Sistema Excretor e Sistema Nervoso: Características, Funções e Concepções nos Humanos


Sistema excretor

Excreção é a eliminação de substâncias nitrogenadas tóxicas, produzidas no metabolismo orgânico, deno­minadas excretas, como é o caso da amônia, do ácido úrico e da ureia. A principal excreta eliminada pelo sistema urinário humano é a ureia, a qual é produzida a partir da desaminação de aminoácidos, que ocorre, principalmente, no fígado. A degradação de outros compostos orgânicos, como bases nitrogenadas, também gera amônia, que é transformada em ureia. Esta é liberada no sangue e eli­minada pelos rins, por meio da urina.

Sistema Excretor e Sistema Nervoso

Sistema  urinário humano

Os rins produzem a urina, que, pelos ureteres, che­ga à bexiga urinária, onde permanece armazenada até que esta atinja certo grau de enchimento. Os rins huma­nos têm a forma de grãos de feijão, parcialmente cober­tos pelo estômago e pelo fígado. Cortando-se um rim de mamífero, observa-se que ele apresenta três camadas: uma externa, o córtex (camada do meio), onde estão as unidades filtradoras – os néfrons – e a medula (camada interna), por onde passam os túbulos.

Nófron – a unidade filtradora

Os rins são constituídos por unidades microscópicas denominadas de néfrons. Estima-se que cada rim apre­sente mais de um milhão de néfrons, os quais são respon­sáveis pela filtração do sangue e pela remoção das ex­creções. O néfron é uma longa estrutura tubular que apre­senta, em uma das extremidades, uma pequena expansão em forma de taça, a cápsula renal (antes denominada cápsula de Bowman). Esta se conecta com o túbulo con­torcido proximal, que continua pela alça néfrica (antiga alça de Henle) e pelo túbulo contorcido distai, o qual, por sua vez, desemboca em um dueto coletor.
Além da função excretora, os rins também são res­ponsáveis pela osmorregulação, controlando a elimina­ção de água e sais na urina e, dessa forma, mantendo a tonicidade do sangue adequada às necessidades das cé­lulas.

O sangue chega aos rins pela artéria renal, que se ramifica dentro dele, originando grande número de arteríolas aferentes. Cada uma dessas arteríolas ramifica-se no interior da cápsula renal do néfron, formando um eno­velado de capilares denominado de glomérulo renal ou glomérulo capilar (antigo glomérulo de Malpighi).

Filtração  renal

Através das finas paredes do glomérulo renal, extra­vasam diversas substâncias presentes no sangue, como água, ureia, glicose, aminoácidos, sais e diversas outras moléculas de pequeno tamanho. Essas substâncias pássam por entre as células da parede da cápsula renal e atingem o túbulo contorcido proximal, constituindo o fil­trado glomerular – ou urina inicial -, que é semelhan­te, em composição química, ao plasma sanguíneo, com a diferença de que não apresenta proteínas, incapazes de atravessar os capilares glomerulares. Diariamente, pas­sam pelos rins de uma pessoa quase 2 000 litros de san­gue, que originam cerca de 160 litros de filtrado glome­rular.

Reabsorção  renal

A urina inicial desloca-se pelo túbulo contorcido pro­ximal, pela alça néfrica e pelo túbulo contorcido distai e é, finalmente, lançada em um duto coletor. Durante esse percurso, as paredes dos túbulos renais reabsorvem gli­cose, vitaminas, hormônios, parte dos sais e a maior parte da água que compunham a urina inicial.

As substâncias reabsorvidas passam para o sangue dos capilares que envolvem o néfron. Esses capilares originam-se a partir da ramificação da arteríola eferen-te, pela qual o sangue deixa a cápsula renal. A ureia, principal constituinte da urina, não é reabsorvida pelas paredes do néfron.

Eliminação  da urina

Os néfrons desembocam em dutos coletores de uri­na. Estes originam um canal único, o ureter, que deixa o rim em direção à bexiga urinária. A bexiga urinária é uma bolsa de parede elástica de musculatura lisa, cuja função é acumular a urina produzida nos rins, a qual é eliminada periodicamente pela uretra.

Sistema  nervoso

O sistema nervoso, exclusividade dos animais, utili­za-se de mensagens elétricas que percorrem os nervos, de modo mais rápido que os hormônios que percorrem o sangue. Além da coordenação e do controle de diversas funções do organismo, o sistema nervoso permite que seres vivos reajam de modo rápido a estímulos do meio ambiente. Os vertebrados têm sistema nervoso dorsal bastante centralizado, protegido por estruturas ósseas ou cartila­ginosas. Além do encéfalo bem desenvolvido, localiza­do na caixa craniana, apresentam, no interior da coluna vertebral, a medula espinhal (espinal ou, ainda, raquidiana), que é atravessada por um estreito canal central per­corrido por líquido, diferentemente dos maciços cordões nervosos dos invertebrados.

Sistema  nervoso humano

O sistema nervoso humano é dividido em sistema nervoso central (SNC) e sistema nervoso periférico (SNP). O sistema nervoso central é constituído pelo en­céfalo, que está alojado no interior do crânio, e a medu­la espinhal, situada no interior de um canal existente na coluna vertebral. Tanto o encéfalo quanto a medula espi­nhal estão protegidos por três camadas de tecido conjun­tivo, as meninges.

A região do sistema nervoso onde predominam os corpos celulares dos neurônios tem coloração acinzenta­da, sendo conhecida por substância cinzenta. Na região onde há maior quantidade de fibras (axônios e dendri-tos), a coloração é branca e forma a substância branca, em que não há corpos celulares, apenas células da glia e prolongamentos de neurônios. No encéfalo, a substância cinzenta é mais externa que a substância branca; na me­dula espinhal, essa distribuição é inversa: a substância cinzenta é circundada pela substância branca.

Tronco encefálico – formado pelo mesencéfalo, ponte e bulbo raquidiano (medula oblonga). Co­necta o cérebro à medula espinhal. Mesencéfalo – está ligado ao controle de dados de contração dos músculos, da postura e é res­ponsável por certos reflexos. Ponte – consiste de fibras nervosas que ligam o córtex cerebral ao cerebelo. Bulbo raquidiano – é responsável pelos movi­mentos da musculatura do coração, dos músculos respiratórios e da musculatura do tubo digestório. O encéfalo é constituído por cérebro – que se divide em dois hemisférios cerebrais -, cerebelo, tálamo, hipotálamo e tronco encefálico.

Sistema nervoso periférico (SNP)

Formado por nervos e gânglios, conecta o sistema nervoso central às diversas partes do corpo. Os nervos podem ser classificados em sensitivos (ou aferentes), motores (ou eferentes) e mistos. Os sensiti­vos conduzem impulsos nervosos das células sensitivas para o sistema nervoso central. Os motores conduzem impulsos do sistema nervoso central até os músculos. Já nos mistos, os impulsos caminham nos dois sentidos. Nervos ligados ao encéfalo são denominados de nervos cranianos (doze pares) e nervos ligados à medula espi­nhal denominam-se nervos espinais ou raquidianos (31 pares).

Organização geral da estrutura cerebral

Observe, a seguir, as principais funções das partes que compõem o sistema nervoso humano.
•        Cérebro – centro da inteligência e do aprendizado.
•         Cerebelo – responsável pela manutenção do equilíbrio corporal.
•        Tálamo – atua como estação retransmissora de impulsos nervosos para as regiões apropriadas do cérebro, onde elas devem ser processadas.
•        Hipotálamo – principal centro integrador das ativídades dos órgãos viscerais e responsável pela homeostase do corpo. Controla a temperatura, o apetite e o balanço de água no corpo, além de estar envolvido no comportamento emocional e sexual.

Os nervos espinhais estão dispostos aos pares ao lon­go da medula espinhal, em duas “raízes”: uma localiza­da em posição mais dorsal e outra, em posição mais ventral. A raiz dorsal é formada por fibras sensitivas e a ventral, por fibras motoras.

Divisões do sistema nervoso periférico

Diversas atividades do sistema nervoso são conscien­tes e estão sob o controle da vontade – atividades volun­tárias. Muitas outras, porém, ocorrem independentemente da vontade, ou seja, são autônomas ou involuntárias.

•         Sistema nervoso periférico voluntário ou so­mático – é constituído por neurônios motores com função de reagir a estímulos externos. Os
corpos celulares ficam dentro do sistema nervo­so central e os respectivos axônios vão diretamente do encéfalo ou da medula até o órgão efe-
tuador.
•         Sistema nervoso periférico autônomo ou vis­ceral – sua função é controlar a atividade do sistema digestório, cardiovascular, excretor, endócrino, etc. O SNP autónomo é dividido nos ramos simpático e parassimpático.

Os gânglios nervosos das vias simpáticas localizam-se ao lado da medula espinhal, distantes, portanto, do órgão efetuador. Já os gânglios das vias parassimpáticas ficam distantes do sistema nervoso central e próxi­mos, ou mesmo dentro, do órgão efetuador. As fibras nervosas simpáticas e parassimpáticas inervam os mesmos órgãos, mas trabalham em antagonismo. Enquanto um dos ramos estimula determinado órgão, o outro o inibe. Essas atividades opostas mantêm o funciona­mento equilibrado dos órgãos internos.