Entre Razão e Fé: Ceticismo e o Neoplatonismo

Entre Razão e Fé

O Ceticismo e o Neoplatonismo são correntes filosóficas do período helenista. O Ceticismo se desenvolveu a partir de Arcesilau e, posteriormente, por Carnéades, sucessores de Platão na Academia Platônica, entre os séculos III e IV a.C. O Neoplatonismo é uma corrente que se estabeleceu no século III d.C. em Alexandria, que teve como precursores Amônio Sacas e Plotino

Ceticismo

Em Platão, o conhecimento consiste na compreensão da essência das coisas. Aristóteles, por sua vez, entende que o conhecimento está na compreensão das causas das coisas. Donde é possível deduzir que Aristóteles se aproximou mais do pensamento científico, enquanto Platão esteve mais ligado ao desenvolvimento da metafísica.

Ambos contribuíram para o desenvolvimento do pensamento na Antiguidade e nos períodos que se seguiram.

O ceticismo estabelece uma nova linha de raciocínio acerca do conhecimento, estabelecendo que o homem deveria reconhecer-se incapaz de compreender mais que a aparência das coisas. Nisso, aproximava-se do sofismo, mas com uma visão mais radical da relatividade pregada por aqueles.

O Ceticismo, que não tem relação com a interpretação contemporânea na palavra, era uma corrente de pensamento que se opunha aos dogmas, às verdades absolutas. Não era possível que o homem se apropriasse do conhecimento da realidade com base na aparência das coisas, que era aquela em que se dava a experiência humana.

Os céticos admitem que não é dado ao homem compreender a natureza absoluta das coisas, não devendo ser essa conduta motivo de angústia. Mais tarde, a revolução científica do século XVI e XVII adotaria o experimento e a comprovação como base do verdadeiro conhecimento: o científico.

Neoplatonismo

O Neoplatonismo, uma corrente filosófica já sob influência do Cristianismo, aproxima os conceitos metafísicos de Platão da reflexão religiosa.

Os neoplatonistas estabelecem uma hierarquia na natureza, que tem em seu topo o Uno, uma realidade superior e insondável, à qual o homem seria incapaz de compreender.

Desse Uno, surgiriam as demais realidades, que dela emanariam, se tornando mais inteligíveis na medida em que se distanciassem do plano superior. Tal pensamento se aproxima do Taoismo, milenar filosofia chinesa, reproduzindo a atitude contemplativa e serena como forma de se integrar ao cosmos.

A visão neoplatônica se aproxima da doutrina religiosa da Igreja Cristã ao prescrever que o homem, a fim de se purificar e evoluir, deveria se desprender dos apelos do corpo, submetendo-se à razão. Por esse meio, o homem atingiria a plenitude e retornaria à realidade suprema e original.