Brasil Geográfico: Território, Divisão Política e Estrutura Geológica


Situação geográfica

O Brasil situa-se na parte centro-oriental da América do Sul, ocupando quase a metade do seu território (47%). O território brasileiro está totalmente localizado no He­misfério Ocidental e 93% dele se encontra no Hemisfério Meridional. Quanto às zonas de iluminação, o Brasil tem 92% de suas terras na faixa tropical e apenas 8% na zona tempe­rada do sul. Na par­te norte (Amazonas, Pará, Amapá e Ro­raima), é atravessa­do pela Linha do Equador, e, na parte sul (São Paulo, Pa­raná e Mato Grosso do Sul), pelo Trópi­co de Capricórnio.

Brasil Geográfico: Território

O Brasil limita-se:
• ao norte – com o Oceano Atlântico, a Guiana Francesa, o Suriname, a Guiana e a Venezuela;
• a noroeste – com a Colômbia;
• a oeste – com o Peru e a Bolívia;
• a sudoeste – com o Paraguai e a Argentina;
• ao sul – com o Uruguai;
• a sudeste, leste e nordeste – com o Oceano Atlântico.

Fronteiras e limites

O Brasil tem 15 719 quilômetros de fronteiras ter­restres e 7 408 quilômetros de orla marítima banhada pelo Oceano Atlântico. Os dois países sul-americanos que têm maior área de fronteira com o Brasil são a Bolívia e o Peru e os que têm menor área de fronteira são o Suri­name e o Uruguai. Dois países sul-americanos não se limitam com o Brasil: Chile e Equador.

Pontos extremos

Pode-se afirmar que o Brasil é um país equidistante, pois suas distâncias norte-sul e leste-oeste se aproximam bastan­te:
• norte-sul – 4 394 quilómetros;
• leste-oeste – 4 319 quilómetros.

Os pontos extremos do território brasileiro são
• ao norte – nascente do Rio Ailã, na Serra do Caburaí, divisa de Roraima com a Guiana, localizada a 5°16’19” de latitude norte;
• ao sul – curva sul do Arroio Chuí, na divisa do Rio Grande do Sul com o Uruguai, localizada a 33°45’09” de latitude sul;
• a leste – Ponta do Seixas, no Cabo Branco, litoral do estado da Paraíba, no Oceano Atlântico, localiza­ da a 34°45’54” de longitude oeste;
• a oeste – nascente do Rio Moa, na Serra da Contamana, divisa do estado do Acre com o Peru, locali­zada a 73°59’32” de longitude oeste.

Fusos horários

Como a extensão do território brasileiro no sentido leste-oeste é superior a 4 000 km, existem no país quatro fusos horários, atrasados em relação a Greenwich (Inglaterra).

• lo fuso – apresenta duas horas a menos que Greenwich e prevalece nas ilhas oceânicas: Fernando de Noro­nha, Trindade e Martim Vaz.
• 2o fuso – são três horas a menos do que em Greenwich. É o horário oficial do Brasil (hora de Brasília) e prevalece nas regiões Sul, Sudeste e Nordeste, nos estados de Goiás, Tocantins e Amapá e na parte oriental do estado do Pará.
• 3o fuso – apresen­ta quatro horas a menos do que em Greenwich. É o horário de Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, par­te ocidental do Pará, Roraima, Amazonas oriental e Rondônia.
• 4o fuso – são cinco horas a menos do que em Greenwich e prevalece apenas no Acre e no extre­mo ocidental do Amazonas.

Divisão política

A República Federativa do Brasil é constituída por 26 estados e pelo Distrito Federal, apresentando 27 unidades políticas.

Divisão regional

Considerando-se que região geográfica se caracteriza por fatores naturais, humanos e económicos e abrange todos os elementos da paisagem, pode-se afirmar que o Brasil é constituído por cinco grandes regiões político-administrativas: Norte, Nordeste, Sudeste, Sul e Centro-Oeste, divisão feita pelo IBGE em 1969, que continua vigorando até hoje. Na promulgação da atual Constituição, ocorrida em 5 de outubro de 1988, foi criado o estado de Tocantins, desmembra­do de Goiás, e que passou a fazer parte da Região Norte.

Regiões geoeconômicas

Trata-se de uma divisão regional não-oficial, feita em 1967 pelo geógrafo Pedro Pinchas Geiger, que dividiu o ‘_ Brasil em três complexos regionais ou regiões geoeco­nômicas: Amazônia, Nordeste e Centro-Sul, cujos limi­tes não coincidem com os limites dos estados. Um mes­mo estado pode ter parte de seu território em uma região e parte em outra. Essa divisão leva em consideração ape­nas os traços comuns dessas enormes porções territoriais.
As disparidades regionais no Brasil são acentuadas, consequência do desenvolvimento histórico ocorrido no país. Para que o Brasil possa alcançar o desenvolvimento, é importante que se conheçam as características regio­nais e que se desenvolvam programas integrados de de­senvolvimento.

Realidade brasileira

Nas próximas aulas, serão estudados os aspectos físicos do Brasil e, na sequência, os humanos e económicos. Cabe ressaltar que, embora os assuntos sejam abordados isoladamente, eles constituem um todo. Deve-se ter uma visão global do Brasil e perceber a interação dos diversos aspectos. Um conhecimento adequado do Brasil é fundamental para que a nação brasileira alcance níveis económicos e sociais elevados, promovendo o bem-estar da população.

O Brasil é um país de contrastes. Se for levado em consideração o PIB, vê-se que ocupa um lugar de destaque no mundo. Contudo, se forem analisadas as condições sociais, a situação brasileira chega a ser vergonhosa. O descompasso entre o desempenho econômico e as condições de bem-estar social é gigantesco. No relatório sobre desenvolvimento humano que a ONU publica anualmente, o Brasil ocupou, em 2005, o 63o lugar. Sabendo-se que as principais características do relatório levam em consideração, além dos dados económicos, dados sociais, observa-se que o Brasil tem um longo caminho a percorrer. Não se deve confundir crescimento econômico com desenvolvimento. É preciso que o “Brasil do Real”, além do crescimento econômico, traga melhores condições de vida para a população em geral. A injusta distribuição de renda é uma das características históricas do país a ser resolvida.

Estrutura geológica e relevo brasileiro

A base do relevo brasileiro é formada por rochas magmáticas e metamórficas, constituindo o em­basamento cristalino, formado no Pré-cambriano: 36% da superfície do território brasileiro é formada por esses escudos cristalinos, tam­bém conhecidos como plataformas ou crótons e dobramentos. A maior parte (32%) é constituída por ter­renos arqueanos ou arqueozóicos. Os outros 4% cristalinos são for­mados de terrenos algonquianos ou proterozóicos, essencialmente de rochas metamórficas, e apresentam grande valor econômico, pois nes­ses terrenos se localizam as jazi­das de ferro, manganês e outros minerais metálicos.

Os escudos cristalinos são o das Guianas e o Brasileiro. O Escudo Brasileiro encontra-se di­vidido em diversos núcleos: Sul-Amazônico (fer­ro, na Serra dos Carajás, no Pará); Atlântico (co­bre, na Bahia; ferro, bauxita e manganês, no Qua­drilátero Ferrífero, em Minas Gerais); Bolívio Mato-Grossense (ferro e manganês, no Maciço do Urucum, em Mato Grosso do Sul); Uruguaio-Sul-Rio-Grandense (cobre, em Caçapava do Sul, no Rio Grande do Sul); Nordestino (entre Ceará e Sergipe); Gurupi (entre Maranhão e Piauí) e Perizes (no Maranhão).

A maior parte da área total do Brasil (64%) é coberta por bacias sedimentares, que são depressões preenchidas ao longo do tempo por detritos provenientes de outras áreas. As bacias sedimentares estão assim distribuídas:
• Paranaica – sedimentos antigos (Paleozoica);
• São-Franciscana – sedimentos antigos (Paleozoica);
• do Recôncavo – sedimentos antigos (Mesozoica);
• do Meio-Norte – sedimentos antigos (Mesozoica);
• Amazônica – sedimentos terciários e quaternários (Cenozóica);
• Costeira – sedimentos terciários e quaternários (Cenozóica);
• Central – sedimentos terciários (Cenozóica);
• Pantanal – sedimentos quaternários (Cenozóica).

Há, ainda, algumas bacias menores, com destaque para as de
• São Paulo – sedimentos quaternários (Cenozóica);
• Curitiba – sedimentos quaternários (Cenozóica).

As bacias sedimentares, sob o aspecto econômico, são estruturas geológicas de grande importância, pois abrigam as jazidas de minerais fósseis, como carvão e petróleo. A Bacia Paranaica foi recoberta em grande parte por intensos derrames vulcânicos, nos períodos Jurássico e Cre­táceo, na Era Mesozóica. Tais derrames resultaram na formação do basalto, cobrindo uma extensão de 1,2 milhão de quilômetros no Brasil. A decomposição do basalto deu origem ao solo vermelho-escuro, de alta fertilidade, conhecido como terra roxa.