Serpentes


Popularmente conhecidas como cobras, as serpentes são répteis de sangue frio. Fazem parte do filo Chordata, classe Reptilia e ordem Squamata (possuem escamas). Embora não tenham patas, esses animais conseguem se locomover, com rapidez, deslizando o corpo alongado. Algumas vivem em ambientes terrestres, enquanto outras são aquáticas, moram em rios e mares. São animais ectotérmicos, porque a temperatura do corpo varia conforme o ambiente onde estão.

Serpentes

Em regiões de climas quentes, prevalecem as espécies endêmicas ovíparas, aquelas que colocam ovos, tais como a falsa coral e as pítons. Onde o clima é temperado, vivem as serpentes vivíparas, que mantém os filhotes dentro do corpo durante o período de gestação, como a jiboia, sucuri, cascavel e jararaca.

Nem todas as serpentes venenosas são consideradas peçonhentas, pois várias espécies não possuem dentes para inocular o veneno. A maior parte dos casos de ofidismo, acidentes envolvendo cobras peçonhentas, no Brasil, está relacionada a picadas de jararacas. Outras cobras venenosas bastante conhecidas são a cascavel e coral verdadeira. Porém, a maioria das serpentes brasileiras não é venenosa. Cerca de 30% das cobras encontradas no Brasil são classificadas como peçonhentas.

Características gerais das serpentes

1. Mandíbula: as serpentes possuem enorme capacidade para abrir as mandíbulas. Com isso, elas conseguem engolir presas grandes, muitas vezes, maiores do que elas próprias. Isso é possível porque a mandíbula das serpentes possui articulação dupla, o que possibilita tamanha abertura da boca. As duas partes da mandíbula estão presas somente a um ligamento, o qual, por ser muito elástico, possibilita uma grande abertura. Dessa forma, as serpentes ingerem as presas com facilidade.

2. Ausência do esterno: serpentes não possuem o esterno, osso existente em animais vertebrados, cuja função é unir as costelas. As cobras possuem cerca de 300 costelas e, como elas ficam livres, elas conseguem expandir o diâmetro do corpo ao engolir grandes presas. Durante esse processo, as serpentes não ficam sufocadas, sem ar, porque existe uma abertura na traqueia, abaixo da língua. Essa característica garante às serpentes a capacidade para respirar enquanto ingerem as presas.

3. Digestão longa: as serpentes, após se alimentarem, precisam de um tempo longo para conseguir digerir a presa, principalmente, quando essas são maiores do que elas. O sistema digestivo das serpentes consegue digerir praticamente todas as partes da presa, eliminando somente as garras e pelos dos animais engolidos. Após completar a digestão, as serpentes eliminam os restos de alimento e o ácido úrico.

4. Sentidos: como não possuem canal auditivido (ouvidos), as serpentes conseguem identificar os barulhos através das vibrações captadas no solo. Serpentes possuem língua bífida, ou seja, uma língua dividida em duas partes, responsável por dois sentidos das cobras, olfato e o tato. Tocando a língua na superfície, as serpentes captam partículas que mostram o rastro de presas e possibilitam reconhecer o sexo de outras cobras (macho ou fêmea). O mecanismo que possibilita essa identificação é o órgão de Jacobson, formado por orifícios, no céu da boca das serpentes, e conectados às estruturas olfativas. Entre os olhos e as narinas das serpentes, existe uma depressão denominada fosseta lacrimal ou loreal, que capta as oscilações da temperatura ambiente. É mais uma característica que ajuda as serpentes a perceberem a presença de outros animais.

Serpentes peçonhentas

As serpentes peçonhentas possuem glândulas de veneno na cabeça. Um canal liga essas glândulas aos dentes situados no maxilar superior, por onde sai o veneno, na hora do ataque. O veneno de cobra possui neurotoxinas, substâncias que destroem o sistema nervoso da presa, hemotoxinas, que provocam hemorragia, e enzimas proteolíticas, que causam danos aos tecidos. Outra substância potente é a miotoxina, que destrói as células dos músculos.

As najas, por exemplo, além de injetar o veneno, são capazes de lançar um jato de veneno até três metros de distância. Não é à toa que as najas também são chamadas de serpentes cuspideiras.

Serpentes áglifas, como a sucuri e a jiboia, não possuem dentes para inocular veneno. Matam a presa por constrição, ou seja, elas se enrolam no corpo do animal abatido, o que provoca a paralisação do fluxo de sangue. Sem circulação sanguínea normal, o oxigênio não chega ao coração e ao cérebro, por isso, as presas morrem.

Serpentes solenóglifas e proteróglifas possuem dentes injetores de veneno. Fazem parte do grupo das solenóglifas, cobras como a cascavel, surucucu e a jararaca, as quais, ao atacar a presa, inoculam potentes venenos. A coral verdadeira pertence ao grupo das proteróglifas.

Após a picada de cobra, é importante não movimentar o corpo para não espalhar o veneno. A vítima deve ser levada, o mais rápido possível, ao hospital ou pronto-socorro para receber o soro antiofídico. Não amarre nem faça cortes no local da picada. Também não aplique medicamentos sobre a lesão. A única coisa a fazer é buscar ajuda médica o quanto antes.

Para evitar acidentes, é necessário usar botas de cano alto, ao percorrer áreas de mata. Ao fazer limpeza em quintais e locais com muito entulho, use luvas grossas e longas, mas não introduza as mãos em buracos, canos e lugares escuros que possam servir de esconderijo para cobras.