A indústria na Região Sul


A Região Sul do Brasil é a reunião de três estados da federação, que ocupam um território de 576.774 km2. Trata-se da menor das cinco regiões do território nacional e os estados que a integram são Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

A indústria na Região Sul

Geograficamente, essa região é banhada, a leste, pelo Oceano Atlântico, tendo os Estados de São Paulo e Mato Grosso do Sul ao norte, o Uruguai ao sul e a oeste o Paraguai e a Argentina. Além de ser cortada por uma malha rodoviária bastante consistente, a região é servida por cinco portos importantes: Rio Grande (RS), Paranaguá (PR), Navegantes, Itapoã, São Francisco, Itajaí e Imbituba (SC).

Essa infraestrutura propicia um ambiente extremamente favorável ao desenvolvimento da indústria, condição essa que se amplia se levados em conta três outros fatores: as distâncias geográficas pouco hostis dentro do território da região, a fronteira com países do Mercosul e a proximidade da Região Sudeste, principal centro de consumo do país.

Além das condições favoráveis para o escoamento da produção, a região conta com uma generosa matriz energética, potencializada pelas usinas hidrelétricas, consequência do relevo do sul do país, sobretudo no Paraná e Santa Catarina, além de um mercado consumidor próprio de bom poder aquisitivo.

Desenvolvimento e perfil da indústria

A Região Sul foi ocupada por imigrantes, sobretudo europeus, que ali se instalaram basicamente para se dedicar à atividade agropecuária. A prevalência da economia primária durou até o final dos anos 70, quando se deu o primeiro programa de industrialização da região, que logo mostrou vocação industrial, se transformando rapidamente na segunda maior produtora do país, perdendo apenas para a Região Sudeste.

A indústria trouxe consigo a ampliação de outros setores, que ocupam hoje papel relevante na economia da região, como: serviço, turismo, energia e extrativismo. A caminhada da indústria da região nem sempre foi de passos largos. A ausência de políticas nacionais de industrialização e desenvolvimento nos anos 80 e 90 reduziram drasticamente o crescimento do setor. A partir do início do século XXI, porém, a indústria tomou um novo impulso, graças à migração de empresas para a região, aos benefícios fiscais oferecidos pelos estados e pelo fortalecimento das relações bilaterais com os parceiros do Mercosul.

O setor industrial é diversificado e bem distribuído entre os três estados. Abaixo as principais atividades industriais de cada estado:

  • Rio Grande do Sul – Alimentos, vinhos, calçados, indústria automobilística e petroquímica.
  • Santa Catarina – Moda, calçados e carne.
  • Paraná – Agroindústria, eletrodomésticos, papel, celulose, automóveis e caminhões

As maiores concentrações industriais estão nas regiões metropolitanas de Porto Alegre e de Curitiba. Outro importante polo industrial é o nordeste de Santa Catarina, que tem nas cidades de Joinville, Blumenau e Brusque a maior concentração da atividade, favorecida pela proximidade dos diversos portos da região. Destacam-se também, no Paraná, as regiões de Londrina, Maringá e Ponta Grossa. No Rio Grande do Sul, destaque para Pelotas, Caxias do Sul e Santa Maria.

O papel e as perspectivas da indústria

A Região Sul reúne 29 milhões de habitantes, 14,3% da população brasileira, respondendo por 16,2% do PIB. A renda per capita é de R$ 24.382,00, superior ao restante do Brasil, que apresenta média de R$ 21.535,65. O IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), que é de 0,76, enquanto o IDH brasileiro é 0,73, segundo dados do IBGE, de 2014. A Região Sul é responsável por 21% das exportações nacionais.

Esse conjunto de dados aponta a importância da Região Sul no contexto econômico nacional. Se colocado o peso na indústria, fica mais evidente o papel desse setor na economia regional e nacional. A Região Sul emprega 25,6% da mão de obra nacional na indústria de transformação.

A participação da indústria no PIB brasileiro anda na casa dos 11%. Já chegou a atingir 22% no início dos anos 80, sobretudo em função dos programas de desenvolvimento econômico e industrial adotado nas décadas anteriores. Desde então, essa participação vem diminuindo, o que não indica, necessariamente, encolhimento da atividade industrial, mas o crescimento de outros setores, sobretudo o de serviços.

De qualquer forma, o futuro da indústria no Brasil e no Rio Grande do Sul depende, basicamente, da mudança da conjuntura política. A instabilidade política e a falta de rumo do país impacta negativamente a confiança do empresariado. A política cambial dos últimos anos, dizem os especialistas, contrastou com o forte investimento em infraestrutura, contribuindo para a desindustrialização do país. A perda de renda e o aumento do desemprego, com consequente diminuição no consumo, são duas ameaças graves à indústria.

Apesar disso, a Região Sul, ainda que sofra as consequências da conjuntura nacional e internacional, segue mostrando fôlego. Em 2016, ano ruim para a indústria nacional, os três estados do Sul apresentaram crescimento na atividade industrial.