Processo de Urbanização Brasileiro e Megalópoles


URBANIZAÇÃO BRASILEIRA

Urbanização se caracteriza através do crescimento proporcional da população urbana em relação à população rural. Portanto, só ocorre urbanização quando o crescimento da população urbana é superior ao crescimento da população rural. No período 1940-2000, enquanto a população rural do Brasil passou de 28,3 para 31,8 milhões de pessoas (aumento de 12,5%); a população urbana passou de 12,8 para 137,7 milhões de pessoas (aumento de 975%).
Um país só é considerado urbanizado quando mais da metade da sua população vive em cidades. Por exemplo, a Inglaterra urbanizou-se em meados do século XIX, já o Brasil, somente em meados da década de 1960.

Processo de Urbanização

A sociedade urbana apresenta contrastes quando comparada a rural. Entretanto, nenhuma sociedade é só rural ou totalmente urbana e, atualmente se percebe uma interação entre os dois habitat, sendo cada vez mais difícil separar o rural do urbano. “Cidade é a sede do município que se define no espaço pelo alto grau de relações entre seus habitantes, pelas suas relações com um espaço maior e pela independência de suas atividades em relação ao solo onde está localizada”.

As definições de cidade são inúmeras, mas a maioria delas concorda num ponto: trata-se de um aglomerado humano, variando em número e na sua relação com o espaço (sua área). No Brasil, a partir de uma lei criada em 1938, utiliza-se o critério político-administrativo para se definir que toda sede de Município constitui uma cidade, não importando sua população nem sua expressão econômica. Município, por sua vez, é uma sociedade capaz de autogoverno e auto-administração dos serviços que lhe são peculiares. Ao Município, em colaboração com o Estado, competem zelar pela saúde, higiene e segurança da população.

PROCESSO URBANIZADOR BRASILEIRO

A urbanização brasileira teve início junto com a ocupação territorial, ainda no período colonial. Em 1532, foi fundada a Vila de São Vicente, no litoral paulista. Em 1549, surge Salvador como a primeira cidade brasileira. No século XVI, existiam apenas três cidades no Brasil, todas situadas na fachada atlântica: Salvador, então capital, Rio de Janeiro (1565) e Nossa Senhora das Neves, atual João Pessoa (1585). Havia 14 vilas, com destaque para São Vicente (1532) e São Paulo (1554).

No século XX o processo urbanizador moderno se intensifica, em especial a partir da década de 1940 e 1950. Capitaneados pela industrialização associada à modernização da agricultura e que teve no Plano de Metas do presidente Juscelino Kubitschek (1956-61) seu principal fator. Durante seu governo foi construída a capital federal – Brasília -, e neste período entrou no país a grande indústria automobilística, elementos estes de fundamental importância para o arranque urbano.

Como é de fácil percepção o maior desenvolvimento urbano se deu na região Sudeste, reflexo de sua superioridade econômica que vem desde o ciclo da mineração, passando pela cafeicultura e mais recentemente a grande indústria. Desse modo as cidades dessa região tiveram crescimento maior que as de outras regiões.

As mais importantes, as maiores e mais bem equipadas cidades de um país são costumeiramente chamadas de metrópoles. Geralmente em torno delas e por causa delas, crescem ou surgem uma grande quantidade de cidades menores, constituindo uma área metropolitana que pode ser definida como: “Área metropolitana é um conjunto de municípios contíguos e integrados com serviços públicos de infra-estrutura comuns, grandes espaços urbanizados que se apresentam integrados seja quanto aos aspectos físicos quanto aos funcionais de uma metrópole que exerce o papel dirigente”.

No Brasil, a urbanização ocorreu de maneira concentradora, isto é, formando grandes cidades, as metrópoles. Em 1950, apenas São Paulo e Rio de Janeiro possuíam mais de um milhão de habitantes. No censo 2000, ambas possuíam mais de cinco milhões de habitantes e outras 13 cidades apresentaram mais de um milhão.

Com o excessivo crescimento urbano, os limites entre vários municípios encontraram-se caracterizando o fenômeno da conurbação que pode ser definida como “a união de duas ou mais cidades de crescimento contínuo formando um único aglomerado urbano”. Ex: região do ABC (SP), onde a fusão de áreas dos municípios de Santo André, São Bernardo, São Caetano e a própria cidade de São Paulo, além de outros no estado de São Paulo; Curitiba, Campo Largo, São José dos Pinhais,…no Paraná; Maringá e Sarandi; ou ainda, Londrina e Cambe, também no Paraná.

De acordo com o IBGE, as áreas com metropolização plena são aquelas em que o município central possui mais de 800 mil habitantes, tem funções diversificadas e especializadas, apresentam densidade demográfica com mais de 60 habitantes por quilometro quadrado e um percentual de população economicamente ativa superior a 65% da PEA total. Entretanto, as chamadas de metrópoles emergentes, têm população inferior no município central, mas juntamente com seu entorno forma uma aglomeração urbana integrada. Até 1991, consideravam-se apenas nove regiões metropolitanas no Brasil, todavia, com esses novos critérios é possível relacionarmos 22 áreas, incluindo o Distrito Federal e seu entorno.

A MEGALÓPOLE BRASILEIRA

A rede urbana consiste num sistema integrado de cidades que vai desde as pequenas até às grandes cidades. Neste sistema existe uma hierarquia onde as cidades pequenas polarizam os povoados, distritos e áreas rurais vizinhas. Por sua vez, são polarizadas pelas cidades médias mais próximas. Estas sofrem a influência ou polarização das metrópoles regionais, nacionais ou até mesmo das globais. No Brasil, uma das várias maneiras de classificá-las é:

• Metrópoles Globais: a expressão “metrópoles globais” vem sendo usada para designar um grupo de centros urbanos nos quais se concentram as sedes das grandes empresas multinacionais e que apresentam atividades de prestação de serviços financeiros, comunicações, pessoais e de apoio à produção bastante diversificadas e sofisticadas. No Brasil temos São Paulo e Rio de Janeiro.

• Metrópoles Nacionais: as metrópoles nacionais são as maiores e mais importantes cidades de um país, que dotadas de grande infra-estrutura são capazes de polarizar cultural e economicamente uma nação inteira. No Brasil temos São Paulo e Rio de Janeiro.

• Metrópoles Regionais: são as cidades dotadas de boa infra-estrutura urbana capazes de polarizar um estado ou uma região. No Brasil são exemplos dessas metrópoles: Porto Alegre, Curitiba, Belo Horizonte, Brasília, Salvador, Recife, Fortaleza, Manaus, Goiânia e Belém.

• Capitais Regionais ou metrópoles regionais incompletas: são aquelas cidades de médio porte, que possuem forte influência sobre sua região. Campinas, Bauru, Florianópolis, Campo Grande, Londrina, Blumenau, Caxias do Sul.

•        Centros Regionais: Americana, Anápolis, Maringá, Cascavel, Presidente Prudente.

• Centros locais: são as menores cidades, cuja influência limita-se apenas à sua área rural e urbana.

Algumas cidades de importância regional como Londrina e Maringá já possuem o status de cidades metrópoles, diante da influência exercida por elas
nas áreas em que estão situadas. Em consequência das precárias condições de vida oferecida pelas grandes metrópoles por conta de seu crescimento acelerado, o que ocasiona falta de emprego, aumento de violência, problemas de trânsito, poluição entre outros, está em processo um fenômeno que pode ser identificado por “desmetropolização”, ou seja, a transferência de um número cada vez maior de pessoas das grandes cidades rumo às cidades médias, geralmente entre 200 mil a 500 mil habitantes. Inclusive, indústrias e empresas ligadas ao setor de prestação de serviços estão em busca de novos mercados alternativos às grandes metrópoles.