A organização do sentido e do pensado


A organização do sentido
O ser humano é submetido a uma inundação de estímulos diários, muitas vezes simultâneos. A maior parte desses estímulos são decodificados de forma não elaborada, no entanto são todos percebidos pelo cérebro.

A forma como o cérebro elabora esses estímulos múltiplos é produto das informações armazenadas. O cérebro precisa decodificar, dar sentido e ordenar todos esses estímulos. Não é por outra razão que muitas vezes as pessoas recorrem ao famoso “para tudo, que eu preciso pensar”. É uma reação ao bombardeio de estímulos e informações, que inviabilizam uma racionalização das coisas e levam à confusão.

Somos obrigados a tomar inúmeras decisões diariamente. Atravessar ou não atravessar a rua, ultrapassar ou não o carro da frente, qual roupa usar, responder ou não a uma abordagem agressiva. Numa partida de futebol, um atleta é obrigado a tomar centenas de decisões durante noventa minutos. É impossível acreditar que todas essas decisões serão tomadas a partir de uma sistematização das probabilidades. Por essa razão, os treinamentos são hoje focados em condicionar e acelerar essas decisões a partir de um conjunto de percepções padronizadas com base em repetição das situações. É o chamado treinamento cognitivo.

Assim é o ser humano. Diante de diversos estímulos e informações, a percepção e a reação são decorrentes do conjunto de valores e respostas armazenados para cada situação. É o que podemos chamar de “reagir no automático”.

A maior parte das nossas decisões e reações são tomadas com base no sentido. Se não fôssemos dotados desse engenhoso sistema, ficaríamos paralisados ante tantas decisões que precisamos tomar. Imagine o que seria, por exemplo, racionalizar acerca de um passarinho cantando, uma buzina no trânsito, um cumprimento, uma ameaça ou mesmo uma agressão física.

É portanto, uma questão de adaptação e sobrevivência o condicionamento mental para oferecer respostas imediatas a questões imediatas.

Seria a anulação do pensar?

Não obstante, o pensamento é ainda a capacidade que eleva o homem e, não por outra razão, a sociedade dos múltiplos estímulos é uma ameaça ao indivíduo e à individualidade.

A organização do sentido e do pensado é a ação consciente de criar uma hierarquia entre essas duas variáveis. O homem não teria criado nem mesmo a roda respondendo a estímulos. O sentido é a reação automática ao meio, o pensado é a ação racional para encontrar soluções para os problemas. Ao sentir uma ameaça, o indivíduo foge, se esconde ou reage violentamente a fim de eliminá-la. O pensamento é o caminho, ao contrário, que levará à construção de uma solução para eliminá-la em definitivo.

Organizar essas duas vertentes é entender que são complementares, igualmente importantes e indispensáveis.