Razão x Sentidos


Razão

Ao longo dos séculos XVII e XVIII, a razão e os sentidos travaram embate pela propriedade da condição de fonte do conhecimento. Racionalistas e empiristas tentaram estabelecer uma verdade acerca do tema.

Entre os empiristas, estão o inglês John Locke e o escocês David Hume, que acreditam que os nossos sentidos são o canal que se desdobra entre a realidade e o que conhecemos dela. Na outra ponta, os racionalistas, com destaque para o francês René Descartes e o alemão Gottfried Wilhelm Leibniz, acreditavam que a razão era o antídoto para a correção das distorções geradas pelos sentidos.

Sabe-se hoje que a forma como o ser humano percebe as coisas é fruto do conjunto de experiências acumuladas, o que fortalece a tese dos empiristas. Não obstante, esse processo presume diferentes formas de perceber a mesma situação. Pessoas diferentes tirariam conclusões diferentes da mesma experiência, motivadas pela soma de referências adquiridas ao longo da trajetória. Como dizer qual dessas pessoas teria a razão?

Nesse aspecto, deve-se compreender que a razão está com os racionalistas e que o verdadeiro conhecimento só é possível mediante a comprovação racional. Por essa razão, os racionalistas são fortemente influenciados e defensores dos sistemas matemáticos como ferramentas para construção do conhecimento.

Razão x Sentidos ou Razão + Sentidos

Immanuel Kant, um dos filósofos mais influentes no pensamento atual, concluiu que tanto a razão quanto os sentidos são fontes de conhecimento. A melhor forma de assegurar que Kant está certo em sua conclusão é o reconhecimento de que a experiência proporcionada pelos sentidos é uma verdade própria e não um conhecimento.

Ao mesmo tempo, essa verdade, quando tratada como suspeita, impulsiona o homem a tentar comprová-la. Esse é o caminho que conduz da experiência ao verdadeiro conhecimento. Kant afirma, no entanto, que todo conhecimento é limitado.

Não por outra razão, afirma que o sábio, e não o ignorante é capaz de mudar de opinião. Nisso, podemos concluir que a opinião é uma verdade transitória, mesmo que aparentemente comprovada.

Da mesma forma, o conhecimento racional só pode ser legitimado pela experiência. Na medicina, o reconhecimento da eficácia de novos tratamentos demanda a experiência como comprovação.