Construtivismo


O Construtivismo é uma corrente teórica sobre aprendizagem baseada nas ideias do epistemólogo suíço Jean Piaget (1896-1980). O método visa a busca de respostas através de próprio conhecimento e da interação com os a sociedade e a realidade.

Embora constantemente associada à psicologia e, principalmente, à pedagogia, o Construtivismo trata-se de uma teoria da epistemologia, área da filosofia que aborda a natureza, processos e limites do conhecimento humano, em especial a relação entre conhecimento e indivíduo; é a busca pela explicação do desenvolvimento da inteligência humana.

Construtivismo

A origem do Construtivismo

Piaget foi um dos primeiros a analisar cientificaente como era a formação do conhecimento na mente humana. Analisou desde bebês até adultos para entender as transformações que tornavam a pessoa um ser individual perante seu reconhecimento do mundo e pensamentos complexos.

Em uma de suas obras mais famosas, “O Nacimento da Inteligência na Criança”, ele defende que a relação entre o sujeito e o meio é radical, pois o conhecimento não é iniciado por causa dos objetos ou da atividade do indivíduo, mas sim por um estado diferenciado chamado adaptação, processo cognitivo é dividido em dois momentos:

Assimilação:interpretação do indivíduo sobre um objeto a fim de encaixá-lo (incorporá-lo) em sua estrutura cognitiva.

Acomodação: quando o sujeito tranforma a estrutura cognitiva para compreender um objeto.

O Construtivismo na educação

Piaget estudou a maneira como as crianças endentem o mundo e concluiu que o aprendizado é espontâneo e por assimilação. Através da organização de dados externos que são reorganizados internamente. Esta é a compreensão da realidade.

Noções em relação à medida (proporção, quantidade, sequência, volume, etc.) seriam espontâneas, surgindo de acordo com o desenvolvimento da criança e interação com o meio.

A psicolinguista argentina Emilia Ferreiro, aluna de Piaget, complementa a teoria e afirma que a criança é capaz de se alfabetizar sozinha desde que seja inserida em um ambiente que estimule sua interação com textos e letras. Ela é a responsável pela disseminação da teoria na educação e pelo desenvolvimento de novas técnicas de alfabetização.

Sendo assim, o aluno participa ativamente aprendizado através do estímulo à dúvida, experimentação, desenvolvimento do raciocínio, pesquisas em grupo, criação de soluções, etc. Nesse contexto, ele estabelece as propriedades dos objetivos e constrói as características do mundo.

No Construtivismo, é enfatizada a importância do erro como caminho natural da aprendizagem e o respeito à individualidade, mesmo no contexto coletivo. A teoria condena a rigidez de outros métodos de aprendizagem e a padronização de avaliações.

De acordo com o Construtivismo, o homem não nasce inteligente e é ativo à influência do meio em que vive. Ou seja, responde aos estímulos, age e interage a fim de organizar seu conhecimento. À medida que constrói a aprendizagem, esta torna-se mais complexa. Um dos conceitos fundamentais é que o conhecimento nunca está completo; é construído no dia a dia ao longo de toda a vida. Quanto maior os estímulos e interações, maior o aprendizado.

O papel do professor no ambiente constutivista

O professor, que nesse caso mais funciona como um orientador, é fundamental para a organização do ambiente de aprendizagem e, principalmente, para estimular o interesse do educando. O estímulo se dá através do questionamento, desafio e também da informação transmitida ao aluno.

Nesse contexto, a escola deveria acompanhar a curiosidade da criança e estimulá-la com atividades interessantes no momento em que essa curiosidade surgisse. O professor deixa de ser o centro das atenções, deixa de estar no “palco”, e torna-se um guia na busca pelo conhecimento individual. Caberá a ele dar tempo para que o educando raciocine e tire suas próprias conclusões, não atencipando as respostas corretas.

A grade curricular, bem mais maleável em comparação às escolas tradicionais, e os conteúdos são oferecidos de maneira instigante. A grande função do professor construtivista é despertar o censo crítico do educando.

O Construtivismo na psicologia

No campo psicológico, o principal representante é o russo Lev Vygotsky, considerado um estudioso contemporâneo de Piaget, que desenvolveu a psicologia construtivista.

Baseado pelo materialismo histórico, criou a psicologia histórica, que defende a ideia de que não apenas a inteligência, mas todas as funções mentais, como percepção, memória, atenção seletiva, por exemplo, desenvolveriam-se de acordo com o ambiente histórico e cultural em que a criança estaria inserida.

O psicólogo, dividiu as funções mentais superiores, responsáveis pela formação da inteligência da criança, em dois níveis:

Inter-psicológico: relativas ao contexto cultural e produzidas coletivamente através da interação do do sujeito com o grupo social.

Intra-psicológico: momento particular em que a criança utiliza suas funções superiores para agir. A criança, inicialmente, sofre a ação de outras pessoas sobre ela. Depois interage, age sobre os outros e, finalmente, age sobre si mesma.

Todas essas pesquisas construtivistas contribuíram para um novo olhar perante a formação da criança e da educação.