Aspectos Culturais da Região Norte


Formada pelos estados do Amazonas, Acre, Amapá, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins, a região Norte do Brasil é a maior em extensão e corresponde a 42% de todo o território nacional. Com 15 milhões de habitantes, essa região é uma das mais miscigenadas no país.

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Em decorrência dessa miscigenação forte, a cultura se torna um elemento característico da região, com a maioria dos aspectos culturais advindos da cultura indígena. Como a maior parte da população indígena vive no Norte, muito da cultura nortista é composto por características dessa comunidade.

Por conta disso a pluralidade é uma das qualidades mais importantes, uma vez que muitas tribos possuem crenças, costumes, tradições e até culinárias de modos típicos e diferentes.

Algo que chama bastante atenção é que os índios se pintam e usam acessórios em celebrações, rituais e outros acontecimentos. Seja por vaidade ou por atributos religiosos, o povo indígena tem uma cultura forte e seus descendentes passaram esses costumes às gerações posteriores. Esse forte tradicionalismo está presente nas famílias (tanto rurais quanto urbanas), entre a vizinhança, nas festas, no artesanato, nas comidas e em outras situações.

Festas e danças

Muita religiosidade e crenças indígenas estão presentes nos conceitos das festas da Região Norte. Porém, uma das duas maiores festas da região é o Círio de Nazaré, que ocorre sempre no segundo domingo de outubro em Belém, no Pará. É uma procissão que ocorre em homenagem à Nossa Senhora de Nazaré, mãe de Jesus.

Com direito a uma caminhada de quilômetros, barcos enfeitados com adereços coloridos e muita fé, os religiosos percorrem as ruas de Belém todos os anos. O evento reúne mais de dois milhões de pessoas, entre moradores locais e turistas.

A outra festa é reconhecida mundialmente e já possui mais de 40 anos de tradição. Responsável pela força econômica cultural do estado do Amazonas, o Festival de Parintins ocorre sempre na metade do ano, na época das festas juninas, em Parintins, interior do Amazonas.

O boi-bumbá é uma das formas mais antigas de entretenimento popular em todo o estado e todos os anos é realizado um festival que atrai milhões de pessoas de todo o país. Sendo um dos maiores eventos que expõe o boi-bumbá para o Brasil e o mundo, o Festival de Parintins retrata a disputa acirrada e divertida dos bois Garantido (vermelho) e Caprichoso (azul), com direito a encenações, adereços e apresentação de lendas, rituais e contos da região.

Porém, outros eventos ganham destaque. O carimbó, dança marcante do estado do Pará, é uma manifestação cultural na qual são formados pares em duas fileiras que giram em torno de si mesmos, batendo palmas. A cada ano, o estado celebra a dança em festivais e eventos de rua, especialmente em festas juninas.

Outro evento é o congo, com forte influência africana, mas com derivações ibéricas relacionadas à religião. Sendo realizado durante a época natalina, o congo (ou congada) representa a coroação do rei e da rainha e ambos são eleitos pelos escravos. A festa termina na igreja, na qual a representação também mostra os infiéis sendo batizados.

Culinária e Artesanato

Se as festas e as danças possuem forte influência indígena, o mesmo pode se dizer do artesanato e da culinária local. Tendo grande parte do seu cardápio advindo de frutas e temperos próprios da região, muitos pratos saborosos são oferecidos para quem deseja visitar esses estados.

Mandioca, peixe e ervas típicas são elementos quase obrigatórios na execução dos pratos. Um deles é o tacacá, um caldo feito com goma de mandioca, jambu (erva nativa), tucupi (pimenta artesanal feita de mandioca cozida), pimenta e camarão seco. É uma iguaria bastante consumida em Manaus, e em Belém também é muito famosa.

Outro alimento muito consumido é a carne de sol, especialmente no Amapá. Sanduíches e pratos variados são feitos usando a carne, que é muito apreciada na região.

Além desses alimentos, outra forte vertente na culinária são as frutas. Cupuaçu, buriti, tucumã, taperebá e pupunha são frutos nativos da região e são muito consumidos e inseridos no cardápio dos nortistas. E é claro, o açaí, produto forte em todos os estados, é um dos preferidos, consumido com farinha de tapioca ou farinha de mandioca – mas muitas vezes é consumido com outras frutas e até com peixe.

Já no artesanato, os adereços e utensílios abusam da beleza, da qualidade e do uso de materiais resistentes e vindos de matéria-prima local. Em Tocantins, por exemplo, o capim-dourado é uma planta típica da região e é muito usado para fazer brincos, pulseiras, mandalas e chapéus. É uma das marcas fortes do estado.

Já em Roraima, utensílios de cerâmica e de madeira também ganham fama não só dentro do próprio estado, mas também com visitantes dos estados vizinhos. No Amazonas, a forte influência indígena está presente nas pulseiras, brincos, cestarias, potes e enfeites, oriundos de tribos especialistas na confecção destes produtos como os Timbiras e os Carajás.