Existencialismo


Existencialismo

Toda a essência do existencialismo, uma corrente filosófica difusa, que abrange de pensadores ateus a religiosos, resume-se ao reconhecimento de que a existência precede a essência.

O existencialismo é, praticamente, o pensamento do século XX, surgindo num contexto em que refletiam os esforços filosóficos e sociológicos para compreender e reordenar a sociedade decorrente da expansão do capitalismo, da formação dos estados republicanos, da revolução tecnológica e industrial.

O positivismo de Comte, o marxismo e outras correntes socialistas do século XIX se preocupavam em propor novas formas de ordenar a sociedade humana. O indivíduo, na visão positivista, deveria ser condicionado por rígidos padrões sociais. O existencialismo, ao contrário, propunha que o indivíduo deveria ser condicionado por suas próprias escolhas.

Na visão existencialista, a essência humana é formada a partir das escolhas e experiências do indivíduo. Não existe uma essência prévia. O homem não é essencialmente bom ou mal, mas fruto de suas escolhas. O sentido da existência é perseguir a razão de existir.

Para os existencialistas, o homem é produto de suas escolhas, não podendo atribuir a quaisquer outros fatores a sua sorte. É responsável pelo que faz, não devendo ser condicionado por normas, mas pela sua própria percepção.

A angústia é a matéria prima do existencialismo, na medida em que o indivíduo, ao ser confrontado com esse pensamento, se vê ante a necessidade de abrir mão de todas as suas crenças, daquilo que é preconcebido, das explicações prévias, que lhe suprimem a responsabilidade.

A maior responsabilidade que o homem carrega sobre os ombros é a liberdade, o livre arbítrio. Seria essa liberdade, da qual não pode se livrar, a mais inflexível corrente que o prende à consciência, que é produto da própria moral individual.

Apesar desse aspecto, Kierkegaard, filósofo dinamarquês que viveu na primeira metade do século XIX, considerado pai do existencialismo, é também reconhecido como expoente do existencialismo cristão, na medida em que inclui a relação com Deus entre os caminhos que levam à identificação da condição humana. No entanto, Kierkegaard não exclui o livre-arbítrio e a irredutibilidade da existência humana, tratando-se, pois, de uma visão não essencialmente antropocêntrica, mas de autonomia.

A partir do século XX, surgem grandes nomes do existencialismo, como Martin Heidegger, Jean-Paul Sartre, Simone de Beauvoir, Albert Camus, Karl Jaspers e Merleau-Ponty. Friedrich Nietzsche, que morreu em 1900, é um dos ícones do existencialismo no século XIX, na medida em que busca o homem num estado superior de consciência, livre das muletas morais utilizadas para suportar a existência, inclusive, na sua visão, a religião.

Valores existencialistas

Entre os valores existencialistas estão;

– Livre arbítrio;
– Toda decisão tem consequência e é um processo angustiante;
– Responsabilidade pessoal e disciplina são valores indispensáveis;
– O desejo mundano é fútil e superficial;
– A sociedade não é um elemento natural, mas uma estrutura criada com base em regras que arbitram sobre o indivíduo e sua vontade;
– A natureza humana é produto das escolhas.
– As pessoas não são basicamente boas nem más, tampouco são corrompidas pela sociedade ou por forças externas;
– Prazer, riqueza e honra não fazem da vida boa;
– Não há sentido em aceitar as coisas como elas são.