Parasitoses Humanas: Protozooses, Amebíase, Doença de Chagas e Malária


Protozoose é a denominação geral dada a qualquer doença transmissível provocada por protozoários.

Amebiase ou disenteria amebiana

Amebíase é uma protozoose de ampla distribuição, produzida por uma das amebas que parasitam habitual­mente o homem: Entamoeba histolytica. Foi diagnosti­cada pela primeira vez em 1875 por Loech, médico rus­so de São Petersburgo (hoje Leningrado), que encontrou o parasito nas fezes de um camponês com disenteria agu­da. A palavra amebíase costuma ser usada para designar a presença de Entamoeba histolytica no organismo de qualquer vertebrado. Na maioria dos casos humanos, o parasitismo por essa ameba não produz sintomatologia. Nos casos sintomáticos, a disenteria amebiana repre­senta apenas uma das modalidades clínicas da doença que, além da colite amebiana aguda ou crônica, pode produzir abcessos amebianos no fígado, nos pulmões, no cérebro e em outros órgãos e, mais raramente, ulcera­ções cutâneas ou outros tipos de lesões. Clinicamente, a doença é importante por ocorrer em uma ampla área geográfica, ter elevada incidência, cau­sar padecimentos sérios e eventualmente ser fatal.

Parasitoses Humanas

Ciclo parasitário

As amebas intestinais apresentam um ciclo relativa­mente simples. A infecção começa com a ingestão de formas resistentes, os cistos tetranucleados, geralmente com água ou alimentos contaminados por fezes de indi­víduos portadores de Entamoeba histolytica. O desencistamento ocorre no intestino delgado do novo hospedeiro. Ali, de cada cisto tetranucleado, for­mam-se oito pequenas amebas com um só núcleo (fase metacística ou “minuta”) que se alimentam e crescem na luz intestinal para alcançarem a fase trofozoítica (for­ma patogênica).

Trofozoítos são as formas patogênicas de Entamoeba histolytica. As amebas maduras fagocitam bactérias e outras par­tículas nutritivas do meio e podem multiplicar-se indefi­nidamente na luz do intestino grosso. Em certo momen­to, algumas formas trofozoíticas reduzem sua atividade, deixam de emitir pseudópodes e de fagocitar, diminuem de tamanho e arredondam-se, constituindo a forma pré-cística. Em torno das amebas pré-císticas é segregado um envoltório resistente, a parede cística. O núcleo en­tão se divide duas vezes, para que as amebas pré-císti­cas se constituam novamente em cistos típicos (tetranucleados), por meio dos quais podem resistir às condi­ções do meio externo e propagar-se. Os cistos elimina­dos com as fezes do doente podem contaminar a água ou o alimento como verduras e frutos, fechando o ciclo.

Tripanossomose americana ou doença de Chagas

O agente causador é o protozoário flagelado Trypa-nosoma cruzi, que determina, no homem, quadros clíni­cos com características e consequências muito variadas. Destacam-se, por sua gravidade, a cardiopatia chagásica e as dilatações de órgãos cavitários (megaesôfago, megacólon, etc.). A elevada mortalidade é causada princi­palmente pelas lesões cardíacas, na fase crónica da doença.

Em 1908, Carlos Chagas encontrou pela primeira vez os flagelados no intestino de insetos triatomíneos, em Lassance, Minas Gerais. Suspeitando que esses insetos pudessem transmitir o parasito ao homem ou a outros animais, inoculou macacos, que desenvolveram a parasitose e uma doença febril. Desse modo, Chagas con­seguiu estabelecer a etiolo­gia e o ciclo parasitário, descrever a doença, identi­ficar reservatórios domésti­cos e silvestres da nova tripanossomose, bem como estudou e diagnosticou o primeiro caso humano do, posteriormente conhecido, mal de Chagas. Dr. Carlos Justiniano Ribei­ro Chagas(1879-1934).

Ciclo vital do Trypanosoma cruzi

O protozoário é eliminado pelas fezes do inseto conta­minado, conhecido como barbeiro, do gênero Triatoma, sob a forma tripomastigota metacíclica, enquanto se alimen­ta ou logo após alimentar-se do sangue humano. Essas formas infectantes podem penetrar por abrasões da pele provocadas pelo ato de coçar; pelo orifício da picada do barbeiro ou, ainda, pelas mucosas, quando o homem leva as mãos contaminadas aos olhos ou ao nariz. Após a penetração, os tripomastigotas metacíclicos são fagocitados por macrófagos, perdem o flagelo e a membrana ondulante e tornam-se amastigotas, forma esférica ou ovalada, sob a qual se reproduzem por divisão binária até que os macrófagos fiquem repletos. Os parasites en­tão readquirem o flagelo e a membrana ondulante, tor­nando-se tripomastigotas, que rompem a célula hospe­deira e disseminam-se para o restante do organismo pela circulação sanguínea. Atingindo o coração, o esôfago ou o cólon, penetram nas fibrilas musculares e repetem o ciclo intracelular.

Quando os barbeiros se alimentam do sangue de uma pessoa infectada, ingerem os tripomasti­gotas que, chegando nas porções anteriores do intestino do inseto convertem-se em epimastigotas e se reprodu­zem ali por divisão binária. Chegando na porção termi­nal do intestino do barbeiro, voltam à forma tripomasti­gota. Essas novas formas tripomastigotas, altamente móveis, delgadas e infectantes, são as formas metacícli-cas eliminadas nas fezes do vetor.

Ciclo vital de Trypanosoma cruzi

O homem é o hospedeiro defini­tivo e o barbeiro é o hospedeiro intermediário na doença. Como reservatórios naturais do protozoário, encontram-se gatos, macacos, tatus, gambás e roedores.

Protozoário  causador

As espécies que parasitam o homem são quatro:
•         Plasmodium falciparum – responsável pela fe­bre terçã maligna, com acessos febris a interva­los de 36 a 48 horas;
•         Plasmodium vivax – agente da febre terçã benig­na, com ciclo de 48 horas;
•         Plasmodium ovale – com distribuição limitada ao continente africano e responsável por outra forma da febre terçã benigna, também com ciclo
de 48 horas;
•         Plasmodium malariae – causa a febre quarta, que se caracteriza pela ocorrência de acessos febris a cada 72 horas.

Mosquito  transmissor

O plasmódio tem como hospedeiro definitivo o mos­quito do género Anopheles. O mosquito tem esse título (hospedeiro definitivo) porque a reprodução sexuada do protozoário ocorre no interior de seu tubo digestivo, pre­cisamente no estômago. O homem é, então, o hospedei­ro intermediário. Apenas as fêmeas são hematófagas e transmitem a doença. Aqui no Brasil o anofelino é co­nhecido como “mosquito-prego”. O mosquito Anopheles ao picar, curiosamente levan­ta o abdome, colocando-se em uma posição característi­ca, que lhe valeu o ape­lido de “mosquito-pre­go”. Quando contami­nado, injeta no homem as formas evolutivas do plasmodium, denomi­nadas de esporozoítos.

Malária

Também denominada de impaludismo e de febre in­termitente, no Brasil, a doença é conhecida por diver­sos nomes populares: maleita, sezão, tremedeira, bate­deira ou simplesmente febre, a malária continua sendo uma das mais importantes doenças parasitárias.