Irracionalismo


O irracionalismo é uma corrente filosófica que surgiu no final do século XIX e início do século XX. O movimento defende a negação da racionalidade, centrando suas ideias somente na realidade humana, social e histórica, excluindo os campos das ciências naturais e matemáticas, além das indústrias e das técnicas. Essa corrente parte do princípio de que a capacidade de aprendizado humano é maior e melhor quando se vai além dos limites racionais.

Irracionalismo

O irracionalismo tem base na metafísica e coloca o instinto acima da razão. Para os estudiosos da ontologia, o irracionalismo se refere a um mundo sem estrutura, sem sentido e sem propósito. Enquanto isso, a antropologia considera a irracionalidade como uma das condições dominantes na existência dos seres humanos. Por outro lado, a epistemologia entende que o universo não é possível de ser compreendido através da razão.

Mesmo sendo considerada uma corrente recente, o irracionalismo já era possível de ser encontrado em culturas e pensamentos antigos. A dramaturgia grega e algumas obras filosóficas elaboradas por pensadores gregos, já apresentavam traços que iam contra a razão.

Filósofos que influenciaram o irracionalismo
Como foi dito, alguns pensadores antigos já expressavam traços relacionados com o atual irracionalismo. A corrente dionística, por exemplo, proposta por Nietzsche, nada mais era do que uma tendência irracionalista. Tempo depois, essa mesma corrente recebeu as contribuições de Darwin e Freud, que começaram a se aprofundar no inconsciente das experiências humanas.

Outras teorias que tinham relação com o irracionalismo foram:

Elas almejavam uma maior visão sobre a vida e o pensamento humano.

O conhecido filósofo Max Weber também se aproximou do pensamento irracional, criando uma nova definição para o termo razão. Weber dividiu a razão em duas formas. A primeira, a razão subjetiva, onde predominava a subjetividade e o juízo de valores. A segunda forma defendida pelo filósofo era a razão funcional, ou instrumental. Esta era norteada pelos princípios positivistas e considerava somente as relações entre meios e fins.

Outro grande filósofo que fez uma divisão sobre o conceito de razão foi Rouanet. A primeira delas estava diretamente ligada aos pensamentos irracionalistas e ao positivismo, sendo nomeada pelo pensador como razão louca. A segunda forma de razão defendida por Rouanet era denominada a razão sábia, que segundo ele, marca uma nova fase.

Dentre os tantos pensamentos sobre o irracionalismo, Husserl associa o movimento com a realidade da vida. Segundo o pensador, a vivência do irracionalismo acontece através da imersão do indivíduo em suas próprias experiências, onde consegue então, uma profunda interação com os fatos reais, e assim, compreende o verdadeiro e real sentido da vida. Essa vertente pode ser relacionada a um tipo de razão, mas uma razão diferente das ciências naturais e exatas. Husserl defende por fim, que o indivíduo pode contribuir para a formação da humanidade, a partir das suas próprias vivências e críticas.

A influência do irracionalismo na religião

O pensamento irracional, que exclui a razão, também serviu como instrumento de influência para alguns filósofos interferirem na religião. Essas influências foram e são vistas até agora como uma verdadeira ameaça para a Igreja Evangélica Moderna, pois exclui as lições básicas pregadas na Escritura. O primeiro deles foi Friedrich Daniel Ernst Schleiermacher, considerado o pai do irracionalismo, que defendia que o Supremo somente poderia ser revelado através dos sentimentos, e jamais pela ética, conhecimento ou pela ciência. Com essa vertente de pensamento, o filósofo ia contra os principais valores do cristianismo, discriminando os ensinamentos do Livro Sagrado.

Outro filósofo que utilizou do Irracionalismo para atuar nas vertentes religiosas foi Sören Kierkegaard, conhecido também como o Pai do Existencialismo. Este pensador defendia a ideia de que o relacionamento com Deus só seria possível através de intensos sentimentos, e jamais através da razão. Foi o filósofo que criou o termo “salto da fé”, uma vez que defendia que Deus só poderia ser encontrado por meio de uma entrega ao desconhecido.

Karl Barth foi também um dos pensadores que basearam suas influências no irracional. Barth era um cristão protestante, e de início, propagava a Teologia Liberal, passando tempo depois, para a Teologia Dialética. Nessa nova vertente não existiam verdades absolutas, pelo contrário, tudo era controverso até que se chegasse a um consenso, e depois outro, e assim seguidamente. Não existia, para o filósofo, um ponto final. As ideias seguiriam, segundo ele, em constante discussão. Por fim, Barth deixou de lado a Teoria Dialética e criou uma nova, chamada a analogia da fé. Nessa teoria, o pensador defendia que Deus era totalmente inatingível pelos humanos.

Por fim, Emil Brunner também influenciou a religião através do seu pensamento irracionalista. O filósofo era contra o coletivismo, defendendo fortemente cada ser humano em sua individualidade. Para ele, cada indivíduo havia sido criado conforme a imagem e semelhança do Criador. Brunner também aderiu a Teologia Dialética, juntamente com Karl Barth.