Estrutura cultural, População Economicamente Ativa e Composição Étnica Brasileira


ESTRUTURA CULTURAL

De acordo com a UNESCO, analfabeto é todo indivíduo maior de 15 anos que não consiga redigir sua autobiografia. Ou seja, para ser considerado alfabetizado, o indivíduo não basta saber ler e escrever, é necessário que se tenha capacidade de compreensão, de interpretação, ou ainda, que tenha condições de fazer uma leitura crítica de mundo.

Estrutura cultural

No Brasil, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) a taxa de analfabetismo entre as pessoas com mais de 15 anos é de 10,4% (2006). Já em relação à escolaridade, 26,5% das mulheres e 23,1% dos homens têm 11 anos ou mais de estudo. A média de analfabetismo entre os países da América do Sul é de 6,02% (dados da Cepal-Comissão Económica para América Latina e Caribe/2005). Segundo o IBGE, no final de setembro de 2007 o percentual de brasileiros que não sabem ler e escrever é inferior apenas ao da Bolívia, onde a taxa de analfabetismo foi de 11,7% em 2005 (dados do Cepal) e muito superior à média da região.

A População Economicamente Ativa (PEA) corresponde às pessoas com mais de 10 anos de idade e que exerçam atividades remuneradas, incluindo tanto os empregados como os que se encontram à procura de emprego, os desempregados. Assim, deve-se considerar a existência das seguintes situações: A população ocupada, composta apenas pelos indivíduos que se encontram efetivamente trabalhando no momento e a população desocupada, formada por pessoas que estão no mercado de trabalho, mas momentaneamente sem emprego.

A População Economicamente Inativa (PEI) corresponde aos aposentados, inválidos, estudantes, crianças, donas de casa e às demais pessoas que não trabalham, mas que também não estão a procura de trabalho, portanto, não fazem pressão sobre o mercado. A população ativa no Brasil, em 2004, era de cerca 51,5% sobre o total de habitantes, um valor relativamente elevado e que cresceu significativamente nas últimas décadas: entre 1940 a 1970, manteve-se na faixa de apenas 32,9%; a partir de 1980, inicia-se um crescente, chegando a 36%, para em 1991, alcançar 43%. Entretanto, em relação as pessoas ocupadas o valor é um pouco menor, cerca de 47%. A diferença corresponde aos desempregados. Assim, tão importante quanto o percentual de trabalhadores é a sua distribuição entre os setores da economia.

Atualmente esses dois setores respondem por cerca de 80% dos empregos gerados no país e vários são os fatores responsáveis por essas transformações:
O grande aumento do terciário se deu juntamente com a urbanização da população, que passou a exigir mais intensamente as atividades de serviços e assim ocorreu, nas últimas décadas, uma importante transferência da população economicamente ativa do setor primário para o setor terciário. Dentre as regiões brasileiras, a Norte e a Nordeste são as que apresentam maiores concentrações no^setor primário, enquanto a Sudeste e a Sul são as regiões de menores concentrações no primário.

Participação feminina no mercado de trabalho

Entre 1940 e 2002, a força de trabalho feminina passou de apenas 2,8 milhões, o equivalente a 19% do total para 36,5 milhões, ou seja, 42% da massa trabalhadora. Entretanto, apesar do número estar crescendo e aumentando sua importância econômica, o trabalho feminino é normalmente desvalorizado. Na média nacional seus salários equivalem à cerca de 70% dos salários dos homens. Além disso, a grande maioria das mulheres sofre com a dupla jornada de trabalho, ou seja, após um dia de atividades profissionais cabe a elas boa parte dos trabalhos domésticos, administração da casa e os cuidados com os filhos etc.

COMPOSIÇÃO ÉTNICA BRASILEIRA

A população brasileira formou-se a partir de três grupos étnicos básicos: o indígena, o branco e o negro africano. Contudo, no século XX, mais um grupo, os amarelos representado principalmente pelos japoneses, veio participar da formação da população brasileira. Da miscigenação entre esses grupos se originaram diversos grupos mestiços.

Como o Brasil é um país relativamente jovem, sua população ainda não se cristalizou do ponto de vista antropológico. Predominam ainda elementos brancos na composição populacional brasileira, entretanto como se pode observar no quadro a seguir essa tendência não é definitiva e certamente dará lugar aos pardos ou mestiços.

“Nós, brasileiros, somos um povo em ser, impedido de sê-lo. Um povo mestiço na carne e no espírito, já que aqui a mestiçagem jamais foi crime ou pecado. Nela fomos feitos e ainda continuamos nos fazendo. Essa massa de nativos viveu por séculos sem consciência de si… Assim foi até se definir
A visão de que a população brasileira é formada basicamente pela miscigenação das três raças (branco, negro e índio), pode conduzir a uma falsa compreensão da questão e levar a acreditar que a miscigenação no Brasil constitui argumento válido para se falar na existência de uma “democracia racial” e da não existência do racismo no Brasil.

Esse mito, no entanto, sempre disfarçou uma realidade brutal na nossa história, o preconceito de cor, raça, etnia e mesmo ao mestiço, mascarando a opressiva realidade das relações raciais no Brasil. Os Indígenas – sua origem é muito discutida. O mais provável, dado aos caracteres raciais e a língua, é que sejam descendentes de povos amarelos asiáticos e polinésios. A hipótese asiática admite que o índio chegou à América atravessando o estreito de Bering há cerca de 30.000 anos, por ocasião dos períodos interglaciais, espalhando-se depois pelo continente. Muito embora o indígena tenha sido dominado, aprisionado, explorado e dizimado pelos brancos (eram cerca de 5 milhões no início da ocupação e são hoje aproximadamente 500 mil).

Os Negros – foram trazidos como escravos para o Brasil, desde o início da colonização até 1850, quando a Lei Eusébio de Queiroz declarou extinto o Tráfico de Escravos. Conforme a área de procedência se destaca dois grupos: Sudaneses -do litoral norte-ocidental da África e os Bantos -do sul do continente africano.

No Brasil, “país de todos”, nem toda a gente parece estar ao mesmo nível apesar dos esforços institucionais. Dentre as atividades nas quais os negros tiveram destaque se pode citar:
•            a agroindústria da cana-de-açúcar, iniciada no século XVI, no Nordeste e no Recôncavo Baiano;
•            a lavoura do algodão no Maranhão, nos séculos XVII e XVIII;
•            a mineração, no século XVII e parte do XVIII, no planalto Central e Minas Gerais;
•            a cultura cafeeira, no século XIX, no Espírito Santo, Rio de Janeiro e São Paulo.

Quanto às contribuições do negro africano na formação da “cultura brasileira“, vários aspectos podem ser apontados.
•            música popular e dança (frevo, maracatu, etc.) e instrumentos musicais (tambores, atabaques, afoxés, etc.);
•            alimentação (vatapá, acarajé, pé-de-moleque, azeite-de-dendê, feijoada etc.);
•            religião (candomblé, macumba, etc.);
•            vestuário (traje de baiana, saras rendadas, cotares, etc.).

Os Brancos – O elemento branco de maior relevância na população brasileira veio da Europa, podendo-se destacar vários grupos: Atlanto-mediterrâneos – representados principalmente pelos portugueses, italianos, e espanhóis. Germanos ou teutões – representados pelos alemães em especial, holandeses, suíços, ingleses e escandinavos em menor número. Eslavos -representados no Brasil pelos russos, e mais destacadamente pelos poloneses e ucranianos que se fixaram principalmente no Paraná. Os demais, embora em pequeno número, foram: os sírio-libaneses, os árabes e os judeus – denominados como “cristãos-novos”.

Os portugueses que povoaram o Brasil apresentavam uma variedade de elementos culturais, pois para aqui vieram os fidalgos e militares (classe mais elevada na época do Brasil-Colônia), sacerdotes, criminosos, além dos “homens bons” (lavradores, artesãos etc). Desse modo, foi dos portugueses que recebemos a herança cultural, com destaque para vários elementos como: a língua portuguesa com influências das culturas negra e indígena constituindo o elemento de identidade de todos os brasileiros; as instituições administrativas, sociais e morais além da religião católica; a arquitetura das construções; os produtos alimentícios que conservam a sua característica de origem nos nomes, sendo comum os termos pimenta-do-reino, azeite português, farinha-do-reino etc; no folclore, através dos folguedos, festas, lendas e superstições, canções, jogos, brincadeiras infantis e nas artes (bordado, cerâmica etc.). De todas as manifestações folclóricas, aquelas mais conhecidas tanto pela população rural quanto urbana são: o natal, o ano novo, o carnaval e as festas juninas (Santo Antonio, São João e São Pedro).