Características Agrícolas, Principais Cultivos e Áreas de Produção do Sudeste


A prioridade da produção agropecuária brasileira sempre foi o mercado externo. Se nos tempos do Brasil co­lonial praticamente todos os produtos agropecuários eram exportados, atualmente esses produtos ainda respondem por, pelo menos, 50% da nossa pauta de exportações. Vamos conhecer agora as principais produções agropecuárias de cada região brasileira, analisando os fatores que determinam a prioridade atribuída a esses cultivos.

Características Agrícolas

Principais cultivos e características agrícolas do Sudeste

A região Sudeste abrigou o maior ciclo econômico do Brasil agroexportador: a cafeicultura. As primeiras plantações co­merciais de café surgiram no início do século XIX, espalhando-se preferen­cialmente pela faixa litorânea. Posterior­mente avançou para o interior e cobriu o interior paulista. Em 1835, o café já era o primeiro item na pauta de exportações brasileiro. Na segunda metade do século XIX, o café chegou às terras pau­listas. A marcha para o interior do estado foi acelerada pelos solos fér­teis e climas favoráveis, onde surgiram e floresceram importantes cidades, como Campinas e Ribeirão Preto.

Nessa época o trabalho dos escravo acabou sendo subs­tituído pelo dos imigrantes da Europa, o que favoreceu enormemente a economia cafeeira (esta já se ressentia da falta de braços para a lavoura). Ao mesmo tempo, a cafeicultura criou uma importante infraestrutura que es­timularia a industrialização: ferrovias, acúmulo de capitais, criação de um mercado consumidor importante, disponibilidade de mão de obra etc. Nascia, então, o Brasil urbano-industrial.

A expansão das atividades industriais, por sua vez, especialmente na segunda metade do século XX, engen­draria a modernização da economia rural. A produção agropecuária foi remanejada para atender às necessidades sempre maiores de matérias-primas para a atividade indus­trial em evolução, ao mesmo tempo que devia abastecer a crescente população das cidades. As exigências deste mercado também evoluíram e, para atendê-lo, foi neces­sário implantar o chamado complexo agroindustrial.

A estrutura administrativa e os processos de produção da agroindústria são semelhantes àqueles adotados pelas indústrias urbanas propriamente ditas. É preciso destacar que as empresas que compõem a chamada agroindús­tria são uma área de investimento preferencial dos capitais transnacionais ligados ao mercado financeiro. Portanto, é comum que as sedes das verdadeiras controladoras desses sofisti­cados complexos se situem no exterior.

Os transgênicos

As sementes transgênicas, isto é, alte­radas geneticamente, são um controvertido produto da agroindústria. Em geral, essas sementes pertencem a empresas transna­cionais, como a norte-americana Monsanto, proprietária de uma variedade transgênica de soja. Tais sementes foram desenvolvidas com o pretexto de garantir ganhos de produtivi­dade ao agricultor. Mas também acarretam o monopólio do setor, uma vez que são se­mentes praticamente estéreis, o que obriga o agricultor a comprá-las a cada novo plantio, mantendo-o em dependência crônica.

Ao mesmo tempo, a compra das sementes exige que se compre também agrotóxicos especiais (inseticida e herbicida). Evidentemente, esse “pacote” custa mais caro ao agricultor. Ademais, como as sementes transgênicas contêm um gene resistente a esses agrotóxicos especiais, a tendência é usar grandes quantidades desses venenos na plantação (pois a soja não seria afetada). Tal “overdose” de agrotóxicos poderia ser maléfica ao meio ambiente (por exemplo, pode contaminar lençóis freáticos) e, consequentemente, à saúde humana.

Apesar dos prejuízos que podem advir do uso em larga escala dos transgênicos, as empresas produtoras de sementes transgênicas, como a Monsanto, têm pressionado o Brasil a liberar seu uso comercial. Ou seja, para essas empresas, os lucros propiciados pela comercialização das sementes importam mais que os riscos para a saúde das pessoas, para o equilíbrio do meio ambiente ou para a capacidade de produzir dos pequenos agricultores.

A União Europeia, porém, tem resistido aos trans­gênicos, argumentando que é preciso priorizar a saúde da população e o meio ambiente. Grande parte dos con­sumidores, de fato, rejeita produtos transgênicos. Outro motivo de resistência é político: aderir aos transgênicos significa, no limite, aceitar o monopólio de empresas de capital norte-americano, como a Monsanto.

Como a Europa é o maior mercado consumidor da soja brasileira, o plantio de variedades transgênicas tem encontrado resistência por parte dos próprios agricultores brasileiros. Produzir soja e outros alimentos sem alterações genéticas pode ser muito vantajoso, se o Brasil tornar-se um fornecedor privilegiado do rico mercado europeu. Desde 2003 nota-se uma expansão da atividade canavieira, reflexo da política vigente, voltada para a revitalização do Proálcool, bem como para a diversificação da matriz energética do nosso país.

Áreas de produção

Vamos conhecer as principais produções regionais do Sudeste voltadas para exportação:
•       interior de São Paulo: laranja e cana-de-açúcar, matérias-primas da agroindústria;
•       Triângulo Mineiro: laranja e pecuária semiextensiva de corte;
•       sul e Zona da Mata de Minas Gerais: café;
•       norte do Rio de Janeiro: cana-de-açúcar.

Por sua vez, as produções voltadas para abastecer o mercado interno são:
•       sul de Minas Gerais e Vale do Paraíba: pecuária inten­siva leiteira;
•       entorno das grandes cidades (cinturão verde): hortifrutigranjeiros.

Cumpre lembrar que a cana-de-açúcar, produto que sempre esteve intimamente ligado à história do Brasil, passou a ocupar grande parte do espaço do Centro-Sul. Entre 1960 e 1999, o cultivo da cana expandiu-se 740% em todo o país. Enquanto esse aumento chegou a 214% (29 milhões de toneladas) na região norte-nordeste, na região Centro-Sul a expansão foi de 1.056% (241 mi­lhões de toneladas). O estado de São Paulo, em particular, apresentou um crescimento da produção da ordem de 1.113% (l78 milhões de toneladas), ou seja, 19,7% ao ano no mesmo período.

Contudo, o maior crescimento da cultura da cana-de-açúcar ocorreu justamente na década de 1980, com o advento do Proálcool. De fato, a possibilidade de geração de energia combustível a partir da cana alterou o espaço rural do Centro-Sul. Essa região destaca-se por possuir a maior frota de veículos, além de inúmeras usinas que atendem tanto o importante mercado interno de álcool combustível quanto o mercado externo de açúcar.
Desde a implementação do Proálcool, houve uma certa oscilação das dimensões dos canaviais em função de diferentes decisões do governo em relação à política energética. Assim sendo, quando o governo diminui os incentivos à produção de álcool combustível, as áreas plantadas de cana sofrem uma diminuição proporcional.

As laranjas colhidas no interior de São Paulo garantem uma importante exportação de suco. Acima, laranjas separadas para moagem no pátio da indústria em Matão, SP. A produção de laranja também avança de forma avas­saladora no Brasil, especialmente sobre o interior paulista e o Triângulo Mineiro.

O crescimento dessa cultura está ligado ao aumento do consumo de alimentos industrializados nos países de­senvolvidos, como os EUA. Para atender a esse mercado consumidor, o Brasil desenvolveu um gigantesco complexo agroindustrial, que abarca várias etapas produtivas: o cultivo, a colheita, a seleção das melhores frutas, o trans­porte realizado entre as fazendas e as fábricas de suco, o beneficiamento, o envasamento e o transporte até o porto, de onde o suco é exportado. O Brasil, impulsionado pelo crescimento das expor­tações e pela capacitação dessa agroindústria, é hoje o maior produtor mundial de suco de laranja. Com destaque, o estado de São Paulo, responsável por 70% da produção nacional.