Características Físicas da América do Sul: Geomorfologia, Paisagens e Vegetação


AMÉRICA DO SUL: QUADRO NATURAL

Entende-se por América do Sul uma área de quase 18 milhões de km2, que se une à América do Norte através da América Central e separa-se do continente antártico pelo Estreito de Drake. Sua localização latitudinal vai de 11° N a 55° S, sendo atravessado pelo Equador no extremo norte e pelo trópico de Capricórnio ao sul, de modo que boa parte do território está inserida na zona tropical Sul, predominando climas quentes e úmidos, recobertos por florestas tropicais, rasgados por rios de grande volume de águas como o Amazonas, o Orenoco, Paraná e São Francisco entre outros.

Características Físicas da América do Sul

GEOMORFOLOGIA

Em qualquer latitude a América do Sul apresenta sempre a mesma sequência de formas de relevo. Pela costa oeste percorre a cordilheira dos Andes, uma área de dobramentos modernos cujo pico do Aconcágua com cerca de 7.000 de altitude é o ponto mais alto do continente. Na região central aparecem terrenos de baixa altimetria, predominando planícies e baixos planaltos sedimentares, e a porção leste é dominada por planaltos e montanhas antigas da era Pré-Cambriana.

Dentre os grandes acidentes geográficos presentes na América do Sul, destacam-se:

As planícies costeiras do Pacífico:

bastante estreitas aparecem espremidas entre o oceano Pacífico e a Cordilheira dos Andes. Cordilheiras: localizam-se na porção oeste e chegam a atingir cerca de 7.000 metros de altitude. Isso ocorre porque os terrenos são jovens e sofreram intenso tectonismo, provocando dobramentos nas camadas de rochas durante o período Terciário da era Cenozóica. Muitas vezes as elevações adquirem um formato paralelo, é o caso da porção centro-norte da Cordilheira dos Andes, onde se observa, entre as elevações, planaltos soerguidos, os chamados altiplanos andinos. Planícies fluviais: as áreas de sedimentação deram origem às planícies Amazônica, do Orenoco, do Madalena, Platina. Grande parte situada entre as cordilheiras do oeste e os planaltos antigos do centro-leste.

Planaltos antigos desgastados

localizado na porção leste do continente, com elevações modestas, poucos ultrapassam 2.000 metros. Isso ocorre devido à antiguidade das rochas arqueo-proterozóicas, formadoras deste relevo, que já foram bastante desgastadas pela erosão e não apresentam manifestações tectônicas recentes (Planalto das Guianas e o Planalto Brasileiro). Planícies costeiras Atlânticas: apresentam-se ora estreitas chegando a desaparecer, ora largas possibilitando o aparecimento de inúmeras praias.

PAISAGENS CLIMATOBOTANICAS

Em relação aos aspectos climatobotanicos que envolvem o território sul-americano, muitos são os fatores que influem de forma direta e/ou indireta na disposição dos climas e das paisagens vegetais, dentre eles destacam-se:

A latitude: boa parte da área se localiza em zonas de baixas latitudes tropicais, excetuando parte do Uruguai, Chile e Argentina que se situam em áreas de latitudes médias;

A altitude e a disposição do relevo: a área apresenta montanhas elevadas como os Andes na porção oeste que funcionam como muralhas para o vento e a umidade vindas do oceano Pacífico. Planídes centrais que formam verdadeiros corredores para as massas de ar que atuam no sentido sul-norte, além de montanhas antigas e desgastadas na costa leste que também influenciam e barra a umidade originada no oceano Atlântico, promovendo o fenômeno da continentalidade;

Ação das massas de ar: equatoriais, tropicais e polares que alteram e dinamizam o perfil climático da região; Influencia das correntes marítimas: os climas da América do Sul sofrem a influência das seguintes correntes:

Corrente de Humboldt, fria do Pacífico que favorece a ocorrência do clima árido e semiárido no deserto de Atacama, no norte do Chile e sul do Peru;
Corrente das Malvinas ou Falklands, também fria, só que no oceano Atlântico, favorece a ocorrência do clima árido no planalto da Patagônia, no sul da Argentina; Corrente do Brasil, quente, no litoral Atlântico capaz de provocar chuvas abundantes no litoral brasileiro, desde o sul da Bahia até o litoral Paulista;

Corrente das Guianas, quente, que banha a costa norte-nordeste do Atlântico e se dirige para a América Central onde dá origem à corrente do Golfo. As correntes das Guianas e do Brasil são ramificações da Corrente Sul-Equatorial que nasce nas proximidades da África.

Considerando esses fatores, se pode afirmar que boa parte da América do Sul apresenta temperaturas elevadas que vão diminuindo na direção sul.
Na região equatorial encontra-se o clima equatorial com pequenas amplitudes térmicas, elevadas temperaturas e chuvas abundantes e entre os trópicos prevalece o clima tropical O temperado aparece na medida em que há aumento de latitude na direção do pólo Sul. O clima subpolar está presente no extremo do continente, bem como na cordilheira andina (clima de montanha), onde é possível também o aparecimento de outros climas de acordo com a influencia altimétrica, incluindo o semidesértico e o desértico, presentes nas proximidades dos litorais do Chile (deserto de Atacama) e do Peru (deserto de Sechura) e ao sul da Argentina, o deserto frio da Patagônia.

O deserto de Atacama, um dos mais secos do mundo, tem sua existência associada à influência da corrente marítima fria de Humboldt (veja mapa). A mesma resfria as águas do Pacífico e provoca a condensação de massas de ar saturadas de vapor de água ao nível do oceano, fazendo com que elas cheguem secas ao continente. A pouca umidade ainda existente esbarra nos elevados paredões da cordilheira dos Andes e precipita sobre o litoral.
Regra geral, as grandes paisagens vegetais aparecem associadas ao clima. É imperativo ressaltar que boa parte da cobertura vegetal primitiva já não existe mais devido a interesses económicos e mau uso dos solos, a paisagem vegetal da América do Sul é bastante diversificada. As principais formações vegetais da região são:

Floresta equatorial: Encontra-se na Amazônia e partes da América Central, é uma vegetação sempre verde e grande densidade e apresenta inúmeras espécies vegetais e animais. Com solo pouco profundo e recoberto por folhas que caem das árvores se decompondo rapidamente, formam o húmus que serve como nutrientes para ela própria.

Floresta tropical: É encontrada no Brasil em terrenos mais altos e nas encostas das serras voltadas para o Oceano Atlântico, sob o clima tropical. Trata-se também de uma floresta densa e heterogênea, muito parecida com a floresta equatorial.

Savanas: Típica de áreas de clima tropical alternadamente seco e úmido. Recebe vários nomes, como cerrado, no Brasil e lhanos, na Venezuela. Caracteriza-se por apresentar um estrato inferior composto basicamente por gramíneas e um segundo estrato formado por arbustos e mesmo árvores.
Pampas ou campos: Típico de clima temperado continental aparece no sul do Brasil, Argentina, Uruguai e Chile. É formado basicamente por uma vegetação rasteira (gramíneas), excelente para pastagens naturais.

Caatinga: São formações vegetais típicas de regiões semidesérticas com pouca precipitação pluvial, como o caso do Nordeste brasileiro. Na região dos desertos de Atacama e o da Patagônia, aparecem estepes áridas que recebem o nome de “punas”.

Floresta de coníferas e Tundra: Presente no extremo sul do continente americano (Chile e Argentina). A Conífera é uma formação florestal arbórea com folhas muito duras e pontiagudas (aciculifoliadas) adaptada a climas frios. A Tundra é uma vegetação rasteira formada por musgos e liquens de clima polar e/ou subpolar e que aparece apenas no curo verão.

rio mais caudaloso do mundo, cujo percurso tem 2.140 km. Nasce a 1.047 metros do nível do mar, no Cerro Delgado Chalbaud, no extremo sudeste do Estado Amazonas, e seu curso vai primeiro para o norte para depois girar completamente para o leste. No tempo das chuvas, o rio chega a ter 22 km de largura em San Rafael de Barrancas, e 100 metros de profundidade. É navegável ao longo de 1.670 km, dos quais 341 são utilizados por barcos de grande calado. Desagua no Oceano Atlântico, por meio de cerca de 300 canais que formam um portentoso delta de 30.000 km2.