Trematódeos, Esquistossomose (Schistosoma mansoni) e Nematelmintos


Platyhelminthes Parasitas Classe Trematoda

Características

Os trematódeos apresentam o corpo alongado ou ovóide, sem divisões e revestido de uma cutícula. Fi­xam-se aos hospedeiros por meio de ventosas. Todos são parasitas e frequentemente endoparasitas de verte­brados. A classe possui aproximadamente 3 000 espécies. As duas espécies mais conhecidas são:
•    Schistosoma mansoni- parasita do ser humano e de outros vertebrados.
•   Fasciola hepática – parasita de carneiros.

Trematódeos, Esquistossomose

Esquistossomose

A esquistossomose é uma verminose causada pelo verme Schistosoma mansoni, originária da África e trazi­da ao Brasil no período da escravatura. A doença carac­teriza-se pela penetração das larvas do verme pela pele ou pelas mucosas de indivíduos que entram em lagoas ou rios para tomar banho, lavar roupa ou até mesmo be­ber água.

A doença acomete pessoas, principalmente dos es­tados da Bahia, Minas Gerais, Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte, Alagoas, Sergipe e Espírito Santo.

Os esquistossomos são vermes dióicos, com acen­tuado dimorfismo sexual. O macho apresentam região anterior do corpo cilíndrica e a posterior achatada apresentando um canal ou sulco (ginecóforo). Os vermes vivem no hospedeiro, o qual é composto de três veias: mesentérica superior, inferior e veia esplénica (do baço). É no sistema porta que os vermes adultos se acasa­lam. A fêmea grávida dirige-se até as veias da região perianal para a postura dos ovos. Cada ovo possui um espinho lateral ou esporão usado para perfurar a parede do vaso sanguíneo e do intestino. Esse ovo passa então para o intestino, de onde é eliminado com as fezes. Se o ovo cair na água, libera a larva miracídio, que pode pene­trar no caramujo, iniciando o ciclo reprodutivo.

Ciclo Evolutivo

As larvas do Schistosoma mansoni (miracídios) pe­netram no hospedeiro intermediário (Hl), que normal­mente é o caramujo de água doce (molusco) do gênero Biomphalaria, família Planorbidae. No caramujo, essas larvas (ciliadas) sofrem transformações, originando esporocistos primários, secundários e novas larvas, cha­madas cercarias, com cauda bifurcada. As cercarias saem do caramujo e nadam na água do rio ou da lagoa até encontrar o hospedeiro definitivo da doençci: o ser humano. Um miracídio origina aproximadamente 300 000 cercarias.

Se alguém beber essa água ou nela se banhar, as cercarias entrarão ativamente pela pele, produzindo uma coceira intensa no local. Atingem a corrente sanguí­nea e chegam às veias do fígado (sistema porta-hepático), onde evoluem para a forma adulta do verme, completando o ciclo. Os ovos passam para o intestino e são eliminados com as fezes. Se alcan­çarem a água, eclodirão depois de alguns dias, dando origem às larvas ciliadas, denominadas miracídios, que para não morrerem necessitam penetrar no hospedeiro intermediário, (o caramujo do gênero Lymnaea sp.) num prazo de 24 horas.

Patologia

No ser humano, a esquistosso­mose causa complicações intestinais, crises hemorrágicas, destruição de células hepáticas, hepatomegalia (au­mento do volume do fígado) e cirrose, podendo atingir o baço, que também fica aumentado (esplenomegalia). A presença dos parasitas provoca a di­latação dos vasos sanguíneos do sis­tema porta-hepático, que perdem lí­quido para a cavidade abdominal e ocasionam um aumento do volume do abdómen, denominado de ascite ou, popularmente, barriga-d’água. Em 1952, observou-se que al­guns roedores podem ser reservató­rios naturais do verme Schistosoma mansoni.

Profilaxia

•   Saneamento básico, evitando con­taminação das águas.
•   Destruição dos caramujos trans­missores com o uso de substân­cias moluscicidas.

As cercarias saem do caramujo, nadam ativamente e após algumas horas, fixam-se na vegetação na margem do lago, perdem a cauda e transformam-se em metacercárias, as quais são protegidas por um cisto capaz de resistir por muito tempo. Se o carneiro ingerir o capim com cistos, estes se rompem e deles saem larvas que lhe perfuram o intestino e atin­gem o fígado, causando lesões, até que penetrem nos canais biliares, onde se transformam em indivíduos adultos, completando o ciclo.

Fisciolose

A fasciolose é uma doença cau­sada pelo verme Fasciola hepática, que parasita o fígado e as vias bilia­res de carneiros.

Phylum Aschelminthes – Nemathelminflies

Antigamente, muitos grupos de animais eram clas­sificados como pertencentes a um único filo, o dos Aschelminthes (do grego askon = saco; helminthes = verme). A maioria dos textos atuais de Zoologia opta por estudar os antigos asquelmintes em filós separa­dos, sendo o dos nematelmintes o único grupo de inte­resse.

Filo Nemathelminthes do grego nematos = fio, helminthes = verme, abran­ge vermes não segmentados e de corpo cilíndrico e alon­gado. Os nematóides ocupam provavelmente o segundo lugar, após os insetos, em número de indivíduos. Aproxi­madamente 12 000 espécies vivem nos mais variados habitats. Muitos são de vida livre no solo, na água doce ou no mar, outros parasitam vegetais e animais, inclusive o ser humano, e outros ainda são restritos a habitats pe­culiares, como raízes de plantas, sementes de trigo e se­creções de ferimentos de plantas. São geralmente pequenos ou microscópicos, mas podem atingir até 1 metro de comprimento.

A parede do corpo é constituída de:
1) cutícula acelular, proteica, lisa e pouco elástica;
2) epiderme. fina camada do tipo sincício isto é, com muitos núcleos;
3) camada muscular de fibraslongitudinais. Cada célu­la muscular consiste em uma fibra fusiforme; que se estende longitudinalmente abaixo da epiderme. A ca­mada muscular é dividida em quatro partes longitudi­nais (quadrantes) e limita os movimentos do corpo a apenas algumas flexões, além de limitar internamente uma única cavidade, o pseudoceloma, onde os ou­tros órgãos se situam livremente. O pseudoceloma é preenchido por líquido, que além de funcionar como esqueleto hidrostático auxilia na distribuição de ali­mentos e oxigênio.

Características

• corpo cilíndrico não segmentado; triblásticos; pseudocelomados; protostômios; simetria bilateral.

Morfologia, Anatomia e Fisiologia

Um nematódeo comum ao ser humano e ao porco, o Ascaris lumbrícoides, mostra os aspectos gerais de um nematódeo. A fêmea mede de 20 a 40 cm de comprimen­to e aproximadamente 6 mm de diâmetro; o macho é me­nor, com 15 a 25 cm de comprimento.

Tegumento e Sistema Muscular

O corpo é delgado e cilíndrico, afinando-se na direção das extremidades.

Sistema

São os primeiros animais a apresentar sistema digestório completo, constituído por boca. faringe; esôfago intestino e ânus. Na boca de parasitas, podem existir papilas ou lábios (Ascaris sp.), ganchos e lâminas (Aecaforsp.), dentes cór­neos (Ancylostomasp.) para melhor fixação no hospedeiro.
Nas formas livres a digestão é extracelular, e a alimentacão consiste principalmente em algas, detritos e matéria orgânica morta. Nos parasi­tas, a principal função do intestino é a de absorção, uma vez que o alimento ingerido já está digerido pelo hospe­deiro, pelo menos parcialmente.

Os principais órgãos dos sentidos localizam-se na superfície do corpo. Os nematódeos de vida livre apre­sentam anfídios, que são estruturas quimiossensitivas localizadas na cutícula.

Sistema Excretor

É formado por canais excretores com dois tubos que correm ao longo das linhas late­rais. Na região anterior, eles se unem e formam um único tubo que se abre na linha mediana ventral. As paredes dos tubos absorvem por difusão os catabólitos (amônia principalmente) e por osmose o excesso de água do lí­quido pseudocelomático.

Reprodução

Os machos possuem vida mais curta, são menos nu­merosos e menores que as fêmeas. Distinguem-se delas porque possuem a extremidade posterior recurvada. No macho, aparecem órgãos acessórios da cópula, todos para fixação durante o ato sexual (espículas, bolsa copulatória, etc.). A quantidade de ovos produzidos pelas fêmeas em geral é alta, como as lombrigas fêmeas que produzem 27 000 000 de ovos durante a vida e uma média de 200 000 diariamente, durante algumas semanas.

Entre os nematódeos encontramos parasitas monóxenos, que se desenvolvem em um só hospedeiro, e heteróxenos, que se desenvolvem em mais de um hospedeiro, geralmente dois: o intermediário e o definiti­vo.