Por que as estrelas piscam?


Ao olhar para o céu, as pessoas podem ver muitas estrelas, sobretudo à noite, quando a luz do Sol não interfere nesta visibilidade. Estima-se que, dependendo da região em que a pessoa está no planeta, ela possa enxergar, em média, 2500 estrelas. Este número pode aumentar se a pessoa que estiver observando o céu tiver um equipamento que amplie a visão. Mesmo com um binóculo amadorm é possível aumentar o número de estrelas visíveis para mais de 30 mil estrelas!

A quantidade de estrelas que uma pessoa pode ver a olho nu é realmente grande, mas algo que intriga muitos desses observadores, principalmente os mais leigos, é o fato de que muitas destas estrelas “piscam”. Essa “piscada” das estrelas é perceptível quando olhamos para elas e vemos que, às vezes, a luminosidade falha e volta várias vezes seguidas. Mas, como tudo tem um porque, é necessário entender por que as estrelas “piscam”.

estrelas piscam?

A interferência da atmosfera da Terra

Para aqueles que são mais leigos, a ideia de que a atmosfera da Terra pode distorcer a luz das estrelas que chega para nós é algo realmente estranho. Ocorre que a luz pode ser distorcida e chegar para nossos olhos de formas diferentes. A atmosfera da Terra é composta de várias camadas de gases e outras substâncias que podem distorcer e muito a luz das estrelas.

Outra questão que influencia a chegada da luz das estrelas até nós é a sua grande distância em relação à Terra. A mais próxima está a pouco mais de 4,2 anos-luz e, mesmo esta estrela próxima (a Alpha Centauri) pode “piscar” quando alguém a observa à noite. Isso não acontece com os planetas do Sistema Solar que podemos ver a olho nu. Veja essas únicas “estrelas” (planetas) que não piscam e qual o melhor horário para observá-las:

• Mercúrio: um planeta tão próximo do Sol que só é possível vê-lo no céu uma hora e meia após o pôr-do-sol ou uma hora e meia, antes do grande astro nascer;
• Vênus: este é o astro mais brilhante do céu terrestre depois do Sol e da Lua. Pode ser visto até três horas antes do nascer do Sol e três horas após o pôr-do-sol. Também é chamado de Estrela da Manhã, por ser extremamente brilhante e aparecer sempre ao amanhecer;
• Marte, Júpiter e Saturno: estes três planetas estão mais afastados do Sol do que a Terra e seu brilho, por este motivo, é constante durante praticamente toda a noite em várias épocas do ano. Cada um possui uma luminosidade com tons diferentes: Marte é mais avermelhado, Júpiter é mais esbranquiçado e Saturno mais amarelado. Todos parecem como estrelas, mas, na verdade, são planetas e não possuem cintilação (não piscam) porque estão bem mais próximos da Terra do que as estrelas que vemos no céu à noite.

A nuvem de Oort

Outra explicação para a cintilação das estrelas é o fato de que elas estão localizadas além da Nuvem de Oort, uma região do Sistema Solar externo que exerce uma influência muito maior sobre a luz das estrelas do que a atmosfera Terrestre. A Nuvem de Oort fica a, aproximadamente, um ano-luz do Sol e está repleta de objetos e substâncias diferentes – muitas delas desconhecidas dos cientistas – e isso faz com que a distorção no espectro de luz das estrelas seja realmente grande suficiente para que o efeito em nossos olhos seja uma “piscada”.

A maioria dos cientistas acredita que, tanto a distorção causada pela atmosfera da Terra, quanto a causada pela Nuvem de Oort são causas oficiais do fenômeno chamado de cintilação. Para explicar a não aplicação da cintilação sobre os planetas visíveis do Sistema Solar, os cientes utilizam a tese de que, por estarem mais próximos de nós do que a Nuvem de Oort, seus efeitos não causam distorção na refletividade de sua luz para os observadores aqui da Terra, logo, os planetas não piscam.

– A distância astronômica e a “morte” das estrelas

Você já entendeu por que as estrelas piscam. Mas é importante ter em mente que a grande distância que muitas das estrelas visíveis apresentam em relação ao nosso planeta é fundamental para entender também a velocidade da luz. Um ano-luz corresponde à distância que a luz percorre em um ano em sua velocidade máxima, que é de 300 mil km/s. Logo, a luz de uma estrela localizada a 10 anos-luz da Terra só ficará visível para nós dez anos depois de ser emitida. Isso ajuda a explicar o fenômeno de cintilação e também é importante para que entendamos o processo de morte de uma estrela. Afinal, mesmo que esta estrela tenha “morrido” hoje, continuaremos a ver sua luz por mais dez anos até que ela não apareça mais. Esta é apenas uma curiosidade de um universo praticamente infinito e que ainda guarda milhões de segredos que podem – ou não – ser desvendados.