hierarquia. Propostas por Lineu: Reino, Classe, Ordem, Gênero, Espécie.

No sistema de Lineu, dentro do reino cabem várias classes; numa classe, várias ordens; em cada ordem, alguns gêneros e, num gênero, diversas espécies. O critério de classificação era a semelhança existente entre os organismos.

Um dos grandes méritos de Lineu foi o de ter muitas vezes encontrado, ao ordenar os organismos, semelhanças e diferenças realmente significativas, não se limitando apenas ao estudo da morfologia externa. Por exemplo, a maioria dos taxonomistas antes de Lineu havia classificado baleias e golfinhos entre os peixes, devido à sua semelhança superficial. Lineu, no entanto, percebeu que certas características reprodutivas desses animais os aproximavam muito mais dos mamíferos terrestres do que dos peixes, e assim os incluir entre os mamíferos.

É importante entender também que Lineu, como a maioria dos naturalistas de sua época, era fixista, isto é, acreditava que o número de espécies na natureza fosse fixo, tendo permanecido constante desde sua criação. Achava ele ainda que as espécies permaneciam sem modificação ao longo dos tempos. O sistema lineano foi frequentemente reorganizado. De fato, apesar de minucioso para a época, ele se revelou bastante imperfeito, especialmente na divisão dos animais, que eram agrupados em seis classes:

Mamíferos, Aves, Anfíbios, Peixes, Insetos e Vermes. Sabendo hoje que os invertebrados representam 95% das espécies conhecidas; no entanto, Lineu classificava-os em apenas dois grupos (Insetos e Vermes). Desde o tempo de Lineu, muitos biólogos acumularam dados minuciosos de observação sobre os organismos, em particular informações de anatomia comparada. Além disso, um número muito grande de espécies novas foi descrito.

Usando como base as semelhanças e diferenças entre os organismos, os biólogos tentaram aperfeiçoar a classificação original de Lineu, modificando-a várias vezes.

O sistemas contemporâneos focalizam a classificação sob um ponto de vista evolutivo, bem diferente portanto do enfoque fixista de Lineu. Mesmo assim, as linhas gerais da classificação lineana continuam sendo usadas; as cinco categorias originais, acrescidas de mais duas (Filo e Família), continuam em uso. De fato, devido ao grande número de organismos descritos depois de Lineu, tornou-se necessária uma subdivisão das cinco categorias. Assim, atualmente usam-se:
•            Reino
• Filo
•            Classe
•            Ordem
•            Família
•            Género
•            Espécie

Em certos casos, os especialistas acham que estes sete grupos não são suficientes; usam-se então categorias adicionais, como subfilo, superclasse, subespécie.

OBSERVAÇÃO:

Nos casos de denominação específica em homenagem a pessoa célebre do próprio país onde se vive, consente-se o uso da inicial maiúscula. No Brasil, há quem escreva: Trypanosoma Cruzi (protozoário causador da doença de Chagas), já que o termo Cruzi é a transliteração latina do nome de Osvaldo Cruz, um dos pesquisadores daquela doença, que se notabilizou como figura exponencial na medicina brasileira.

São da mesma espécie os indivíduos que apresentam:
•            profundas semelhanças estruturais e funcionais;
•            similaridades bioquímicas;
•            o mesmo cariótipo;
•            capacidade de reprodução entre si.

No reino animal, a diferença na quantidade e na distribuição do vitelo no ovo condiciona a existência de dois tipos básicos de segmentação:
•            Holoblástica: ocorre no ovo todo;
•            Meroblástica: ocorre só em parte do ovo.

Isso ocorre pois a velocidade de divisão da célula é menor quanto maior for a quantidade de vitelo.
Dependendo do número de folhetos embrionários, os animais podem ser classificados em:
•            diploblásticos ou diblásticos: possuem apenas dois folhetos embrionários. Apenas dois grupos são formados por animais diploblásticos: esponjas e cnidários; (ectoderme e endoderme).
•            triploblásticos ou triblásticos: possuem três folhetos embrionários, (ectoderme, mesoderme e endoderme).