Características, Tipos de Solo e Vegetação do Cerrado, Caatinga e Mares de Morros


Domínios Morfoclimatobotanicos Brasileiros

O DOMÍNIO DO CERRADO

O Cerrado brasileiro é considerado como a mais rica das Savanas e ocupa terras das regiões Centro-Oeste, Nordeste e Sudeste, o Brasil Central. Sua formação vegetal apresenta dois estratos: um arbustivo e outro herbáceo que combinado a um relevo planáltico com chapadões sedimentares, solos arenosos e ácidos e um clima tropical semi-úmido se sujeita facilmente ao fenômeno da laterização.

Características, Tipos de Solo e Vegetação

Geologicamente o domínio do Cerrado apresenta terrenos datados das eras Paleozóica e Mesozoica, o relevo predominante é o planalto Central, formado por terrenos cristalinos bastante erodidos e sedimentares que formam as chapadas, dentre elas a dos Parecis, dos Guimarães, dos Veadeiros e o Espigão Mestre, divisor de águas entre as bacias dos rios São Francisco e Tocantins. No extremo sul, em terras de Mato Grosso do Sul e Goiás, se faz presente o planalto Meridional, de origem vulcânica onde surgem as Serras de Maracajú e Caiapó entre outras.

Os solos são geralmente pobres e ácidos (pH abaixo de 6,5), bastante lixiviados e laterizados, que, para serem utilizados na agricultura, necessitam de corretivos como a calagem que é a adição de calcário ao solo, visando à correção do pH. As altas concentrações de alumínio e ferro contribuem para a formação de carapaças ferruginosas – as lateritas. No sul de Mato Grosso do Sul, na região de Campo Grande e Dourados, em áreas do planalto Meridional, aparecem significativas manchas de terra roxa de grande fertilidade natural.

A vegetação do Cerrado arbóreo é formada por árvores tortuosas e espaçadas, com tronco de cortiça espessa, folhas grossas e ásperas, variando do tropófito até o xerófito. As raízes são longas, chegam até a 15 m, sendo capazes de buscar a água no lençol freático em profundidade. Na estação seca essa paisagem está sujeita às queimadas naturais que promove o rebrotamento de várias espécies, criando o habitat adequado para a fauna regional.

Campo Cerrado –  estado de Mato Grosso

Nesse domínio o clima tropical alternadamente úmido e seco apresenta médias térmicas elevadas (entre 20°C e 28°C), com chuvas concentradas entre os meses de novembro a março, sob a influência da massa de Equatorial Continental (verão) e da massa Tropical Continental (inverno), caracterizando um inverno ameno e seco (ver climograma).

A região abriga nascentes de importantes bacias hidrográficas e se apresenta como o principal divisor de águas entre as bacias Amazônica, do Araguaia-Tocantins, do São Francisco, do Paraná e do Paraguai. Esta última de grande relevância, formada por rios volumosos, navegáveis e responsável pelas enchentes do Pantanal.
Chapa dos Guimarães (véu de noiva)- MT

Como essa região tem sido ocupada mais intensamente, desde a década de 1970, principalmente pelas monoculturas comerciais mecanizadas, ocorreu grande desmata mento, que associado a prática da queimada como forma de manejo agrícola, têm levado à perda da biodiversidade, prejudicando a fauna local, destruindo as matas-galeria, que protegem a rede de drenagem, junto aos rios causando o assoreamento dos mesmos.

O DOMÍNIO DA CAATINGA

O domínio da Caatinga abrange o interior do Nordeste brasileiro, espaço zonal de clima semiárido, solos pedregosos e como cobertura vegetal uma paisagem arbustiva-herbácea com cactáceas. O relevo é composto pelo planalto da Borborema e pelas depressões interplanálticas. Na porção ocidental estende-se até o Espigão Mestre, e a leste atinge o planalto de Borborema em Pernambuco e a Chapada Diamantina no sul da Bahia. Na direção norte esse domínio alcança algumas serras ou chapadas residuais (Araripe, Ibiapaba, Apodi etc.). No interior do planalto Nordestino, em decorrência do clima semiárido, predomina o intemperismo físico que através da pediplanação vai aplainando gradativamente o relevo, permanecendo, todavia, os inselbergs (morros testemunhos) que atestam a existência, no passado de um relevo de maior altimetria. Devido à escassez das chuvas os nutrientes minerais são preservados, possibilitando a agricultura quando associada à irrigação.

Para a região convergem vários sistemas atmosféricos, mas que lá chegam já praticamente sem umidade. Assim, o domínio da Caatinga é marcado pela predominância de um clima tropical semiárido (ver climograma), cujas médias térmicas são superiores a 26°C e a pluviosidade além de baixa (menos de 1.000 mm/ano) é muito irregular. As chuvas ocorrem num período médio de dois a três meses no ano, normalmente entre o outono e o inverno Em cabaceiras na Paraíba registram-se os menores índices pluviométricos do país, 278 mm/ano.

O DOMÍNIO DOS MARES DE MORROS

Parte da região está localizada na bacia do rio São Francisco, além de um grande número de rios intermitentes ou temporários, como o Jaguaribe, Acaraú, Apodi, Piranhas, Capibaribe, etc. que desaparecem no período seco. O domínio dos Mares de Morros Florestados do Brasil corresponde à fachada litorânea que vai do Rio Grande do Norte ao Rio Grande do Sul e no Sudeste sofre uma interiorização tornando-se mais larga. Constitui uma área de clima predominantemente tropical e caracteriza-se pela ocorrência de um relevo acidentado recoberto originalmente por uma exuberante floresta tropical.

O aspecto característico deste domínio encontra-se na história geológica e nos processos erosivos ocorridos dando a região formas singulares, que por sua vez se estende desde a planície litorânea aos Planaltos e Serras do Atlântico Leste-Sudeste, destacando-se as Serras do Mar e da Mantiqueira, estruturado sobre escudos cristalinos da era pré-Cambriana constituído por rochas magmáticas e metamórficas bastante erodidas e que associadas ao clima quente e úmido deu origem a um relevo mamelonar – com formas arredondas lembrando meias-laranjas -denominado de “Mares de Morros” (ver foto anterior).