Questão Filosófica da Arte, Movimentos Artísticos e Vanguardas Brasileiras


Questão Filosófica da Arte

Não seria nenhuma excentricidade dizer que a arte é o elemento que mais se aproxima da filosofia enquanto abordagem generalista das diversas realidades humanas.

Quando falamos em “diversas realidades humanas”, nos referimos à realidade social, à realidade aceita, ao mito, ao indivíduo e todas as conexões do homem consigo mesmo, com Deus e com o meio.

Esse conjunto de realidades é a matéria da filosofia, que busca interpretar e ordenar as coisas, entregando à sociedade humana sistemas de pensamento e orientação para a realização de ajustes em suas próprias estruturas.

A arte não tem, necessariamente, o compromisso de transformar a sociedade, tampouco precisa explicar as diversas realidades humanas. Tem, ao contrário, o propósito de retratar, reproduzir, criticar e, claro, em alguns casos, transformar, algumas vezes ordenando, outras desordenando.

O olhar da arte é sempre crítico, o que o aproxima da filosofia. Não há filosofia sem o pensamento crítico, sem a dúvida. Os movimentos artísticos, por sua vez, estão profundamente ligados aos movimentos filosóficos, como comprova a relação do iluminismo com o neoclassicismo, do positivismo com o naturalismo.

Ao mesmo tempo, a arte se oferece à filosofia como objeto de análise e compreensão das diversas realidades, enquanto a filosofia se oferece à arte como fonte de inspiração.

Modernismo e herança filosófica

Ao contrário da associação natural entre o neoclassicismo e o iluminismo, bem como entre o naturalismo nas artes e o positivismo, não é possível encontrar uma ligação entre o modernismo brasileiro, principal movimento de vanguarda artística da história do país, e um marco filosófico.

Não obstante, pode-se considerar que os movimentos filosóficos do século XVIII e XIX, incluindo o marxismo, são pontos de construção de uma realidade favorável aos movimentos vanguardistas mais radicais, como foi o Movimento Modernista Brasileiro, que pregou a ruptura com os rigores formais então aceitos. O verdadeiro caráter vanguardista está, todavia, na criação de uma identidade estética e artística brasileira, a partir da exploração do tema nacional e da criação de uma linguagem própria.