Tecido Nervoso: Neurônios, Gliócitos e Sinapse


Durante o pro­cesso evolutivo, os organismos vivos foram aperfeiçoando sistemas capazes de receber, transmitir, às vezes interpretar e responder a estí­mulos do meio. Uma planta é capaz de dar respostas a diferentes agentes excitantes: um girassol, por exemplo, por meio do fototropismo, acompanha a presença de luz no meio; as hifas dos fungos penetram no substrato por afinidades químicas. Os animais são os organismos que melhor aperfeiçoa­ram esse tipo de mecanismo de resposta. Eles desenvol­veram um sistema muito apurado e eficiente para a rea­lização dessa atividade – o sistema nervoso.

Tecido Nervoso

Os primeiros animais da escala zoológica a apresen­tar um sistema nervoso, embora sem uma organização, foram os cnidários. O próximo grupo de animais, o dos platyhelminthes, apresenta nervos e gânglios cerebróides. Com eles, surge a encefalização, isto é, a centrali­zação dos órgãos dos sentidos na cabeça.

O tecido nervoso, cuja célula típica é o neurônio, deriva da ectoderme. Nesse tecido, existem também os gliócitos (neuroglias). Os neurônios são formados por corpo celular ou pericário, axônio e dendritos.

Neurônios

Em alguns pontos do axônio mielinizado, o estrato mielínico sofre uma constrição – o nó neurofibroso (nó­dulo de Ranvier).
•         Corpo celular ou pericário – apresenta um nú­cleo arredondado e grande, no qual existem to­dos os organóides típicos de uma célula animal. As mitocôndrias são abundantes e o retículo endoplasmático é muito desenvolvido.
•         Axônios – são projeções filamentosas extremamen­te finas, que podem ser milimétricas ou atingir cerca de um metro. A extremidade do axônio apresenta uma pequena dilatação, com vesículas microscópi­cas, nas quais encontram-se os neurormônios. Envolvendo os axônios, em toda sua extensão, estão os oligodendrócitos (células de Schwann). Na maioria dos axônios, os oligodendrócitos enrolam-se, formando uma espiral. Essas células determinam a produção de um reves­timento de natureza lipídica – o estrato mielínico (bainha de mielina) – que atua como isolante elétrico, auxiliando na transmissão do impulso nervoso que é celulífugo. Axônios que apresentam bainha de mielina são chamados de mielinizados. Alguns axônios não apresentam o estrato mielínico e, por isso, são conhecidos como amielinizados.
• Dendritos – formam extensas ramificações que facilitam o contato entre as células nervosas.

Os prolongamentos (axônios e dendritos) dos neurô­nios formam as neurofibras (fibras nervosas), que são envoltas por uma membrana conjuntiva, o endoneuro. As neurofibras organizam-se em feixes que são revesti­dos também por uma membrana conjuntiva, o perineuro. Os agrupamentos desses vários feixes dispostos pa­ralelamente compõem o chamado nervo, que também é revestido por uma membrana conjuntiva, o epineuro.

Gliócitos

Gliócitos são células que auxiliam ou apoiam os neu­rônios na realização de suas funções. São as células gliais que realizam a nutrição, a sustentação, a defesa e a retira­da de restos celulares por fagocitose. São exemplos de células gliais os(as)
•         astrócitos – células maiores, ricas em prolon­gamentos que podem apresentar-se com a ex­tremidade espessa para envolver os capilares sanguíneos;
•         astrócitos protoplasmáticos – presentes na subs­tância cinzenta do sistema nervoso central;
•         astrócitos fibrosos – presentes na substância branca, têm por função participar de processos de cicatrização do tecido nervoso, pois ocupam o local lesionado;
•         oligodendrócitos – apresentam uma menor quan­tidade de prolongamentos; estão presentes tanto
na substância cinzenta quanto na branca; microglia – célula de aspecto espinhoso que realiza a fagocitose no tecido nervoso, apresenta a região central alongada e com várias ramificações curtas.

Transmissão  dos  impulsos  nervosos

Ao longo do neurônio, ocorre um processo de transmissão do impulso nervoso que provoca transformações químicas e elétricas ao longo do neurônio, sempre no sentido celulífugo (axônio-dendrito). Como a maioria das membranas, a do neurô­nio apresenta a superfície externa com carga elétrica positiva e face interna com carga elétrica negativa (potencial de repouso). As células precisam que o equilíbrio elétrico seja mantido, por isso o transporte ativo – bomba de sódio e potássio – mantém a polaridade da membrana. Quando o neurônio recebe um estímulo, a membrana torna-se mais permeável ao sódio e inverte a polaridade naquela região. Tem-se nesse instante o potencial de ação. A transmissão do impulso obedece à lei do tudo ou nada, isto é, não interessa a intensidade ou o tipo de estímulo, pois quando o neurônio atinge o seu pontecial de ação, transmite o impulso sempre com a mesma intensidade.

Sinapses

Existe uma região de contiguidade – a fenda sináptica -entre dois neurônios ou entre neurônios e órgãos efetuadores. Quando o impulso nervoso alcança essa região, peque­nas vesículas aproximam-se da membrana pré-sináptica e li­beram os mediadores químicos, como a acetilcolina. Os mediadores químicos presentes na fenda sináptica atuam na membrana pós-sináptica, aumentando a permeabilidade do sódio, excitando-a e iniciando a transmissão do impulso no neurônio seguinte.

Logo após a transmissão, substâncias específicas são li­beradas para promover a degradação dos mediadores para que haja necessidade de nova liberação para a transmissão de outro impulso. As sinapses podem ser interneurais, neuromusculares e neuroglandulares.

Arco reflexo

Toda resposta involuntária rápida e imediata do sis­tema nervoso a um estímulo externo qualquer é chama­da de arco reflexo ou ato reflexo. O fato de um bebé com poucos meses de vida segurar firmemente o dedo de sua mãe, assim como a reação de afastar imediata­mente o pé quando se pisa em um prego são exemplos de respostas de defesa por mecanismo de arco reflexo.

A resposta de arco reflexo pode envolver três neurônios: o sensitivo, o associativo e o motor, como mostra a ilustração acima. Quando o médico testa os reflexos do paciente batendo-lhe com um pequeno martelo no joelho, não se envolve o neurônio associativo. Trata-se, portanto, de um ato reflexo simples, do qual participam dois neurônios apenas.

Os atos reflexos simples são unicamente medulares, mas também existem os atos reflexos superiores, que en­volvem a participação cerebral e medular, e outros atos reflexos superiores, que só envolvem a ação medular, dos quais pode-se citar como exemplo a produção excessiva de saliva quando se sente o cheiro de uma boa comida.

O caminho que o impulso percorre, mostrado na ilus­tração anterior, é realizado por nervos raquidianos. Es­ses nervos são classificados como mistos porque apre­sentam uma porção dorsal sensitiva, com gânglio espi­nhal (porção globosa que contém pericário) e uma por­ção ventral motora, sem estrutura ganglionar.

Como o nome evidencia, o transporte do estímulo obedece a um arco. O estímulo entra em um ponto qual­quer na medula pela face dorsal pela raiz posterior (sen­sitiva) do neurônio raquidiano e passa por um nervo as­sociativo (transição) que se localiza na substância cin­zenta da medula (região central em azul escuro). O sis­tema comanda a respectiva resposta, que sai pela face ventral por uma raiz anterior (motora do nervo) raquidiana, até alcançar um órgão efetuador.