América Anglo-saxônica e Estados Unidos


América Anglo-saxônica

Divisões do continente americano

Considerado o segundo maior continente do planeta, a América apresenta uma área de 42 milhões de quilômetros quadrados e 28% das terras emersas do globo. Em função de sua grande diversidade natural, humana e econômica, costu­ma-se dividir esse continente de duas maneiras distintas. A primeira leva em consideração, sobretudo, as diversidades naturais e identifica três unidades: América do Norte, Améri­ca Central e América do Sul. A outra divisão leva em consi­deração, principalmente, as diversidades humanas e econômicas e identifica duas unidades no continente: América Anglo-saxônica e América Latina.

América Anglo-saxônica

Os principais fatores de semelhança existentes entre as Américas são sua estrutura geológica e a disposição geral do relevo. O oeste caracteriza-se pelos dobramentos modernos, com altas cordilheiras de montanhas; a parte central é formada, sobretudo, por terrenos sedimentares de baixas altitudes e a porção leste caracteriza-se por terrenos antigos, com montanhas desgastadas pela ação do tempo.

Aspectos  físicos

Relevo

Na parte oriental, destaca-se aos planaltos do Labrador, no Ca­nadá, e os dobramentos antigos, como os Apalaches, nos Estados Unidos. No oeste, os grandes planaltos interiores, como o da Grande Bacia, onde se localiza a depressão do Vale da Morte, e o do Colorado, com o Grand Canyon, escavado pelo Rio Colorado.

Hidrografia

Os rios norte-americanos pertencem a quatro verten­tes principais: Ártica, do Pacífico, do Atlântico e do Gol­fo do México. Com 4 600 quilômetros de extensão, é o Rio Mackenzie, que atravessa o Canadá no sentido sul-norte.

Vertente do Pacífico

Apresenta rios encachoeirados que se formam nas Montanhas Rochosas. Destacam-se o Colômbia, que nasce no Canadá e penetra nos Estados Unidos, onde está a maior hidrelétrica norte-americana – Grand Coullee -, e o Colorado, que consegue vencer a barreira das Rochosas por meio de seus cânions e desemboca no Golfo da Califórnia.

Vertente ártica

Os inúmeros lagos de origem glacial (Winnipeg, Athabasca, do Escravo, do Urso e outros) alimentam di­versos rios canadenses, como os rios Nelson, Albany, Churchill entre outros. O mais longo e importante deles. O Rio Colorado tem escavado o Grand Canyon nos últimos 65 mi­lhões de anos, pelo menos.

Vertente do Atlântico

O mais importante desses rios é o São Lourenço, que, apesar de ter l 200 quilômetros de extensão, apresenta um sistema de eclusas e um canal artificial de 238 quilômetros, que permite a navegação desde o Lago Superior, por todos os demais grandes lagos, até o Oceano Atlân­tico, em terras canadenses. É, portanto, a principal via navegável da América do Norte. Destacam-se, também, os rios Hudson (Nova York), Delaware (Filadélfia), Potomac (Washington) e Savana (Carolina do Sul).

Vertente do Golfo do México

O principal rio é o Mississipi, que nasce no Lago Itaska. Ao receber o Rio Missouri, vindo das Rochosas, transforma-se no maior rio da América do Norte, considerado o segundo do mundo em extensão, logo após o Amazonas. Os principais afluentes do Mississipi são Ohio, Tennessee, Arkansas e Vermelho. Destaca-se, também, o Rio Grande (ou Bravo), que serve de limite entre o México e os Estados Unidos.

Estados Unidos

Aspectos políticos

Os Estados Unidos são o quarto país do mundo em área, com 9 372 614 quilômetros quadrados, formado por cin­quenta estados e pelo distrito de Colúmbia, onde está locali­zada a capital do país, Washington. Desde a Proclamação da Independência, em 1776, até o final do século XIX, a geopolítica norte-americana caracte­rizou-se pelo expansionismo interno, com a formação das atuais fronteiras dos Estados Unidos.

Recursos minerais e energéticos

A maior economia do mundo teve suas bases, entre outros fatores, ligadas à colonização de povoamento e à diversidade de recursos minerais e energéticos do seu território, com destaque para o petróleo, o carvão mine­ral, o cobre, o zinco, o ferro e o urânio. Apesar de a produção de petróleo ultrapassar a casa dos 9 milhões de barris/dia, fato que os coloca entre os três maiores produtores do mundo, os Estados Unidos não são auto-suficientes, pois consomem 18 milhões de barris por dia. Texas, Golfo do México, Califórnia e Alasca são as principais áreas produtoras. O carvão dos Apalaches e da planície dos Grandes Lagos é suficiente para o consumo interno. A energia elétrica consumida no país é obtida princi­palmente das usinas termelétricas e, no oeste, nas bacias dos rios Colúmbia e Colorado, é explorada a hidreletricidade.

Indústria

O maior parque industrial do mundo acha-se distri­buído nas diversas regiões do país.

• Nordeste – região mais importante, onde se loca­lizam os maiores aglomerados urbanos, destacan­do-se uma imensa megalópole denominada de Boswash, que vai de Boston a Washington, in­cluindo cidades como Nova York, Filadélfia e Pittsburgh, entre outras. O Nordeste e a região dos Grandes Lagos formam o manufacturing belt, embora a participação dessa região na indústria do país venha diminuindo, em 1950 contri­buía com 70% da produção industrial e atualmente, repre­senta apenas 40%. As novas áreas industriais no Golfo do México e na costa do Pacífico vêm aumentando consideravelmente sua importância.

As grandes empresas industriais da região do nordeste americano, conhecida como manufacturing belt, que somam uma produção anual da ordem de 800 bilhões de dólares, estão concentradas em grandes polos urbano-industriais em torno de cidades como Boston, Nova York, Filadélfia (na foto), Pittsburgh, Cleveland, Detroit e Chicago.

• Meio-Oeste – na região dos Grandes Lagos e norte das planícies centrais, está a maior concentração industrial do país, destacando-se a tradicional indústria metalúrgica americana. Merecem desta­que também Chicago – a capital do Meio-Oeste, Cleveland e Detroit, com seus centros automobi­lísticos.

• Sul – em função da grande influência da agricul­tura, destacam-se as indústrias têxtil e alimentí­cia, bem como a petroquímica, em virtude do pe­tróleo produzido no Texas.

• Costa Oeste – destacam-se grandes centros indus­triais, como Seattle, com a aeronáutica (Boeing); Portland; São Francisco e Los Angeles. Atualmen-te, o maior destaque da indústria norte-americana está na tecnologia de ponta, especialmente a da informática, no Vale do Silício, nas proximidades de São Francisco e nas várias cidades localizadas pró­ximo às Montanhas Rochosas, na Califórnia, além da microeletrônica, concentrada em Austin (Texas).

Agricultura

Graças à utilização de tecnologia moderna, a agricultura norte-americana apresenta alta produtividade, encontrando-se distribuída em grandes cinturões. O cinturão verde está voltado ao abastecimento de hortifrutigranjeiros, e a pecuária bovina intensiva abastece os grandes centros industriais.

Transportes

A grande integração entre os diferentes sistemas de transporte (rodoviário, ferroviário e hidroviário) é um dos grandes responsáveis pelo desenvolvimento da maior po­tência econômica do mundo, destacando-se Chicago como o grande entroncamento ferroviário norte-americano.

Comércio

O Nafta – Acordo de Livre Comércio da América do “Norte (“North American Free Trade Agreement) – foi fir­mado em 1992 entre Estados Unidos, Canadá e México. Seu principal objetivo é aumentar a competitividade nor­te-americana para fazer frente à União Europeia e ao Ja­pão, seus principais concorrentes comerciais. A luta norte-americana para implantar a Alça (Área de Livre Comércio das Américas) encontra-se inserida nessa estratégia comercial. Após uma década de expansão, a economia norte-ame­ricana, graças a uma série de acontecimentos, entrou em choque. Entre eles, é importante destacar os atentados ter­roristas de 11 de setembro de 2001 e, especialmente, os escândalos financeiros, com as fraudes nos balanços de grandes corporações, como os da Enron, do setor elétrico, em dezembro de 2001, e da Worldcom, em julho de 2002, dona da brasileira Embratel, que pediu concordata após ter admitido fraudes fiscais. Muitos cidadãos norte-americanos que investiram dinheiro em ações para garantir uma aposentadoria mais tranquila tiveram prejuízos imensos.

Como um dos setores básicos da economia norte-americana é a indústria bélica, que dinamiza diversos se­tores afins, a guerra contra o Iraque e o combate ao “eixo do mal” contribuíram para movimentar a economia e tra­zer de volta um período de expansão econômica. Os vultosos gastos do governo levam a déficits pú­blicos cada vez maiores, ameaçando a estabilidade da maior economia mundial.

Para evitar o aumento da inflação, o Banco Central Norte-americano, em 2005 e 2006, aumentou de forma expressiva suas taxas de juros. Esse fato ocasionou a fuga de investimento de países emergentes como o Bra­sil, para aplicar em títulos do Tesouro Norte-americano. Apesar de responder por um quarto da produção mundial e apresentar uma das maiores rendas per capita do mundo, aproximadamente 37 milhões de norte-americanos vivem abaixo da linha de pobreza.

A pobreza está relacionada, em parte, ao fluxo migra­tório; o país é o principal polo de imigração internacio­nal, especialmente, de latino-americanos. O governo nor­te-americano vem criando cada vez maiores dificuldades à entrada de migrantes, com aprovação de leis restritivas e ação efetiva da polícia no combate à imigração ilegal. Em 2006, o Congresso aprovou liberação de recursos para aumentar o muro na divisa com o México, como uma for­ma de diminuir o fluxo migratório.