Polêmica moral na modernidade


Polêmica moral

O Bushidô é o código de honra dos samurais. Para quem tem dúvidas, os samurais eram guerreiros do Japão feudal, que tinham como principais características a força, a disciplina e a lealdade ao Bushidô, que era composto de 7 princípios.

Os 7 princípios do Bushidô eram:

– justiça;
– coragem;
– compaixão;
– respeito;
– honestidade;
– honra;
– lealdade.

Cada um desses princípios pode ser explicado, assimilado e aplicado com simplicidade. É um exemplo de que o código moral deve ser simples. Um outro aspecto do Bushidô é que todos os princípios são claros, não há dúvidas sobre como proceder para se enquadrar neles.

A clareza e simplicidade dos códigos morais é um ponto. O outro é a complexidade do meio. Os samurais viviam em aldeias, num tipo de configuração social não dotada de complexidade. Estamos falando, afinal, do Japão medieval, terreno onde há pouca ou nenhuma mobilidade cultural, histórica e tecnológica. Totalmente diferente do mundo experimentado na modernidade.

Iluminismo, Revolução Industrial e Moral na Modernidade

A sociedade europeia do século XVIII já era dotada de complexidade. Os rígidos padrões da Igreja Católica, que deram origem aos não menos rígidos princípios do protestantismo, eram confrontados pelos ares do renascimento, impondo uma revisão desses padrões.

Ao se impor aos dogmas, a razão provoca a necessidade de readequação dos padrões morais aceitos culturalmente. Ao mesmo tempo, a forma como se estruturava a sociedade dos privilégios e a lógica mercantilista do poder absolutista eram passíveis de questionamento.

Os movimentos que se seguiram na sociedade europeia, transpondo suas fronteiras e chegando ao continente americano, são produtos da combinação de duas poderosas variáveis históricas: o Iluminismo e a Revolução Industrial.

O Iluminismo rompe com tudo que acreditava até então no âmbito dos parâmetros de constituição da sociedade humana. A Revolução Industrial, por sua vez, muda toda a geografia econômica da sociedade, criando novas classes e formas de relação. Esses dois aspectos não são a origem da moral difusa. Os questionamentos morais datam da antiguidade e estão presentes no embate teórico entre socráticos e sofistas na Grécia antiga. Nada que se pudesse comparar com a diversidade que se ampliou vertiginosamente, sobretudo a partir do século XX.

Em dias de globalização, as diversas sociedades trocam visões e ensinamentos. Durante a Copa do Mundo do Brasil causou espanto o comportamento dos torcedores japoneses limpando a sujeira dos estádios após as partidas, por exemplo. Trata-se de um traço cultural de um povo, mas a gênese desse comportamento é moral.

O debate dos valores morais causa polêmica e não poderia ser diferente, sobretudo porque os valores na modernidade são voláteis, influenciados pela massificação de ideias e princípios diversos e antagônicos. Num condomínio de 100 pessoas, é possível que para a mesma situação haja dez visões diferentes do que é certo.

O que é imoral para uns, é plenamente aceitável para outros. Tais antagonismos são geradores de conflitos das mais variadas proporções. Nesse aspecto, parece ser a única saída a representação política da coletividade, no sentido de garantir a convivência, apesar dos conflitos.