Teorias Sobre a Origem da Vida


Origem da Vida

Diversas teorias: A busca de vida em outros planetas e a necessidade de explicar a origem dela são questões que despertam a curiosidade do homem comum e da classe científica.

Cosmogénica ou partspermia: A panspermia foi originalmente postulada por Svante August Arrhenius (1859-1927). Segundo essa teoria, a vida surgiu a partir de microrganismos – os cosmozoários -, que Schultz denominou de biógenos. Estes, conforme a panspermia, caíram na Terra e constituíram a fonte da nova vida.

Teorias Sobre a Origem da Vida

Criacionismo   (vitalismo  ou fixismo)

O criacionismo representa a ideia mais antiga de to­das. Parte da crença de que todos os seres vivos são cria­dos segundo a vontade de um ser supremo conhecido pela maioria das religiões como Deus. Na década de 1970, surgiu o chamado cristianismo científico. Segundo os adeptos dessa corrente, que não acreditam no mutacionismo, a Terra formou-se há al­guns milhares de anos e os seres nela existentes surgi­ram individualmente, mantendo sua forma original -fixismo. Existem algumas teorias que se contrapõem a essa corrente: a Terra surgiu há cerca de 4,5 milhões de anos; os seres sofrem transformações ou mutações; o meio é capaz de selecionar para que esses organismos evoluam.

A nova panspermia surgiu no início da década de 1970 graças às ideias do astrônomo inglês Fred Hoyle e do cingalês (natural da República do Sri Lanka) Na-lin Chandra Wickramasinghe. Eles admitem que a vida foi realmente formada em nuvens proto-estelares. Acre­ditam que “esporos da vida” vieram do espaço inte-restelar protegidos das radiações emitidas pelas estre­las vizinhas. Essas partículas viajaram pelo espaço nos núcleos de cometas até chegarem a sistemas planetá­rios como o nosso, onde lançaram seus meteoritos com “sementes” muito bem protegidas no seu interior para poderem entrar na nossa atmosfera sem queimar. Ao caírem na superfície de um planeta, promoviam o iní­cio de um novo ciclo de vida, pois, de acordo com essa teoria, a vida sempre surge de outra preexistente.

Segundo a teoria da nova panspermia, a todo mo­mento chegam à Terra, na forma de meteorito e poei­ra cósmica, várias moléculas orgânicas complexas e importantes na estrutura orgânica dos seres. Essa hi­pótese sugere que a vida teve origem em um lugar qualquer do espaço sideral.

Abiogênese ou geração espontânea

Grandes pensadores, a exemplo de Aristóteles – fi­lósofo grego que viveu entre 384 e 322 a.C. -, postu­lavam que a vida poderia surgir graças à existência de um “princípio ativo”. De acordo com essa hipótese, existiriam dois princípios: um ativo, que é a forma, e outro passivo, que é a matéria. Aristóteles, por exemplo, chegou a afirmar que os croco­dilos do Rio Nilo surgiam da lama. Outros cientistas aprovei­taram a ideia da geração espon­tânea e descreveram outras for­mas de manifestação do princí­pio ativo. Paracelso explicou como era possível gerar sapos, tartarugas e ratos a partir de ar, água, palha, madeira em decom­posição e outros materiais. Jan Baptist van Helmont (1577-1644) descreveu uma “receita” para se produzi­rem camundongos por geração espontânea.

Biogênese

O princípio da biogênese é o de que todo ser vivo surge de outro preexistente.

Polêmica entre abiogênese e biogênese

Francesco  Redi  (1626-1697)

Em 1668, Redi – médico e biólogo – não concordava com a linha de pensamento da abiogênese, predominante na época, e resolveu promover alguns experimentos a fim de provar que os vermes não se originavam da carne em decomposição. Observe, na sequência, os passos que foram deter­minantes para a primeira grande derrota da abiogênese.

•         Primeira experiência – Redi colocou enguias mortas em uma caixa aberta e, após certo tempo, vermes surgiram e devoraram yas carcaças dos
animais. Quando restou apenas o esqueleto, os vermes abandonaram a caixa sem que o cientista pudesse conhecer o destino deles.
•         Segunda experiência – ele repetiu a experiên­cia anterior: colocou outras três enguias mortas na caixa e, dias depois, lá estavam os vermes. Porém, para descobrir o destino destes, Redi tam­pou a caixa e observou que, após alguns dias, eles ficaram imóveis e ovais. Por fim, esses
“ovos” eclodiram e, deles, surgiram moscas.
•         Terceira experiência – mais uma vez, Redi repe­tiu a experiência, porém com vários pedaços de car­ne, os quais colocou em oito frascos de vidro. Qua­tro deles ficaram abertos e quatro, fechados. De­ pois de alguns dias, os frascos abertos estavam cheios de vermes, mas nos que estavam fechados não havia vermes (experiência controlada).
•         Quarta experiência – para evitar uma contesta­ção de que os frascos fechados haviam quebrado o princípio ativo quando obstruíram a entrada de ar, Redi repetiu a experiência cobrindo os fras­cos com uma gaze fina que permitia a circulação de ar, mas impedia a penetração de moscas. Não
surgiram vermes; o cientista confirmou a origem dos insetos e criou a concepção da biogênese.

Louis  Pasteur  (1822-1895)

Quase duzentos anos depois dos experimentos de Redi, a Academia de Ciências de Paris instituiu uma pre-miação para esclarecer de vez essa situação.
O pesquisador Pasteur já teve bons resultados com processos de esterilização nas vinícolas francesas e foi convidado para resolver o impasse.
Louis Pasteur criou os famosos frascos pescoço de cis­ne. As soluções nutritivas foram colocadas no interior de frascos de vidro, cujos gargalos eram aquecidos até forma­rem uma curvatura semelhante a um pescoço de cisne.

O material foi aquecido até atingir a fervura. Coloca­dos em repouso, os frascos ficaram abertos, permitindo a entrada de ar. O material não ficou contaminado e os de­fensores da geração espontânea ficaram sem argumentação. A conclusão de que, de fato, um ser vivo sempre advém de outro preexistente postulou outra questão: qual a origem do primeiro ser vivo?