Aspectos Humanos e Econômicos da América Central e Canal do Panamá


Pode-se dividir a América Central em: América Central Continental e América Central Insular. A parte continental é formada por sete países: Belize, Guatemala, Honduras, El Salvador, Nicarágua, Costa Rica e Panamá. A porção insular é constituída pelas Grandes Antilhas, formada por cinco países: Cuba, Haiti, República Dominicana, Jamaica e Porto Rico; pelas Pequenas Antilhas (um conjunto de pequenas ilhas onde predominam áreas de domínio europeu); e as Bahamas (país semi-autônomo associado ao Reino Unido).

Aspectos Humanos e Econômicos

ASPECTOS  HUMANOS

Na porção continental há o predomínio de populações mestiças (índios x brancos), enquanto que na porção insular predomina os negros, mulatos e brancos europeus, devido à exploração da cana-de-açúcar, que nessas ilhas se deu de forma escravista. A população, de modo geral, é muito pobre com
fortíssima concentração de renda, apresenta crescimento vegetativo superior a 2% ao ano, com predomínio de população jovem, concentrada na área rural. Isso tudo somado à grande dependência econômica externa, transforma essa região numa área de constante instabilidade política.

ASPECTOS ECONÔMICOS

A América Central Continental tem como economia básica os produtos tropicais (café, cana, algodão, cacau, banana, fumo e outros). Percebe-se, portanto, que a base da economia é a agricultura de produtos tropicais realizada no sistema de Plantations e controladas por grandes empresas norte-americanas, como por exemplo, a United Fruit É por esse motivo que as repúblicas centro-americanas são pejorativamente chamadas de Banana’s Republic. Exceção feita ao Panamá que não depende exclusivamente da agricultura. Ele possui algumas indústrias (refinarias de petróleo) e explora seu canal que permite a ligação entre os oceanos Pacífico e Atlântico.

A América Central Insular é formada por ilhas que se localizam na zona tropical e equatorial do Mar das Antilhas. Nas ilhas maiores (Grandes Antilhas), destacam-se países como Cuba (3° produtor mundial de cana-de-açúcar), Haiti, República Dominicana, Jamaica e Porto Rico (Estado Livre Associado aos EUA), e nas ilhas menores (Pequenas Antilhas), os destaques são os países pertencentes à Comunidade das Bahamas com 13.939 km2 em mais de 700 ilhas espalhadas por 230.000 km2 do Oceano Atlântico. Pertencem à Comunidade Britânica, tendo como chefe de Estado a rainha da Inglaterra, porém possuem independência político-econômica com parlamento e constituição próprias.

Ainda com relação às Pequenas Antilhas, se destacam Dominica, Martinica, Antigua, Granada e Guadalupe, cujas economias baseiam-se na exportação de rum, frutas e vegetais e a importação de alimentos e produtos manufaturados. A exemplo da parte continental os países da América Central Insular têm sua economia baseada no setor primário, uma vez que a agricultura, principalmente da cana-de-açúcar e da banana, é a principal fonte de produtos para a exportação, além do extrativismo mineral praticado por alguns países também servindo à exportação, como é o caso da Jamaica que exporta bauxita para o Canadá.

O único destaque que foge à caracterização de país exportador de matérias-primas é Cuba, já que ela possui vários recursos minerais (cobre, níquel, ferro e manganês). Após a Revolução Cubana (1959), graças ao forte apoio governamental e as injeções de capitais e tecnologia soviéticas, no período da Guerra Fria, o pais conseguiu desenvolver bastante seu setor industrial, destacando-se principalmente as indústrias química, têxtil, alimentícia, cigarros e charutos, rum, açúcar, metalurgia e siderurgia. O turismo é uma atividade de grande significado para a região e contribui para a captação de divisas. Outra característica da região é a existência de paraísos fiscais, com destaque para as Bahamas e a Ilhas Cayman.

O Canal do Panamá

O Panamá deixa de ser colônia da Espanha em 1821, incorporando-se à Grã-Colômbia, juntamente com o Equador, Venezuela e a Colômbia. Em 1879 o engenheiro francês Ferdinand de Lesseps, que já havia construído o Canal de Suez, tentou fazer um novo canal através do Panamá, cortando esse país de lado a lado e colocando em contato direto os oceanos Atlântico e Pacífico. O empreendimento fracassou devido a falta de planejamento, a acusação de fraudes, à geografia panamenha e a falta de preparo dos europeus para enfrentar doenças tropicais como a malária e a febre amarela.

Em 1903, sob posse norte-americana, o engenheiro chefe John Stephens, decidiu fazer o caminho de água através das montanhas, subindo e descendo por meio de comportas. A Zona do Canal representou uma área geopolítica e económica importantíssima para os EUA, mesmo sendo impossível a passagem dos super petroleiros. A área destinou-se ao funcionamento de bases militares norte-americanas e de plataforma para a expansão de transacionais.
Em 1977, o então presidente americano Jimmy Cárter e o chefe de governo panamenho, general Ornar Torrijos, assinaram um acordo histórico, cujo artigo principal do tratado garantia a transferência para o Panamá da soberania do canal a partir de 01 de janeiro do ano 2000. Hoje, pelo canal circulam cerca de 5% de todo o comércio mundial de mercadorias e constitui a principal fonte de renda do Panamá.

Em 1902, os Estados Unidos negociam a compra dos direitos e bens da companhia francesa, que desde há anos havia paralisado as obras de construção do canal. Com a recusa no negócio, os EUA ajudaram o Panamá a se desligar da Colômbia em 1903, através de um golpe de Estado. O recém-formado governo panamenho cedeu então a soberania da zona do canal por U$ 10 milhões.