Protozoários: Classes e Filos; Malária: Contaminação, Transmissão e Sintomas


As classes de protozoários são:

•            Flagelados ou mastigóforos – dotados de flagelos, com os quais realizam movimentos muitos ativos.
•            Ciliados ou cilióforos – portadores de cílios e também apresentando movimentos intensamente ativos.
•            Rizópodos ou sarcodíneos – desprovidos de flagelos e de cílios, mas capazes de se deslocar por meio de pseudópodos.
•            Esporozoários – sem qualquer organela de locomoção. São, geralmente, parasitas do sangue e transportados pela própria circulação sanguínea.

Protozoários: Classes e Filos

Filo Sarcomastigtphera

Os protozoários flagelados podem revelar um ou dois flagelos comumente. Entretanto, existem alguns com seis, oito ou até dezenas de flagelos. Alguns são parasitas da espécie humana, ocasionando doenças cujo grau de gravidade varia bastante. A doença de Chagas é causada pelo protozoário Trypanosoma cruzi, transmitido pelo inseto da ordem dos hemípteros, o Triatoma infestans, conhecido popularmente por barbeiro.

Os barbeiros vivem normalmente em fendas e orifícios no chão e nas paredes de casas de pau-a-pique ou, ainda, entre a palha da cobertura dessas casas. Têm hábito noturno, saindo à noite à procura de alimento. Em geral, eles picam as pessoas no rosto, pois, com frequência, é a porção do corpo que normalmente fica descoberta durante o sono.

Foi em função de picar o rosto das pessoas durante a noite que o Triatoma passou a ser vulgarmente denominado barbeiro. Estes insetos têm como característica defecar enquanto picam, eliminando juntamente com as fezes os tripanossomos. A picada provoca irritação da pessoa, que coça o local, espalhando as fezes contaminadas sobre o ferimento. Os protozoários penetram a corrente sanguínea e instalam-se em tecido muscular, preferencialmente no coração. Neste órgão perdem o flagelo, tornam-se arredondados e reproduzem-se assexuadamente por bipartição, dando origem a muitos indivíduos.

Nas fibras musculares do coração formam-se vários “ninhos” de tripanossomos, os quais prejudicam o funcionamento desse órgão, levando à insuficiência cardíaca, que pode levar a morte. Depois dessa fase de intensa reprodução assexuada no tecido muscular, alguns tripanossomos voltam a apresentar a forma flagelada típica, passando para a corrente circulatória. Ao ser picado pelo Triatoma, o indivíduo doente transmite o parasita para o inseto. No corpo do barbeiro, o Trypanosoma instala-se nas porções finais do intestino, dividindo-se assexuadamente por bipartição, dando origem a várias formas infestantes. O modo mais eficiente de se erradicar a doença de Chagas é eliminar o barbeiro. Uma das formas para isso é evitar a construção de casas de pau-a-pique.

As amebas utilizam os pseudópodos não só para a locomoção, mas também para apreensão dos alimentos (fagocitose). O nome rizópodo vem do grego rhizos raiz, e podos, pés. Esses protozoários caracterizam-se principalmente pela presença de expansões citoplasmáticas chamadas pseudópodes (falsos pés), que são os responsáveis pela movimentação desses organismos, além disso, podem estar envolvidos na captura de alimentos (fagocitose).

A MALÁRIA

A malária é uma grave parasitose que afeta mais de 200 milhões de pessoas em todo o mundo, especialmente em regiões tropicais. É causada por um protozoário do grupo dos esporozoários, do gênero Plasmodium, que ataca células do sangue e células de órgãos como o fígado, o baço e a medula vermelha dos ossos.

A transmissão se dá pela picada da fêmea de um mosquito, o Anopheles, popularmente conhecido como mosquito-prego. Os parasitas ficam nas glândulas salivares do inseto e são diretamente inoculados pela tromba na circulação humana, no ato da picada.

Os plasmódios penetram inicialmente nas células do fígado e do baço, órgãos nos quais ocorre sua reprodução assexuada durante alguns dias. Em seguida, os parasitas migram para o sangue circulante e penetram nas hemácias, onde também sofrem reprodução assexuada. Ao se completar essa fase reprodutiva, que no caso do Plasmodium (vivax) dura 48 horas, as hemácias se rompem, liberando os protozoários que penetram em outras hemácias e recomeçam o ciclo. O rompimento dos glóbulos vermelhos libera também toxinas no plasma sanguíneo. Surgem então tremores, suor e febre, típicos dos ataques de malária. Como o intervalo entre esses ataques de febre é mais ou menos constante, a malária é também chamada de “febre terçã”, já que se manifesta a cada três dias.

No interior de algumas células vermelhas podem aparecer formas sexuadas do parasita, que se diferenciarão em gametas somente se atingirem o estômago do mosquito. Isso acontece quando o inseto suga o sangue de uma pessoa doente. Os gametas se fecundam na luz do estômago, e o ovo assim produzido se encista na parede do órgão. Cada ovo origina por reprodução assexuada muitos plasmódios, alguns dos quais atingem as glândulas salivares do inseto, podendo daí ser inoculados em seres humanos.

Assim, no ciclo do plasmódio, há vários tipos de reprodução assexuada (no fígado, nas hemácias, na parede do estômago do inseto) e um tipo de reprodução sexuada que ocorre na luz do estômago do Anopheles. A malária, também chamada maleita ou impaludismo, causa anemia, enfraquecimento geral, graves lesões no fígado, baço e medula óssea, além de estado de prostração durante e após as crises. O que foi descrito até agora vale para o Plasmodium vivax, que é a espécie mais comum.

Há no entanto o Plasmodium falciparum, que provoca a febre terçã maligna, muito mais perigosa, uma vez que as hemácias parasitadas aglutinam-se e causam obstrução de vasos, especialmente os cerebrais. Surgem, assim, lesões graves, com fortes dores de cabeça, distúrbios sensoriais e motores, convulsões e, frequentemente, a morte.

O Plasmodium malariae causa a febre quarta, pois os acessos febris ocorrem com intervalos de 72 horas. A profilaxia abrange medidas de saneamento para erradicação do inseto, cujas larvas são aquáticas, além do uso preventivo de quinino e derivados por via oral.