Fluxos Migratórios, Imigração Estrangeira e Migrações Internas no Brasil


IMIGRAÇÃO NO BRASIL

As razões da implantação do processo imigratório no Brasil foram várias. A necessidade de ocupar e povoar o extenso território brasileiro defendendo-o da cobiça estrangeira. Em 1808, o Brasil possuía apenas cerca de 4 milhões de habitantes. Portugal já sabia que o tráfico negreiro estava preste a se tornar uma atividade decadente. O predomínio de negros no Brasil era motivo de preocupação por parte dos governantes portugueses. Em 1808, o Brasil contava com 2 milhões de negros, 1,2 milhão de brancos, 300 mil mestiços e 500 mil índios. A coroa portuguesa estava interessada em “branquear” a população brasileira.

Fluxos Migratórios, Imigração Estrangeira e Migrações Internas no Brasil

De 1808 até o início da década de 1990, o Brasil recebeu cerca de 5,5 milhões de imigrantes, dos quais cerca de 4,2 milhões permaneceram em definitivo no país. O principal motivo da não-fixação definitiva de cerca de 1,3 milhão de imigrantes foi o contraste entre a propaganda enganosa que o Brasil fazia no exterior para atrair o imigrante e as reais condições de vida e de trabalho que o mesmo encontrava no país.

O processo imigratório brasileiro pode ser dividido em três períodos: 1808 – 1850; 1850 – 1934; e após 1934.

• Entre 1808, ano da chegada da família real portuguesa ao Brasil, até 1850 a imigração foi muito pequena devido ao desinteresse das pessoas em emigrar para um país de regime escravocrata. Nesse período destacam-se: 1808 – Fixação de 1.500 famílias de açorianos no Rio Grande do Sul, originando a cidade de Porto Alegre. 1818 Fixação de 1.700 suíço-alemães na região serrana do Rio de Janeiro, onde fundaram a cidade de Nova Friburgo (primeiro grupo de imigrantes não-portugueses). 1824 -Início da colonização alemã no sul do país com a fundação de São Leopoldo, a primeira cidade fundada pelos alemães nessa região. 1829 -Instalação da colônia alemã de Santo Amaro, nas proximidades da capital paulista.

•            O período entre 1850 (ano da criação da Lei Eusébio de Queirós) e 1934, foi o mais importante de todos. Os motivos principais foram: à proibição do tráfico de escravos, à rápida expansão da cafeicultura e ao emprego do sistema de trabalho assalariado, aos incentivos por parte do governo (que assumiu as despesas com o transporte do imigrante) e dos fazendeiros (que assumiram as despesas dos imigrantes durante o primeiro ano de trabalho) e por fim à abolição definitiva da escravidão em 1888. Nesse período o Brasil recebeu cerca de 80% do volume total de imigrantes registrado até o início da década de 1990. Entre 1890 a 1900, entrou no Brasil 1.130.000 imigrantes (20% do total), observe o gráfico. A maior parte dos quais formada por italianos (678.000), já que nessa época a Itália atravessava grave crise econômica.

•            Após 1934, ocorreu uma progressiva diminuição da imigração, devido aos seguintes e principais fatores: 1. a crise econômica (café) gerada pela quebra da Bolsa de Valores de Nova Iorque em 1929 e a crise política e social gerada pela Revolução brasileira de 1930, que colocou Getúlio Vargas no poder.  2. A criação das Leis da Imigração, que restringiram fortemente a entrada de novos imigrantes, sendo a Lei de Cotas, a mais importante. De acordo com essa lei, a partir de 1934 só poderia entrar no Brasil, a cada ano, o máximo de 2% do total de imigrantes de cada nacionalidade que entraram nos últimos cinquenta anos. Além dessa restrição de ordem quantitativa, havia outros tipos de restrições à entrada de estrangeiros: de ordem profissional 80% dos imigrantes deveriam ser agricultores); de ordem político-ideológica (não-aceitação de comunistas), etc. Por fim a Segunda Guerra Mundial e a posterior recuperação econômica da Europa, que provocou uma reorientação dos fluxos migratórios.

Na década anterior à implantação das Leis da Imigração (1924-1933), o Brasil havia recebido 737.223 imigrantes. Na década seguinte (1934-1943), a imigração reduziu-se para 197.238. De acordo com a nacionalidade, os cinco grupos mais numerosos de imigrantes que entraram no Brasil até 1970 foram, pela ordem, os seguintes: portugueses, italianos, espanhóis, japoneses e alemães.

Brasil: imigração estrangeira (1808-1970)

holandeses, quase todos localizados nas áreas urbanas, alguns de fácil assimilação da nossa cultura (franceses) e outros de difícil integração cultural (chineses e ingleses). Os holandeses, apesar de terem emigrado para o Brasil desde o tempo colonial, só recentemente a sua presença se fez sentir no Brasil, por meio de um trabalho de colonização bastante eficiente. É o caso das colônias de Castrolândia, no Paraná, de Não-me-Toque, no Rio Grande do Sul, e a colónia de Holambra, no município de Mogi-Mirim, no Estado de São Paulo. Entre os norte-americanos, chamam a atenção os confederados fugidos da Guerra de Secessão. Entretanto, muito pouco desse contato permaneceu, com exceção da fundação da cidade de Americana (SP), e da instituição de ensino Mackenzie, na cidade de São Paulo.

MIGRAÇÕES INTERNAS

A migração interna corresponde aos movimentos populacionais que ocorrem dentro de um país sem alterar sua população total, embora provoquem significativas mudanças econômicas e sociais nas áreas onde acontecem. As principais modalidades são as migrações inter-regionais e o êxodo rural.
Na categoria outros – Embora em número reduzido, destacam-se os turcos e árabes (sírios, libaneses, palestinos), chineses, ingleses, franceses, norte-americanos,

Migrações inter-regionais

Devido a alterações, historicamente determinadas, da estrutura socioeconômica das várias regiões brasileiras, verifica-se que, em certos períodos, algumas regiões atraem populações, enquanto outras, ao mesmo tempo, apresentam uma característica repulsora de população. Daí ser relativamente fácil encontrarmos movimentações inter-regionais. Os principais movimentos ocorridos no Brasil foram:

Êxodo rural ou migração rural-urbana é o maior fenômeno migratório da humanidade, pois se trata da transferência da população do campo para as cidades. Esse fenômeno atingiu todas as regiões brasileiras em maior ou menor escala, levando a um progressivo esvaziamento do meio rural e das cidades pequenas e a um exagerado crescimento das grandes cidades, fazendo surgir as metrópoles. O problema é que nesses centros urbanos, a maior parte da população migrante passa a residir em favelas ou cortiços.